Alamanaqueiras: ou não queiras.

Alamanaqueiras: ou não queiras.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

as crias do 'temer' exigem muito e pagam pouco.

"e eu que não creio peço a Deus por minha gente."

AINDA BEM QUE VOCÊ VEIO!

Por: Joao Neto

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- Vc vai cortar a luz, moço? Perguntou a mulher sentada num banco de madeira, acompanhada por 3 crianças descalças.
- Sim, respondi.
- Tudo bem, estou com duas atrasadas, mas só recebo dia 9.
- Mas hoje é dia 9, ponderei.
- Sério? 
- Sério, e se a senhora pagar hoje é só pedir a religação que antes das 6 eu volto!
- Combinado, disse ela!
Pra mim o "corte" é uma atividade desagradável, em qualquer circunstância, apesar de obrigatório, e se a família for pobrezinha é mais doído ainda: a tal atividade "culposa" (sem intenção de cortar!).
Antes de sair, enquanto encerro o serviço no tablet, as 3 crianças se aproximam e pedem:
- Moço, vc tem 1 real?
Sem moedas no bolso, abri a carteira e encontro uma solteira nota de 5 reais... Entrego pro menino e ordeno:
- É pra vc repartir com suas irmãzinhas.
Ele balançou a cabeça positivamente, e falou: "tábão"!
Fui embora pensando nas crianças pidonchando, mas, vida que segue!
Bem de tardezinha caiu a religação da casinha de madeira torta... Segui pra lá... Eu tinha o dever de devolver luz para aquela criançadinha, era, pra mim, o momento da redenção.
Ao ouvir o barulho da camionete, todos saíram eufóricos. O menino (Eugênio) vem até mim e diz todo alegrinho:
- Ainda bem que vc veio!
Pensei que tivesse feliz pela luz... Só que não... Ele abre sua mãozinha suja e suada e exclama:
- Toma seu troco!
Naquele instante, ao me devolver 2 reais "Geninho" estava me mostrando o maior exemplo de honestidade e responsabilidade que eu já tinha visto na vida.
- Não, não quero troco... Era tudo de vcs!
- Mas não era 1 real pra cada um? Perguntou!
- Pode ficar pra vcs!
Pois é, minha gente... No momento em que nosso país vive uma monstruosa crise moral, onde as instituições governamentais estão todas contaminadas pela ladroagem, rapinagem, farolagem e corrupção, me aparece um menino todo sujo e me faz crer que nosso país ainda tem jeito!
Às vezes a gente chora de alegria!
Hoje, definitivamente, vou dormir feliz!

Está um turumbamba a votação da segunda denúncia contra Michel Temer.

Temer golpista não quer só manter a cabeça

Vinicius Torres Freire

Governo Temer


Está um turumbamba a votação da segunda denúncia contra Michel Temer. Faz semanas, o presidente da República e companhia, do PMDB, arrumam confusões com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, do DEM.

Qual o motivo e o sentido disso? Gente do governo diz que se trata mais de espumas poluídas e "brigas domésticas" do que risco de rompimento real. Não haveria no Congresso nenhuma movimentação para a eventualidade de Temer cair da cadeira. Isto é, um plano de sucessão.

No entanto, nem o pessoal do Planalto dá por enquanto de barato que a cabeça de Michel Temer vá ficar no lugar, embora acreditem que o trabalho de aquisição de apoios esteja adiantado, entre outros indícios de sucesso da empreitada. Mais que isso, sabem que Temer vai precisar de Maia no resto de vida útil do governo, que vai até o fim do ano. Depois, é férias no Congresso, Carnaval e o começo informal da campanha eleitoral.

Temer precisa de Maia para aprovar o remendo das contas públicas, coisas como o pequeno aumento de impostos sobre a finança e da contribuição de servidores para a Previdência, como o adiamento de reajustes do funcionalismo etc.

Sem isso, mais partes do governo vão engripar, daqui a 2019.

De resto, a penúria diminuiria ainda mais o poder de influência de Temer e do governo na eleição. Mais que um problema político, pode ser caso de polícia. Governistas e aliados ao relento, derrotados na eleição, correm mais risco de cadeia. Cada dinheirinho para ambulância ou construção de quadra de futebol pode ajudar a salvar uma cabeça. É uma conversa ainda mais comum e importante no Congresso nestes dias.

Temer precisa também honrar compromissos com seus patrocinadores, a coalizão pelas reformas, o que parece uma conversa etérea, imaterial, dado o nível a que baixou a politicalha do Congresso.

Afinal, o governo Temer, seu programa econômico e seus economistas não estão aí por acaso e não apenas para limar a Lava Jato.

Evitar o desabamento da Ponte para o Futuro significa manter uma ponte com a parte da elite preocupada de fato com reformas liberais e, portanto, manter apoios importantes nas negociações de candidaturas e acordos políticos para montar os governos que começam em 2019.

Também não se trata de conversa mole aqui. As discussões sobre o lançamento e a viabilidade de candidaturas que possam continuar o programa liberal já são intensas, até porque há imensa desordem no sistema político e incógnitas demais (sendo o destino de Lula a maior delas).

As conversas sobre Luciano Huck candidato não são brincadeira nem para políticos nem para parte da elite econômica à procura de um líder para suas reformas, ainda mais depois de certo desencanto com João Doria. Doria, no entanto, ainda está muito no jogo. Também não se fecha a porta para qualquer "outro" que seja capaz de bater Lula e manter o programa reformista.

Temer e o PMDB querem estar nesse jogo de definição de candidaturas, óbvio. Maia já está jogando e tem o poder de baixar o valor das cartas do presidente. A mão de Temer ficará tanto mais fraca quando mais cedo terminar seu governo.
O que depende de Maia.

O caso Aécio Neves arrepia até quem já se acostumou com o baixíssimo nível da vida pública.

Aécio e os serial killers 

Roberto Dias 

O engenheiro Nélio Nicolai, famoso por ter inventado o identificado de chamadas de telefone, o Bina, que morreu nesta sexta aos 77 anos


O caso Aécio Neves arrepia até quem já se acostumou com o baixíssimo nível da vida pública.

Fosse a política brasileira um filme de terror B —ou vai ver é mesmo, algum dia seremos oficialmente informados—, os diálogos envolvendo o senador brilhariam no trailer.

