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sexta-feira, 9 de junho de 2017

O ambiente é pantanoso e nebuloso.

Crise política derruba intenção de consumir e deve se arrastar

Vinicius Torres Freire




O ÂNIMO DE gastar dinheiro diminuiu, já se vê em pesquisas. As reformas subiram no telhado, de onde devem cair para as calendas, agosto, no melhor dos casos.

Os indícios de ontem eram de crise política arrastada, de risco de a coalizão temeriana se desmilinguir aos poucos e de pipocas de denúncias vazadas contra o presidente.

De resto, Temer deve ser denunciado pela Procuradoria-Geral, garantia de pelo menos um mês extra de novela de terror, mesmo que a Câmara o mantenha no cargo.

É uma receita de bolo de rolo para realimentar a piora de expectativas de econômicas, em tese. No mais, aparecem os primeiros efeitos econômicos mais objetivos da crise.

A Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio) mediu o impacto inicial do choque político sobre o consumidor paulistano. Fez duas pesquisas de confiança em maio, a primeira no dia 10, a segunda no dia 25 de maio. O grampo de Temer foi ao ar no dia 17.

O Índice de Intenção de Consumo das Famílias caiu de 78,8 pontos para 76,7 pontos em 15 dias, redução de 2,8% -grande, em período curto.

A baixa deveu-se ao desânimo das famílias com renda superior a dez salários mínimos (redução de 8,3%). Nas demais famílias, ficou na mesma, pois muitas delas já vivem da mão para a boca.

O baque na confiança vai persistir? Piorar? Como diz a própria Fecomercio, "existem tantas dúvidas no cenário político que a federação afirma ser muito difícil dizer o que vai acontecer com os indicadores de confiança e como as famílias vão reagir".

Apesar das melhoras incipientes, "uma crise profunda e, principalmente, prolongada pode abortar esse processo".

Economistas do governo parecem agora conformados com a hipótese de que as reformas sejam votadas em agosto. Estão até otimistas, a julgar pelo que se ouve no Congresso.
O grupo político mais próximo de Temer parece dividido a respeito de jogar a toalha da votação de reformas ainda neste semestre.

Há quem diga que votar a mudança na Previdência antes do recesso de julho mostraria "a força, a resistência e a necessidade" do governo de Michel Temer. Outros assessores e lideranças no Congresso acham que já era —melhor deixar para depois de derrubar na Câmara o processo contra Temer.

Espera-se que a Procuradoria-Geral denuncie Temer em até dez dias, por aí. O caso iria para a Câmara, que decide se autoriza o processo, o que faria de Temer réu e o afastaria temporariamente do cargo.

A tramitação desse caso na Câmara pode levar umas 20 sessões parlamentares, pelo menos um mês, até que se vote ou não o afastamento.

Caso Temer controle o processo parlamentar e tenha força para se manter no cargo, o mais provável até ontem, a tramitação toda poderia ser reduzida a uma semana, no limite.

Mesmo nesse "fast track", estaríamos praticamente em julho. O recesso começa no dia 17 de julho.

É o futuro remoto. Ainda que Temer ultrapasse a corrida de obstáculos legais, mesmo os políticos não têm certeza das barreiras políticas.

PSDB, PSD e até o DEM medem a temperatura da água diariamente. Podem desembarcar, mas talvez sem debandada, mantendo até um cargo ou outro e prometendo votar pelas "reformas".

O ambiente é pantanoso e nebuloso.

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