Almanaqueiras: ou não queiras.

Almanaqueiras: ou não queiras.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Lula virou um elefante na sala.

Lula, um elefante na sala 

Bernardo Mello Franco



Agora começou para valer. O debate da Bandeirantes deu a largada na corrida dos presidenciáveis. Até outubro, a eleição dominará conversas nas casas, nas ruas e na internet. É bom que seja assim. Quem não gosta de política está condenado a ser governado por quem gosta. E por quem gosta mais ainda de dinheiro, como mostra a experiência brasileira.

No primeiro encontro na TV, o eleitor foi apresentado a oito aspirantes ao Planalto. Faltou o nono, que lidera as pesquisas, mas deve ser barrado pela Justiça Eleitoral. Preso numa cela de 15 metros quadrados, Lula virou um elefante na sala. A maioria dos rivais finge não notá-lo, mas todos sabem que ele será assunto obrigatório na disputa.

Na quinta-feira, só dois candidatos citaram o ex-presidente. O franco-atirador do PSOL, Guilherme Boulos, usou sua fala de abertura para defendê-lo. “Boa noite ao ex-presidente Lula, que deveria estar aqui, mas está preso injustamente em Curitiba, enquanto Temer está solto lá em Brasília”, disparou.

O governista Henrique Meirelles, do MDB, mencionou o petista duas vezes. Lembrou que ele o escolheu para comandar o Banco Central, mas não disse nada sobre a Lava-Jato. Os outros seis presidenciáveis acharam melhor ignorar o homem. Nem Jair Bolsonaro (PSL), que se projetou na onda antipetista, ousou citar o ex-presidente.

Foi um esquecimento calculado. Falar mal de Lula virou mau negócio, pelo menos no primeiro turno. Com 30% das intenções de voto, o ex-presidente ainda é o maior cabo eleitoral do país. Engana-se quem pensa que sua força se deva só ao carisma. A memória positiva de seu governo, marcado por crescimento e distribuição de renda, é o que o sustenta no topo das pesquisas.

Se o petista pudesse concorrer, sua presença no segundo turno seria certa. Como o TSE deve barrá-lo, a disputa pelas duas vagas continua aberta. Ninguém pode dar as costas aos milhões de eleitores do ex-presidente. Nem Bolsonaro, que hoje herdaria uma fração de seu espólio.

Neste momento, a grande pergunta da eleição é a seguinte: para onde vão os votos de Lula? Nas últimas duas disputas, ele conseguiu transferi-los para Dilma Rousseff. Agora a tarefa será mais complicada, e não só porque o ex-presidente está preso. A campanha mais curta, e com menos dinheiro disponível, também deve dificultar a operação.

Na Band, ficou claro que a tática de insistir num candidato fantasma pode virar uma armadilha para o PT. Se ninguém lembrar a existência de Lula, o eleitor se ocupará com outra coisa. No dia seguinte, a pregação exótica do Cabo Daciolo foi mais comentada que a ausência do ex-presidente.

Quando Fernando Haddad for oficializado candidato, o elefante deve voltar para o centro da eleição. Ao que tudo indica, o debate fez os petistas caírem na real. Na sexta-feira, o partido informou que o ex-prefeito recebeu carta branca para viajar o país e falar em nome do padrinho.

Lula na urna em 7 de outubro

Só uma violência jurídica pode impedir candidatura

Gleisi Hoffmann 


Milhares de pessoas estão mobilizadas para o ato de registro da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, nesta quarta-feira (15), em Brasília. Muitos duvidaram que chegaríamos com o candidato do povo a essa data do calendário eleitoral. Pois chegamos e iremos além: até 7 de outubro, com o nome de Lula na urna eletrônica.

Chegamos mais fortes do que desejavam os adversários. Construímos uma coligação com o PC do B e com o Pros, fizemos uma aliança com o PSB que libera importantes setores do partido para apoiar Lula, teremos apoio de governadores de outros partidos e, o mais importante: a maioria da população.

Lula não ficará sem voz enquanto permanecer injustamente preso. Registramos como vice na chapa o ex-prefeito e ex-ministro Fernando Haddad, para representá-lo nesta fase da campanha. E, quando concluirmos com êxito os trâmites do registro, a ex-deputada Manuela D'Ávila será a vice de Lula.