As falas gravadas pela polícia são dos momentos de maior intensidade da trama. Incluem conversas sobre um suposto empréstimo de R$ 2 milhões em dinheiro, indicações para empresas, ofensas a políticos, tudo versado em português pouco castiço.

Entre as frases que o diretor poderia pinçar está o momento em que Aécio diz a Joesley Batista, dono da JBS: "Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação". Que sentido poderia ter essa frase além de uma coisa nada boa? Difícil intuir, pois as manifestações de Aécio nos cinco meses deste escândalo foram enxutas, como o pronunciamento de dois minutos desta quarta (18).

O senador pelo PSDB de Minas se diz indignado. Mas esse tal sentimento não se converteu na dignidade mínima para que ele —ocupante de cargos eletivos há 30 anos e segundo nome mais votado à Presidência— aparecesse cara a cara com jornalistas em uma entrevista coletiva e respondesse a perguntas.

O que pode reservar o roteiro a um personagem assim? Investigações contra parlamentares levam em média mais de sete anos no Supremo, prazo convidativo às prescrições. Os pares do senador são justamente os que o consideraram apto a continuar na Casa. O presidente interino do seu partido, por sua vez, acredita que ele pode exercer cargo público, mas não o comando da sigla.

Diante disso, entende-se por que o juiz Sergio Moro recorre à ficção para defender a prisão preventiva de suspeitos de corrupção. "Podemos fazer uma comparação com uma situação que vemos muito no cinema: casos de serial killers. Não vai esperar ele ser preso até o fim do julgamento para que haja uma nova vítima."

"Isso aqui na verdade é um teatro"

Teatro ruim 

Bernardo Mello Franco 


Por 39 votos a 26, Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprova parecer pela rejeição da 2ª denúncia contra o presidente Temer


"Isso aqui na verdade é um teatro". O surto de sinceridade foi do deputado Beto Mansur, do PRB. Integrante da tropa de choque do governo, ele resumiu o longo e inútil debate na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

Ao subir ao palco, os deputados já sabiam que as cortinas se fechariam com a vitória do Planalto. Mesmo assim, a peça se arrastou por quase nove horas. Ninguém queria perder a chance de brilhar ao vivo na TV.

"Não se troca presidente da República como se troca de técnico de time de futebol", disse o ex-malufista Mansur. A oposição interrompeu o discurso para reclamar de plágio. No ano passado, a mesma frase era usada para defender Dilma Rousseff.

Os deputados que votariam pela rejeição da denúncia tentavam escapar do papel de vilão. Até Bonifácio de Andrada, autor do parecer a favor do presidente, buscou encenar alguma independência. "Eu sou relator. Não sou líder do governo, não", disse.

Com dez mandatos nas costas, o tucano nunca cairia na própria conversa. Ele foi escolhido para selar uma troca. Temer ajudava Aécio, que ajudava Temer... qualquer semelhança com o poema "Quadrilha", de Carlos Drummond de Andrade, não haveria de ser coincidência.

"É uma permuta", resumiu o petista Paulo Teixeira. Ele ironizou a defesa do governo contra a acusação de obstrução de Justiça. Segundo o Planalto, Temer só queria que Joesley Batista continuasse "de bem" com o presidiário Eduardo Cunha.

"Haveria uma amizade com prestações mensais?", debochou Teixeira. Na famosa gravação do Jaburu, o presidente diz a frase "tem que manter isso" e o dono da JBS responde com a expressão "todo mês".

Apesar dos excessos no microfone, os deputados pouparam o público das costumeiras cenas de empurra-empurra. Eles também parecem cansados de encenar sempre a mesma peça. O teatro ruim deve terminar na próxima quarta, com o sepultamento da denúncia no plenário.

faz mais de meio século que "poeta" está consagrado entre falantes cultos como substantivo de dois gêneros, tanto no Brasil quanto em Portugal.

Falíveis e pesadões, dicionários são muito úteis, mas a língua é maior 

Sergio Rodrigues 


SAO PAULO, SP, BRASIL, 25-09-2015: XXXXXXX. PRODUCAO DICIONARIO AURELIO (Foto: Fabio Braga/Folhapress, ILUSTRADA)***EXCLUSIVO***.

Gosto muito de dicionários e tenho uma prateleira cheia deles. Alguns são tão antigos que trazem palavras como "espheromachia" (definida como "jogo da bola") em páginas que se quebram entre os dedos como finíssimas pizzas brancas.

Talvez seja essa convivência com sua precariedade comovente, com o fato de serem os dicionários tão condenados à decrepitude e à morte quanto qualquer um de nós, que me leva a manter com eles uma relação que não dispensa, ao lado da admiração amorosa, o olhar crítico. Não é algo que combine com o senso comum.

Obras monumentais, os dicionários costumam inspirar um sentimento de reverência que frequentemente descamba para o fervor religioso. Muita gente supõe que todas as dúvidas sobre a língua possam ser esmagadas como moscas sob o peso de suas páginas.

Por trás disso está a crença de que, em vez de simplesmente registrar as palavras usadas na vida real, os dicionários são seus inventores. Quando lá não encontram algum vocábulo, dizem os fiéis da religião lexicográfica que ele "não existe" –mesmo que sua existência seja uma obviedade a lhes entrar por olhos e ouvidos todos os dias.

Mais realista é encarar o dicionário como uma espécie de cartório de registro civil em que as palavras ganham documentos. A falta de uma certidão de nascimento (para brasileiros) ou de um visto de residência (para estrangeiros) cria embaraços, mas não condena ninguém à "inexistência". O mesmo ocorre com as palavras.

Se a língua que usamos para dar conta do mundo é ágil, vertiginosa, dicionários são pesados e conservadores por definição. Isso é bom. Caso corressem para registrar todos os neologismos e gírias da moda, teriam que promover expurgos periódicos para se livrar de bobagens precocemente esquecidas.

No entanto, a lentidão muitas vezes faz deles árbitros falíveis diante de bolas divididas "no intenso agora", para citar o belo título do novo documentário de João Moreira Salles.

Longe de esmagar todas as moscas, é comum que os dicionários engulam várias delas. Um exemplo: faz mais de meio século que "poeta" está consagrado entre falantes cultos como substantivo de dois gêneros, tanto no Brasil quanto em Portugal. É difícil encontrar uma poeta digna desse nome que se identifique com o tradicional feminino "poetisa", hoje cheio de conotações beletristas e condescendentes.

Para a maioria dos lexicógrafos, ainda é cedo: "poeta" é vocábulo masculino e pronto. Até o "Houaiss", o melhor dicionário da língua portuguesa, nega-lhe o documento unissex que ele merece faz tempo. (Reconheça-se que, em sua edição mais recente, registra esse uso numa tímida notinha sob a rubrica "gramática", o que é alguma coisa, mas é pouco.)

Gostaria que esta coluna fosse lida como uma declaração de amor aos dicionários. Quando deixamos de vê-los como as Tábuas da Lei, fica bem mais fácil gostar deles.

O ex-procurador Marcelo Miller declarou à Polícia Federal que fez apenas reparos "linguísticos e gramaticais" a um esboço de delação da JBS. Achei frágil a defesa. A julgar pelo português de Joesley Batista, deve ter reescrito o documento inteiro.

saindo pela culatra

"Não há que cassar. Há que interditar essa vanguarda do atraso antes que sejamos todos enterrados no túmulo da História- por omissão."

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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

O tribunal se curvou à pressão dos políticos.

Aécio ganhou, o STF perdeu 

Bernardo Mello Franco



"O senador João Alberto cancelou uma cirurgia. O senador Romero Jucá teve arrancada metade das tripas e está aqui firme". Renan Calheiros era só orgulho ao exaltar a bravura dos colegas. Valia até fugir do hospital para ajudar a salvar o mandato de Aécio Neves.

A votação desta terça-feira não definiria só o futuro do tucano. Estava em jogo todo o esforço para estancar a sangria provocada pela Lava Jato. "Com o Supremo, com tudo", como profetizou Jucá, antecipando o julgamento da semana passada.

O tribunal se curvou à pressão dos políticos. O Senado aproveitou o recuo e avançou na guerra contra as investigações. "Não é se deixando subjugar por parte da opinião pública, da imprensa, que nós vamos fazer justiça neste país", discursou o destripado líder do governo.

Jucá falava em nome da corporação e do chefe. Michel Temer também suou a camisa nas articulações a favor de Aécio. O presidente e o senador mineiro firmaram um pacto pela sobrevivência. Um ajuda o outro na luta para enfrentar o Ministério Público e continuar no poder.

Encorajados pelo Planalto, os senadores decidiram desafiar a primeira turma do Supremo. A esperança na salvação venceu o medo da opinião pública. Por 44 a 26, o plenário devolveu a Aécio o mandato e o direito de circular na noite de Brasília.

O triunfo do tucano é uma derrota para o Supremo, que sai do episódio ainda mais arranhado. Ao abrir mão de dar a última palavra, a corte acirrou sua divisão interna e reforçou a imagem de que passou a colaborar com um "grande acordo nacional".

Desgastado, o tribunal apanhou até de quem votou contra Aécio. O ex-tucano Álvaro Dias criticou a "constrangida mudança de opinião" dos ministros. A presidente Cármen Lúcia, que garantiu a salvação do senador mineiro, teve que dormir com um elogio de Jader Barbalho. "Tenho que cumprimentar essa mulher, que merece todas as nossas reverências", exaltou o peemedebista.

partido marcado para implodir

Aécio volta ao Senado sob pressão para renunciar ao comando do PSDB; sigla está perto de implodir

POR PAINEL



Barril de pólvora 

Aécio Neves (PSDB-MG) não deve esperar uma recepção calorosa de parte de seus correligionários na volta ao Senado. Logo após a votação que lhe devolveu o mandato, ala do tucanato reativou a cobrança para que ele renuncie à presidência do partido –da qual já está afastado. O mineiro encontrará uma sigla ainda mais dividida e conflagrada. A dúvida é se, pessoalmente combalido, terá condições de evitar a implosão da legenda na análise da denúncia contra Michel Temer.

Crise existencial 

Integrantes do PSDB começaram a questionar se o partido “ainda faz sentido”. O grupo que defende a manutenção do apoio ao governo diz que a sigla está acéfala. Há quem pregue que um colegiado dos seis governadores assuma o controle.

Trava 

Os governistas são contra a renúncia de Aécio. Ponderam que a saída do mineiro do comando da legenda abriria definitivamente o caminho para a reeleição de Tasso Jereissati (PSDB-CE), da ala anti-Temer.

#Gratidão 

Aécio ligou para agradecer aos senadores que votaram a favor da devolução de seu mandato. Um dos primeiros a receber o telefonema foi o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR).

#Tamosjuntos 

O parlamentar de Roraima foi ao Senado com os pontos de uma cirurgia de diverticulite no corpo. A pessoas próximas, justificou o sacrifício. Disse que se não aparecesse para defender o retorno de Aécio, os tucanos ficariam mudos.

Não me pertence 

O ex-senador Delcídio do Amaral, que foi preso por ordem do STF em 2015 e teve o encarceramento chancelado pelo plenário, protestou. “Se eu tivesse sido flagrado pedindo dinheiro, talvez ainda fizesse parte do Senado. O tempo de Deus haverá de fazer justiça!”

Bola da vez 

Delcídio foi acusado de obstruir as investigações. Ele avalia que “o desfecho do caso Aécio vai salvar a todos os partidos” e mostra a reação da política. “Vai sobrar para o PT. Mais especificamente para o Lula.”

Sai do forno 

A deputada Tereza Cristina (PSB-MS) apresenta o relatório do Funrural na terça (24). Contemplará demanda dos ruralistas: vai permitir a opção de contribuição à previdência por desconto em folha ou sobre a receita bruta da produção.
Volte sempre Após o último embate entre Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Michel Temer, a senadora Katia Abreu (PMDB-TO) organizou novo jantar para o presidente da Câmara, nesta terça (17). O encontro seria na casa de Alexandre Baldy (Pode-GO).

Qual é a dele? 

Integrantes do mercado financeiro estão tentando entender o que Maia pretende com seus atritos com o governo. Até Henrique Meirelles (Fazenda) foi indagado sobre o assunto.

Óleo de peroba 

Mesmo após ter admitido que o contrato que firmou com a J&F serviu de cortina de fumaça para pagamento de propina, Lúcio Funaro insistirá na ação em que cobra dinheiro do grupo por serviços prestados na fusão de frigoríficos.

Para toda obra 

Em sua delação, o doleiro diz que Joesley Batista propôs usar o contrato para justificar notas frias antigas. No final de setembro, a Justiça de São Paulo condenou a J&F a pagar R$ 16 milhões a Funaro, mesmo com a alegação do grupo de que o documento era fictício.