Temos todas as razões para seguir defendendo o direito de Lula ser candidato e o direito de o povo brasileiro votar livremente, apesar dos abusos, arbitrariedades e armadilhas jurídicas que enfrentamos. Abusos confessados com desfaçatez, no último fim de semana, em entrevista do diretor da Polícia Federal ao jornal O Estado de S. Paulo.

Lula foi condenado pelas manchetes antes mesmo da ação penal. Foi processado por um juiz parcial, Sergio Moro, que nem sequer tinha jurisdição sobre o caso. Foi condenado sem provas, por "atos indeterminados", o que não existe no direito. Sua pena foi aumentada, num julgamento combinado no TRF-4, na conta exata para evitar a prescrição do crime. Foi preso ao arrepio da lei, atropelando prazos.

A cada ação contra o ex-presidente, a grande mídia alardeou o fim de sua candidatura e até de sua liderança política. Mas o que se viu nas pesquisas foi o crescimento sistemático do candidato, que representa a esperança de superação da profunda crise a que o país foi levado pelo governo de Temer e do PSDB. Tudo ao contrário do que previam.

O país percebeu que Lula não foi preso para expiar crimes que jamais cometeu, mas para impedir que o povo o eleja mais uma vez. Não esperem que sancionemos essa violência, abrindo mão da candidatura que não pertence mais ao PT: é do povo.

Votar em Lula é a reação do povo aos que mentiram —partidos e lideranças, analistas de mercado, comentaristas do Grupo Globo—, dizendo que tudo ia melhorar quando o PT fosse apeado do poder. Aconteceu o oposto: o país andou para trás, a economia parou, a fome voltou, direitos foram retirados, a soberania nacional foi entregue.

É por isso —e por trazer bem viva a memória das conquistas alcançadas nos governos do PT— que o Brasil confia em Lula para conduzir o país de volta ao desenvolvimento com inclusão. Nenhuma outra liderança encarna tão fortemente a possibilidade real de superar a crise econômica, social e política. De dar prioridade aos trabalhadores e aos mais pobres. E não se enganem os senhores da fortuna e do poder: só ele pode conduzir o país de volta à estabilidade perdida.

Ao registrarmos o companheiro Lula, oferecemos ao país uma saída pacífica e legítima. Os precedentes da Justiça Eleitoral confirmam a legitimidade da postulação. Por que não valeriam para Lula? Só por uma violência jurídica. Se negarem esse caminho à nação, estarão assumindo as responsabilidades e consequências por fraudar a soberania do voto.

As forças democráticas muitas vezes foram capazes de derrotar o arbítrio, até mesmo em eleições manipuladas. O PT não fugirá do compromisso com o povo. Lula é quem representa esse compromisso. Ele estará na urna em 7 de outubro.

Gleisi Hoffmann
Presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores e senadora (PT-PR)

editorial publicado hoje pelo estadão

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tomando partido pelos quatro cantos. em rondônia vamos de Luciana Oliveira, nossa deputada estadual.

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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

é

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a timidez é minha morada

Timidez 

 Luis Fernando Verissimo

Tente se convencer que você não é o alvo de todos os olhares


Sou um tímido veterano e posso dar conselhos aos que estão recém-descobrindo o martírio de enfrentar esse terror, os outros, e a obrigação de se fazer ouvir, ter amigos, namorar, procriar e, enfim, viver, quando preferia ficar quieto em casa. Ou, de preferência, no útero.

*

Algumas coisas não funcionam. Já tentei várias maneiras de conviver com minha timidez e nenhuma deu certo. Decorar frases, por exemplo. Já fui com uma frase pronta para impressionar a menina e na hora saiu “Teus verdes são como dois olhos, lagoa”. Também resista à tentação de assumir um ar superior e dar a impressão de que você não é tímido, é misterioso.

*

Eu sou do tempo em que se usava chaveiro com correntinha (além de tope e topete, tope de gravata enorme e topete duro de Gumex ) e ficava girando a correntinha no dedo, enquanto examinava as garotas na saída das matinês (eu sou do tempo das saídas de matinês). Um dia uma garota veio falar comigo, ou ver de perto o que mantinha meu topete em pé, foi atingida pela hélice da correntinha e saiu furiosa. Melhor, porque eu não tinha nenhuma fala pronta, o que dirá misteriosa, que correspondesse à pose.