Tudo ele 

Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ironizou as dezenas de menções que Funaro, seu ex-operador, faz a ele na delação. Disse a aliados que o doleiro o transformou no “posto Ipiranga” da Lava Jato.

TIROTEIO

Para diminuir o número de desempregados, o governo agora decidiu inovar: passa por cima da OIT e formaliza o trabalho escravo.

DE JOÃO CARLOS GONÇALVES, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical, sobre a portaria do governo que flexibiliza a fiscalização ao trabalho escravo.

CONTRAPONTO

Para todos os gostos

Durante a sessão da CPI da JBS desta terça-feira (17), o presidente da comissão, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), tentou conceder a palavra ao deputado Wadih Damous (PT-RJ), mas esbarrou, pela terceira reunião consecutiva, em sua profunda dificuldade de articular corretamente o nome do colega.
— É Wadih Damous, presidente. Hoje eu estou te ajudando, já que a cada sessão meu nome ganha nova pronuncia — brincou o petista, descontraindo a tensão disseminada no colegiado.
— Veja pelo lado bom, deputado, é um nome camaleão! — respondeu Ataides.

o feitiço de um crápula

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sensação de um predomínio de gambiarras políticas e jurídicas

Sessão encerra crise, mas clima de gambiarra institucional prossegue

IGOR GIELOW



A rejeição do afastamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG) coloca um ponto final no episódio que deixou Congresso e STF (Supremo Tribunal Federal) à beira de uma crise mais séria, mas a sensação de um predomínio de gambiarras políticas e jurídicas deixa várias marcas na relação entre os Poderes.

A sessão de votação que deu sobrevida a Aécio no plenário do Senado nesta terça (17) serve como um exemplo desse ambiente. A tibieza da Casa em enfrentar o assunto levou à decisão de exigir 41 votos tanto para livrá-lo quanto para condená-lo a ficar longe do Parlamento enquanto for investigado no imbróglio da delação da JBS.

Sem resultado assertivo, a votação teria de ser refeita, um entendimento que não existiu quando a Casa concordou com o afastamento de Delcídio do Amaral (então senador do PT-MS) em 2015.

Ficou parecendo aquele jogo de futebol na vizinhança onde a criança que é dona da bola só aceita o resultado quando lhe é favorável. Para sorte do mineiro, três votos garantiram sua vitória por raspão no primeiro certame.

O motivo para tudo isso veio, novamente, do outro lado da praça dos Três Poderes. A decisão do ministro do Supremo Alexandre de Moraes de manter a exigência para que a sessão não fosse secreta colocou pressão sobre os senadores, temerosos dos efeitos de derrubar o afastamento na opinião pública.

O espírito de corpo, decorrente do fato de tantos outros no Senado correrem o risco de se ver na posição de Aécio em algum momento, foi o que determinou o resultado –muito mais do que o cerne jurídico da discussão.

Esse foi um jogo, contudo, que começou embolado no próprio Supremo, quando o senador foi afastado de forma temporária pelo ministro Edson Fachin, só para ter a decisão monocrática revertida por Marco Aurélio Mello e, por fim, confirmada em decisão da Primeira Turma.

A retirada de um mandato parlamentar foi duramente criticada nos meios políticos e também por especialistas em direito, já que não se tratava de um claro caso de flagrante, por exemplo.

O clima azedou, e insinuações de retaliação por parte dos senadores, facilitando por exemplo processos de impeachment de ministros do STF, emergiram.

Reunião para cá, negociação para lá, o Senado adiou a análise do caso de Aécio até que o STF deliberasse em hipótese sobre a conveniência de submeter suas decisões de punir parlamentares à Casa de origem dos acusados.

O resultado foi o tumultuado julgamento da semana passada, em que um voto turvo da ministra Cármen Lúcia desempatou a questão em favor de o Congresso ter primazia sobre o destino de mandatos. O Supremo agora seguirá dividido em casos de impacto semelhante.

De todo modo, a bola veio redonda para o Senado chutar, mas o risco de Aécio acabar afastado cresceu nos últimos dias –levando às manobras da Mesa para lhe aumentar as chances.

Ao fim, deu certo para o mineiro. Isso não significa que ele sai bem do episódio. Se continuava atuando fortemente nos bastidores mesmo após ser atingido pelas gravações em que pede dinheiro a Joesley Batista, desde o primeiro afastamento sua estatura foi reduzida.

Principal fiador do apoio do PSDB ao governo Temer, Aécio viu o poder que mantinha na estrutura partidária também sob ataque por parte de seu substituto interino na presidência da sigla, o senador Tasso Jereissati (CE), que busca manter o cargo.

Tasso trocou nomes na burocracia e opera para ser escolhido na convenção de dezembro, que vinha se desenhando em favor do governador Marconi Perillo (GO).

Mas já não se fazem Bonifácios como há 200 anos.

Por conta do Bonifácio 

Ruy Castro

deputado Bonifacio Andrada (PSDB-MG)

Expressões populares, você sabe como é. Surgem, vivem décadas de glória e, à medida que seus falantes vão morrendo, entram em desuso e somem da língua. E só não se pode dizer que para sempre porque, um dia, alguém fora do tempo tira uma delas do baú e resolve aplicá-la a uma situação corrente. Foi o que me aconteceu esta semana com a expressão "por conta do Bonifácio".

Mais exatamente, "estar por conta do Bonifácio". Algum leitor saberá hoje o que significa sem ir ao dicionário? E que dicionário será este? O "Aurélio" e o "Houaiss" não a registram. Teria eu imaginado a expressão? Não –porque me lembro de, em criança, ouvir gente à minha volta rindo e dizendo: "Fulano está por conta do Bonifácio!", querendo dizer que Fulano estava tiririca, uma fera, uma arara, com alguma coisa.

Inconformado, continuei a busca e encontrei quem reconhecesse a expressão: o "Dicionário de Expressões Populares da Língua Portuguesa", de João Gomes da Silveira (Martins Fontes, 2010). O verbete é o "Estar por conta": "Estar indignado, furioso, zangado; ficar muito irritado, aborrecido. Estar por conta da vida, estar por conta do Bonifácio, ficar por conta". Vibrei. Calculo que a expressão tenha nascido no tempo de d. Pedro 1º e o Bonifácio em questão, não sei em que contexto, tenha sido José Bonifácio de Andrada e Silva, o patriarca da Independência.

Veio-me à cabeça porque, nesta quarta, a Câmara votará a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, acusado de um ou dois crimes, e Temer ficou por conta do Bonifácio com a divulgação de vídeos em que o delator Lúcio Funaro o deixa mais sujo ainda.

Temer está também por conta do Bonifácio porque sua defesa depende do relatório do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), a seu descarado favor. Mas já não se fazem Bonifácios como há 200 anos.

Em nenhum momento a Lava Jato esteve tão a perigo quanto agora".

O conselho pedagógico da Odebrecht

Elio Gaspari

Marcelo Odebrecht, durante depoimento na CPI da Petrobras


Uma das melhores notícias de 2015 foi a da prisão de Marcelo Odebrecht. Ela coroava a colheita de maganos que se consideravam donos do Brasil e foram mandados para as celas de Curitiba pela Lava Jato.

Uma das boas notícias de 2017 foi o anúncio, pela Odebrecht, da criação de um conselho para educar a cúpula da empresa em questões de ética e sustentabilidade.

Serão dez pessoas, cinco das quais estrangeiras. Um, Jermyn Brooks, presidiu a Transparência Internacional, respeitada ONG de vigilância contra larápios, e membro do conselho ético da Siemens alemã. Lynn Paine é professora da Harvard Business School, com diversos livros publicados, cuidando de boa administração e da moralidade.

Antes da Lava Jato, as empreiteiras achavam que pessoas como Brooks e Payne eram inconvenientes sonhadores, mas vida e a cadeia fizeram com que mudassem de opinião. Dos cinco brasileiros, dois pertencem aos quadros da empresa. Com experiência no setor público, só o ex-ministro Rubens Ricupero que já pertence ao conselho de administração da empreiteira.

Esses conselheiros são pessoas que não colocariam seus nomes na vitrine para que a Odebrecht fizesse apenas um lance de propaganda. A instituição foi concebida com nome em inglês, Global Advisory Council. E vai se chamar Conselho Global da Odebrecht.

Muito farofa e pouca carne, porque o grupo não terá poderes deliberativos. Serão sonhadores convenientes. Seria adequado chamá-lo de conselho pedagógico, o que já é alguma coisa.

A Operação Lava Jato mudou a história do país levando os diretores de grandes empreiteiras a confessar suas malfeitorias. A revisão das normas de conduta das empresas foi inaugurada pela Camargo Corrêa e só o tempo dirá a eficácia dessas iniciativas moralizadoras. Uma coisa é certa, nenhuma delas está fazendo o que fazia.

A Camargo também foi a primeira a criar uma diretoria para cuidar do respeito às leis e à moral. Faltou-lhe sorte, pois escolheu um executivo da Embraer que se viu acusado de pingar propinas na venda de aviões para a República Dominicana.

O processo de regeneração das grandes empreiteiras foi provocado pela ação de uma pequena parte do Poder Judiciário e do Ministério Público. Fora daí, houve um certo apoio da imprensa, e só. Os partidos políticos, as guildas patronais e até mesmo as centrais sindicais ficaram neutros-contra.

A má notícia está no Palácio do Planalto. Por duas vezes a Procuradoria-Geral da República pediu à Câmara licença para processar Michel Temer por corrupção. Dois de seus ministros estão denunciados junto ao Supremo Tribunal Federal. Outros dois estão presos. Um deles, Geddel Vieira Lima, tinha um cafofo onde guardava R$ 51 milhões.

Temer colocou Pedro Parente na presidência da Petrobrás e Paulo Rabello de Castro na presidência do BNDES. São pessoas a quem se entregaria a chave de um cofre mas, olhando-se para primeiro escalão de Temer, não se pode entregar a chave do carro a qualquer ministro.

Enquanto as empreiteiras procuram mostrar que se regeneraram, o procurador Carlos Fernando dos Santos, informa: "O Governo Temer está fazendo, pouco a pouco, o que o Governo Dilma queria, mas não conseguiu: destruir a Lava Jato e toda a esperança que ela representa. (...) Em nenhum momento a Lava Jato esteve tão a perigo quanto agora".

terça-feira, 17 de outubro de 2017

sobre apelos, condenações e chances de defesa.

Em apelo, Aécio pede para não ser condenado pelos pares sem ter a chance de apresentar defesa

POR PAINEL


A última súplica 

“A única coisa que peço é o meu direito de defesa. Permitam que eu apresente a minha defesa. Não posso ser condenado sem ter essa chance.” É com esse discurso que Aécio Neves (PSDB-MG), afastado do mandato pelo Supremo, tentou sensibilizar os poucos colegas do Senado com quem falou nos últimos dias. O tucano tem dito que prefere receber logo o veredicto de seus pares. A Casa pode definir nesta terça (17) se suspende a determinação do STF que o apartou do plenário.

Avalista Consultado por Aécio, Sepúlveda Pertence, ex-presidente do Supremo, chancelou a linha adotada pelo tucano. “Natural que o parlamentar tenha, antes da decisão do Senado, que vale por uma verdadeira condenação, o direito de defender-se.”

Caminho estreito 

Aécio sabe que a situação é extremamente delicada. Não arriscou prognóstico sobre o placar de seu caso aos aliados. Disse apenas que não gostaria de ver a situação se arrastar indefinidamente.

Margem de erro 

Espera-se que cerca de 15 senadores não compareçam à sessão desta terça (17), o que aumentaria a chance de uma derrota do mineiro. Ele precisa de 41 votos. Por isso, há quem defenda que a votação seja transferida para quarta (18).

Novo round 

A competência da Primeira Turma do Supremo para decidir sobre o caso será questionada em plenário. O vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), deve ser o autor.

Dono do mundo 

Portaria publicada no Diário Oficial desta segunda (16) submete todas as nomeações da administração federal ao ministro Eliseu Padilha (Casa Civil).

Dois pesos 

Pessoas próximas a Gustavo Ferraz, o ex-diretor-geral da Defesa Civil de Salvador preso na operação que também levou Geddel Vieira Lima para a cadeia, estranharam o tratamento dispensado pelas autoridades ao assessor de Lúcio Vieira Lima, Job Ribeiro Brandão, que foi alvo de busca e apreensão nesta segunda (16).

Duas medidas 

Ferraz foi preso após a Polícia Federal encontrar suas digitais em sacolas que armazenavam os R$ 51 milhões apreendidos em um bunker de Geddel, na Bahia. Job também teve digitais identificadas pela PF no local, mas não foi alvo de mandado de prisão.