*

Evite manobras calhordas, como identificar alguém tão tímido quanto você no grupo e quando, por sacanagem, lhe passarem a palavra, passar a palavra imediatamente para ele. O mínimo que um tímido espera de outro é solidariedade. E não há momento mais temido na vida de um tímido do que quando lhe passam a palavra.

*

Tente se convencer que você não é o alvo de todos os olhares e de todas as expectativas de vexame quando entra em qualquer recinto. Porque, no fundo, a timidez é uma forma extrema de vaidade, pois é a certeza de que, onde o tímido estiver, ele é o centro das atenções, o que torna quase inevitável que errará a cadeira e sentará no chão, ou no colo da anfitriã. Convença-se, o mundo não está só esperando para ver qual é a próxima que você vai aprontar. E mire-se no meu exemplo. Depois que aposentei a correntinha e (suspiro) perdi o topete, namorei, casei, procriei, fiz amigos, vivi e hoje até faço palestras, ou coisas parecidas.

*

Mesmo com o secreto e permanente desejo, é verdade, de não estar ali, mas quieto em casa.

atraso intelectual na formação dos oficiais brasileiros

Fala de general sobre raças reflete atraso de formação 

Vinicius Mota 

Pesquisas mostram relação entre opções do passado e desempenho atual das nações




Ninguém que esteve na escola pública durante a ditadura se espantou com a fala do general Hamilton Mourão, candidato a vice de Jair Bolsonaro, sobre a herança sociorracial do brasileiro.

Essa era uma das marcas do atraso intelectual na formação dos oficiais brasileiros, que até 1985 se disseminava para fatias mais extensas da população pelo fato de eles terem comandado o poder de Estado.

O racialismo é a ideia de que contrastes sutis na biologia dos povos determinam diferenças fundamentais no seu comportamento social. Teve seu apogeu entre o final do século 19 e a década de 1930, ajudou a produzir barbaridades como o extermínio em massa de judeus sob o nazismo e declinou desde então.

Se o substrato genético não é capaz de explicar as diferenças brutais no desenvolvimento civilizacional das comunidades humanas, o que as determinaria? A geografia? Traços culturais, como a religião? Ou organizacionais, como as instituições?

Há muita pesquisa de bom nível tentando responder a essa indagação com técnica. Parece haver correlação positiva entre diversidade étnica e corrupção, embora não se possa dizer que uma cause a outra.

Outra interessante associação detectada dá-se entre a prevalência de alta mortalidade em parte das colônias europeias no passado, de um lado, e a persistência de regimes oligárquicos e pouco dinâmicos nessas regiões até hoje, do outro.

Nos Andes, a região delimitada pela coroa espanhola no século 16 para a exploração semiescrava do trabalho indígena na mineração, em torno de Potosí (atual Bolívia), até hoje apresenta nível de desenvolvimento humano e econômico inferior ao de sua vizinhança imediata.

No Brasil, pesquisadores usam o marco arbitrário da fronteira entre os impérios espanhol e português, fixada no Tratado de Tordesilhas, para relacionar alta exploração do trabalho escravo no passado a desigualdade elevada de renda hoje.

Vinicius Mota
Secretário de Redação da Folha, foi editor de Opinião. É mestre em sociologia pela USP.

Que vergonha. Por que será que quando vemos alguma pessoa famosa na rua ficamos olhando?

Evaristo de Macedo

Daniel Furlan 


Por que será que quando vemos alguma pessoa famosa na rua ficamos olhando?


Uma vez eu vi o Evaristo de Macedo sentado num banco na rua. Sim, o ex-jogador dos anos 1950 e 60, do Flamengo, do Barcelona e do Real Madrid. Mas, naturalmente, o reconheci de sua fase mais senhoril, como ex-técnico do Flamengo e de outros times menores como a seleção brasileira dos anos 1980. Ele parecia já ter já quase 80 anos.

Me emocionei. E ele não estava fazendo nada, só sentado. Sem conversar, sem fazer carinho em pombo, sem compartilhar notícia falsa em rede social. E olha que é difícil realmente não fazer nada. Elegantemente, num primeiro momento, virei a cara.

Mas não resisti e olhei de novo. Ele provavelmente percebeu que eu estava olhando. Merda. Que situação chata. Disfarcei, olhei em outra direção, mas uma força me puxava de volta. Queria resistir, queria não ficar olhando. Que vergonha. Tentei olhar de novo só rapidinho, ele já devia até ter ido embora.