X

O bunker de Geddel

Desleixo A liberação de vídeos sigilosos das delações de Lúcio Funaro e Pedro Corrêa para a Câmara suscitou toda a sorte de teorias da conspiração. Na melhor das hipóteses, o ministro Edson Fachin liberou os documentos no mês passado sem avaliar exatamente o que estava remetendo aos deputados.

Página virada 

Numa demonstração de que a crise foi contornada, o Planalto e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fizeram um acordo para votar nesta terça (17) a urgência do projeto da leniência dos bancos.

Papel timbrado 

Pelo acordo, mesmo que a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara abra sessão para debater a denúncia contra o presidente Michel Temer, os trabalhos serão suspensos para o plenário se dedicar ao texto da leniência, que é patrocinado pelo democrata.

Na mira 

Três dias antes de ser demitido do Ministério do Trabalho, semana passada, André Roston, então chefe da divisão de combate ao trabalho escravo, deixou pronta a chamada lista suja, um cadastro com nomes de 132 empregadores que mantêm funcionários em condição análoga à escravidão.

Na mira 2 

Portaria publicada nesta segunda (16) pelo ministro Ronaldo Nogueira centraliza e dificulta a divulgação da relação.
Visita à Folha Raul Jungmann, ministro da Defesa, visitou a Folha nesta segunda-feira (16), a convite do jornal, onde foi recebido em almoço.

TIROTEIO

Entre o risco de eventual injustiça e a exigência de transparência absoluta, ficaria com esta, que considero aspiração nacional.

DO SENADOR ÁLVARO DIAS (PODE-PR), sobre a nova chefe da PGR, Raquel Dodge, defender que delações fiquem sob sigilo até a aceitação da denúncia.

CONTRAPONTO

Pela harmonia entre os poderes

O senador Dário Berger (PMDB-SC) tentava desesperadamente organizar a fila dos colegas que queriam discursar durante a sessão da Comissão Mista de Orçamento que analisava a revisão da meta fiscal, no dia 29 de agosto, quando começou a ser provocado.

Para cessar a disputa pelos microfones, disse que faria o possível para que todos falassem e passou a palavra a Pedro Fernandes (PTB-MA), que atuou como porta-voz dos deputados:
— Quero fazer um apelo! Converse com o presidente da Congresso, o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), porque o senhor está intolerante com a Câmara!

Há de se agradecer essa grande homenagem histórica que o Brasil vem fazendo com extremo esmero a este cidadão do mundo.

"Eu não queria dizer isso. Pode ferir sensibilidades, desmanchar castelos de areia, coisa e tal. Mas, que se dane. O fato, nu e cru, é que Lula vai sendo canonizado, imortalizado e santificado no altar máximo da glorificação histórica. Nem Che Guevara, nem Fidel Castro, nem Nelson Mandela chegaram perto dessa dimensão.

Gustavo Conde


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E essa consagração é insuspeita: não há maior prêmio nem maior insígnia do que ser perseguido e caçado com este nível de violência pelo aparelhamento judicial e financeiro em uníssono, com o auxílio de toda a imprensa e dos serviços de "inteligência" nacionais e estrangeiros. É o maior reconhecimento de uma vida que teve um sentido maior, léguas de distância do que a maioria de nós poderia sonhar.

Nem todos os títulos honoris causa do mundo juntos equivalem a essa deferência: ser perseguido por gente do sistema, por representantes máximos do capital, da normatização social e da covardia intelectual, gente que pertence ao lado fascista da história.

Não há Prêmio Nobel que possa simbolizar a atuação democrática de Lula no mundo, nem todos os prêmios que Lula de fato ganhou ou recusou (a lista é imensa, uma das maiores do mundo). Porque a honraria mesmo que se desenha é esta em curso: ser o alvo máximo do ódio de classe e o alvo máximo do pânico democrático que tem fobia a voto.

Habitar 24 horas por dia a mente desértica dos inimigos da democracia e povoar quase a totalidade do noticiário político de um país durante 40 anos, dando significado a toda e qualquer movimentação social na direção de mais direitos e mais soberania, acreditem, não é pouco.

Talvez, não haja prêmio maior no mundo porque Lula é, ele mesmo, o prêmio. É ele que todos querem, para o bem ou para o mal. É o líder-fetiche, a rocha que ninguém quebra, o troféu, a origem, a voz inaugural, rouca, que carrega as marcas da história no timbre e na gramática.

Há de se agradecer essa grande homenagem histórica que o Brasil vem fazendo com extremo esmero a este cidadão do mundo. Ele poderia ter sido esquecido, como FHC. Mas, não. Caminha para a eternidade, para o Olimpo, não dos mártires, mas dos homens que lutaram e fizeram valer uma vida em toda a sua dimensão espiritual e humana."


"Jamais poderia acreditar que houvesse uma conspiração para me derrubar", lamuria-se.

Torpezas e vilezas 

Bernardo Mello Franco 


Governo Temer

Na era da comunicação instantânea, Michel Temer se mantém fiel às cartas. Há quase dois anos, ele escreveu uma para informar que não queria mais ser um "vice decorativo". Agora enviou outra para avisar que deseja continuar presidente.

Na primeira correspondência, Temer enumerou suas mágoas com Dilma Rousseff. "É um desabafo que já deveria ter feito há muito tempo", disse. Na segunda, ele repete a ladainha para os congressistas. "É um desabafo. É uma explicação para aqueles que me conhecem", afirma.

Na missiva original, o peemedebista negou ser o chefe de uma "suposta conspiração". "Não é preciso alardear publicamente a necessidade da minha lealdade", escreveu. Agora ele muda de papel e se diz vítima de conspiradores. "Jamais poderia acreditar que houvesse uma conspiração para me derrubar", lamuria-se.

As citações em latim sumiram, mas o tom de lamentação continua. "Sei que a senhora não tem confiança em mim", queixou-se o vice de 2015. "O que me deixa indignado é ser vítima de gente tão inescrupulosa", chia o presidente de 2017.

Na nova carta, Temer faz um uso seletivo do que dizem os presos da Lava Jato. Quando eles o incriminam, repetem "mentiras, falsidades e inverdades". Quando ajudam a sustentar a sua defesa, merecem ser levados ao pé da letra.

O presidente desqualifica o depoimento de Lúcio Funaro, a quem chama de "delinquente conhecido". Ao mesmo tempo, recorre ao testemunho de Eduardo Cunha, que dispensa adjetivos. Os dois estão na cadeia pelos mesmos motivos, mas só o doleiro decidiu delatar os comparsas.

Em outra passagem, Temer se diz vítima de "torpezas e vilezas". Nesta segunda, ele voltou a praticá-las para barganhar apoio na Câmara. O "Diário Oficial" publicou uma portaria que dificulta a fiscalização do trabalho escravo. A medida atende ao lobby da bancada ruralista, que promete votar em peso para enterrar a denúncia contra o presidente.

sobre acusações, violações e manutenções à dignidade.

Promotor acusa Google de 'massivas violações à dignidade de crianças' por manter vídeo do MAM

Mônica Bergamo



O promotor Eduardo Dias, da Infância e Juventude, está propondo uma ação civil pública para responsabilizar o Google por "massivas violações à dignidade de crianças e adolescentes" ao exibir vídeos da menor que foi filmada tocando um homem nu no MAM (Museu de Arte Moderna) de SP.

DAQUI NÃO TIRO

As imagens feitas no museu, sem autorização, foram postadas na internet e incendiaram as redes. Quando a polêmica explodiu, o promotor denunciou os vídeos e pediu que eles fossem removidos, para preservar a criança indevidamente filmada. O Google afirmou que o conteúdo não viola suas diretrizes e disse que eles só seriam removidos por ordem judicial.

BORRACHA

Já o Facebook informou à promotoria que já retirou as imagens do ar.

MAIOR CUIDADO

O promotor abriu também um inquérito para investigar a conduta do MAM. O museu deve ser multado em 20% do faturamento da exposição por não ter tomado cautelas em relação ao uso de celulares no ambiente. E também por não ter explicitado a faixa etária para a qual a performance seria indicada.

SÓ PARA MAIORES

Em resposta a uma consulta do promotor, o Ministério da Justiça afirmou que recomendaria a performance para maiores de 12 anos. O órgão, no entanto, não classifica exposições de arte.

TORCIDA

Os adversários do prefeito João Doria vislumbram um segundo momento em que ele pode ter a popularidade ainda mais arranhada: o primeiro trimestre de 2018, caso reajuste a tarifa dos transportes públicos de SP.

TORCIDA 2

Já os aliados lembram que ele terá alívio em 2018 ao começar a receber o ISS sobre gastos de cartão de crédito, que agora será cobrado na cidade em que as compras são feitas. A previsão de arrecadação é de R$ 1 bi.
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Show de Paul McCartney no Allianz Parque

HIT ATRÁS DE HIT

Paul McCartney fez show da turnê "One on One" no Allianz Parque no domingo (15). Compareceram à apresentação os casais Olavo Setubal Jr. e Nádia Setubal, Belarmino Iglesias Filho e Ana Lúcia Iglesias, Fernando e Ana Estela Haddad, Rogério e Simone Dezembro e Walter e Silvia Torre. O vice-presidente de comunicação do Santander, Marcos Madureira, e o jornalista Reginaldo Leme também passaram por lá.
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BODAS

O casamento do empresário israelense Guy Oseary com a top brasileira Michelle Alves terá festa na casa de Luciano Huck e Angélica, no Rio, no dia 24 de outubro. Na lista de convidados estão confirmados nomes como Madonna, Bono e os demais integrantes do U2. A cerimônia cristã e judaica, com a presença de um padre e de um rabino, será no Corcovado antes da festa. O casal vive junto desde 2006 e tem quatro filhos.

DO LADO

E os integrantes do U2 assistiram ao show de Paul McCartney em São Paulo, no domingo (15), de cima do palco da arena Allianz Parque. Noel Gallagher, ex-Oasis, estava com eles.

DO LADO 2

Bono e o guitarrista The Edge estão hospedados no hotel Palácio Tangará, mesmo local escolhido pelo ex-beatle. Já o baixista Adam Clayton e o baterista Larry Mullen Jr ficaram no Fasano.

SE ESSA RUA...

A Prefeitura Regional da Sé estuda trocar o pavimento das calçadas do centro cobertas por pedras portuguesas. Uma das ideias é usar concreto, como na av. Paulista. "Temos conversado com urbanistas, mas precisamos ver o que é possível", diz o subprefeito Eduardo Odloak.

... FOSSE MINHA

A regional abriu licitação para a compra de 150 toneladas de pedras portuguesas para a manutenção de calçadas. De acordo com Odloak, da Sé à República são 600 mil m² de passeios públicos revestidos com o material.

VERDE E AMARELO

O Conpresp, órgão municipal de patrimônio, decidiu na segunda (16) enviar uma notificação à prefeitura regional de Pinheiros pedindo a regularização de 23 bandeiras nacionais instaladas em agosto em mastros ao longo da avenida Brasil. Por estarem em área tombada, elas deveriam ter passado por aprovação do conselho, o que não ocorreu.

VERDE 2

O órgão pedirá o envio dos projetos da intervenção para avaliar a conformidade com as normas de tombamento e solicitar eventuais alterações. O prefeito regional de Pinheiros, Paulo Mathias, afirmou que a administração só se manifestará depois de receber a notificação.

CURTO-CIRCUITO

Luiz Roberto Oliveira e Denise Mello apresentam a palestra musicada "Bossa Nova: A História e o Ambiente", na quinta (19). Às 20h30, no núcleo Music Center.

Cristiane Correia lança nesta terça (17) o livro "Vicente Falconi -O que Importa É Resultado". Às 19h, na Livraria Cultura do shopping Iguatemi.

renasce o ccc

Minha demissão do banco dos Brics foi politicagem, diz Paulo Nogueira

MARIANA CARNEIRO


Vice-presidente do banco, Paulo Nogueira Batista, diz que NDB irá abrir-se a todas as nações da ONU

Demitido na semana passada do NBD (Novo Banco de Desenvolvimento), o banco dos Brics, Paulo Nogueira Batista Jr., 62, se diz vítima de "politicagem".

Em entrevista por e-mail à Folha, como solicitado pelo entrevistado, o economista afirma que limitou-se "a comentar o processo de impeachment", sem fazer críticas ou elogios à ex-presidente Dilma Rousseff (que foi quem o indicou ao cargo) ou ao sucessor, Michel Temer.

Batista Jr. foi desligado da vice-presidência do banco após um processo interno concluir que ele quebrou as normas ao escrever artigos críticos à política interna do Brasil. Além disso, ele foi acusado de assédio moral por um funcionário brasileiro.

Em artigo de abril do ano passado, o economista escreveu que "impeachment sem configuração de crime de responsabilidade ou de crime comum é golpe".

"Os defensores do impeachment não estão invocando crime comum. É preciso verificar, então, se têm base as alegações de crime de responsabilidade", afirmou.

Em julho deste ano criticou a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo juiz Sérgio Moro. "O juiz bateu recordes de desfaçatez", escreveu.

Segundo Batista Jr., as investigações foram "enviesadas e viciadas, atropelando procedimentos".

"Por trás de toda história, estava a tentativa de encontrar meios de me acusar de quebra do código de conduta para permitir meu afastamento. Politicagem."

Procurado, o Ministério da Fazenda informou que não iria comentar. Já o Banco Central afirmou, em nota, que se "trata de assunto interno" do banco dos Brics.

"A demissão foi aprovada pela diretoria da instituição, que é autônoma, e referendada por unanimidade pelos membros do conselho."
*
Folha - Acha que foi injustiçado?

Paulo Nogueira Batista Jr - A demissão foi injusta e irregular. Por motivos não inteiramente claros —não quero fazer conjeturas—, alguns integrantes do governo brasileiro, especificamente o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, e um assessor do ministro [Henrique] Meirelles, Marcello Estevão, decidiram encontrar formas de me afastar e pressionaram o presidente do NBD, KV Kamath, que não se destaca pela firmeza ou coragem, a iniciar investigações contra mim. Eu tinha mandato e contrato. Só poderia ser afastado, se rompesse o meu contrato.

Como não havia base ou motivo para argumentar que eu havia desrespeitado o contrato ou o código de conduta, o banco acabou dando um mergulho na arbitrariedade. As investigações foram conduzidas de forma enviesada e viciada, atropelando procedimentos e desrespeitando o vice-presidente brasileiro.

O argumento do NBD é que o sr. desrespeitou normas de conduta do banco ao fazer críticas à política do Brasil.

Não fiz críticas à política interna do Brasil. Nos artigos que publiquei jamais fiz qualquer crítica ao governo Temer ou ao governo Dilma, tampouco fiz elogios. Isso porque uma das obrigações estabelecidas pelo código de conduta do NBD é manter a neutralidade política.

Escrevi poucos artigos sobre a situação política e econômica do Brasil nesses dois anos em que estive na China.

Em um dos artigos que foram considerados impróprios comentei o processo de impeachment então em curso, limitando-me a discorrer sobre os requisitos constitucionais para o impeachment.

O sr. foi indicado pelo Brasil ao NBD. Mesmo sem a missão de ser o representante brasileiro no banco, não excedeu seu mandato ao criticar o chefe do Estado que representa?

Desafiei o advogado que havia sido contratado pelo NBD para investigar os meus artigos —e que me acusava de parcialidade política— a mostrar um exemplo de crítica ao governo Temer ou elogio ao governo anterior. Ele ficou sem resposta.

Cogitou entregar o cargo após o impeachment?

Não. Eu estava muito empenhado no projeto do banco, trabalhando de 9h às 21h todo os dias.

O NBD é uma instituição potencialmente muito importante, pois poderá ser em quatro ou cinco anos um dos maiores bancos multilaterais do mundo, com capital que pode chegar a US$ 13 bilhões se entrarem novos membros. O Banco Mundial tem US$ 16 bilhões em capital.

Não se deve perder de vista que o NBD é a primeira instituição financeira multilateral, de alcance global, desde Bretton Woods, quando foram criados o FMI e o Banco Mundial. As que foram criadas depois são de âmbito regional ou sub-regional.

Meu envolvimento com o projeto é anterior à criação da instituição, já na fase de negociação do banco e do fundo monetário dos Brics. Participei do processo de cooperação dos Brics desde o início, em 2008. Era um investimento pessoal grande, não tinha por que renunciar.

Quando esteve no FMI, sua opinião provocou controvérsia quando criticou o pacote de austeridade grego.

Eu não tenho receio de ficar isolado. Em certos momentos, eu fui o único dos 24 diretores-executivos do FMI que discordou do programa de austeridade grego —que era um massacre para a Grécia. Acredito que o tempo deu razão aos que, como eu, criticaram desde o começo.

Chegou a tecer opiniões críticas aos demais membros do NBD? A política econômica chinesa desagrada o setor produtivo brasileiro.

Não fiz críticas a outros países-membros. Nos meus dois anos e pouco na China, a minha admiração pelo país só fez crescer. É um país que tem coesão e rumo —coisas que fazem falta ao Brasil. A China é a grande âncora do NBD. Se o banco fracassar, não será por falta de apoio do país hospedeiro.

O sr. é acusado de assédio moral por funcionários.

Eu recomendei a demissão de um funcionário brasileiro que tinha desempenho muito fraco. Ele foi instado a prestar uma queixa de assédio moral e retaliação. A queixa não tinha base, mas serviu para sustar a demissão dele.

A acusação decorre de divergências na indicação de um funcionário. A equipe técnica discordou de seu parecer.

Havia um painel de entrevista para selecionar um profissional para a área de estratégia. O funcionário brasileiro cuja demissão recomendei discordou da minha preferência para a escolha.

Passaram a alegar que eu havia recomendado a sua demissão por mera retaliação. Mas o problema real era o desempenho pífio daquele funcionário.

Por trás de toda essa história, estava a tentativa de encontrar meios de me acusar de quebra do código de conduta para permitir o meu afastamento. Politicagem, em resumo.

O sr. também acusa o presidente do NBD de assédio, poderia relatar o que ocorreu?

Não foi acusação por assédio, foi por quebra da neutralidade política. Estavam me acusando de quebrar a neutralidade política em alguns artigos. Ao me defender dessa acusação, eu mostrei que o presidente do banco, que é indiano, tinha claramente quebrado o código de conduta em entrevistas à imprensa da Índia. Chegou a declarar-se um devoto seguidor do primeiro-ministro. Eu perguntei, com ironia, isso é manter neutralidade política?

Vai tentar algum tipo de recurso para receber uma indenização do banco devido ao seu desligamento antecipado?

Não sei se tenho essa possibilidade. Voltarei ao Brasil.