Não. Não só não tinha ido embora como agora estava olhando fixamente na minha direção. Ele havia percebido. E agora estávamos nos olhando nos olhos, sem disfarces. Esse olhar… Esse doce olhar… Foi aí que bateu: o Evaristo de Macedo em pessoa sentadinho num banco de praça!

“Gente, olha lá o Evaristo de Macedo sentadinho!”, deixei escapar para um qualquer do meu lado, que me ignorou e voltou a fingir que não estava fazendo nada, quando na verdade estava fazendo alguma coisa. Não importa. Agora, para mim, só existiam Evaristo e eu. Definitivamente ele percebeu.

Que vergonha. Por que será que quando vemos alguma pessoa famosa na rua ficamos olhando? Já me disseram que é como ver um monumento, como a torre Eiffel. Você pode até não admirar a arquitetura, mas não tem como não ficar olhando. Uma vez eu vi o Marcelo Serrado e não fiquei olhando. Não que eu esteja comparando o Marcelo Serrado com a torre Eiffel. São propostas diferentes.

Agora não havia mais escolha. Eu tinha que atravessar a rua e ir até lá. Ele poderia até achar bom, não é todo mundo que consegue reconhecer o Evaristo de Macedo hoje em dia. Estamos trocando olhares não sensuais já há algum tempo. Chega. Tomei coragem. Fui falar com ele. Atravessei, cheguei perto, me agachei ao seu lado e olhei dentro de seus olhos, ele me olhou de volta.
Não era o Evaristo de Macedo. Era só um velho.

Daniel Furlan
Ator, comediante e roteirista, é um dos criadores da TV Quase, que exibe na internet o programa "Choque de Cultura".

Um dos maiores especialistas em combate à corrupção do país

Pioneiro no jornalismo de dados, Cláudio Weber Abramo morre aos 72, em São Paulo
Fundador da Transparência Brasil e da Dados.Org, era especialista em combate à corrupção


Um dos maiores especialistas em combate à corrupção do país, o jornalista paulistano Cláudio Weber Abramo morreu na noite deste domingo (12) aos 72 anos em São Paulo.

Internado no Hospital Samaritano, ele não resistiu a complicações do tratamento de um câncer no intestino.

Formado em matemática pela USP, mestre em lógica e filosofia da ciência pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Abramo cofundou em 2000 e comandou por quase 15 anos a Transparência Brasil.

Entre os projetos da Transparência, o Excelências, banco de dados sobre o histórico da vida pública de parlamentares, ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo em 2006.

Abramo foi pioneiro no jornalismo de dados com o projeto Às Claras, plataforma que organizava e disponibilizava gastos das eleições.

Sua atuação foi fundamental para a aprovação da Lei de Acesso à Informação, com a pressão feita pela Transparência Brasil e a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) para que o projeto fosse sancionado.

Com espírito crítico e questionador, instigava jornalistas a perseguirem a informação sem se conformarem com as burocracias impostas pelo poder público.

Mesmo tratando o câncer, Abramo se manteve em atividade. Em artigo publicado pela Folha no dia 20 de julho, tratou dos riscos de a lei de proteção de dados pessoais dificultar o acesso à informação e ampliar arbitrariedades.

Abramo foi editor de economia da Folha (1987) e secretário-executivo de Redação da Gazeta Mercantil (1987-88). Contribuiu com outras publicações como o jornal Valor Econômico.

Em 2017, cofundou a Dados.Org, organização dedicada à coleta, organização e disseminação de informações provenientes do poder público.

Abramo era filho de Cláudio Abramo, um dos mais importantes jornalistas de sua geração, que dirigiu a Folha e o Estado de S.Paulo.

Sua mãe, Hilde Weber, foi a primeira chargista mulher da imprensa brasileira, cuja obra o filho vinha trabalhando para organizar em um acervo com acesso do público.

Abramo deixa quatro filhos, Luis Raul e João Baptista, do casamento com Sílvia Pompeia, Lucas e Caio, do casamento com Maria Augusta Fonseca, e a enteada Isabel, do casamento com Cristina Penz.

Tinha seis netos, Tomás Antônio, João Pedro, Guilherme, Manuela, Maria Luísa e Mariana.

Abramo será velado na Funeral House, na rua São Carlos do Pinhal, 376, e cremado nesta segunda-feira (13) no crematório da Vila Alpina, a partir das 14h30.

s/c

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sábado, 11 de agosto de 2018

Fico imaginando, lembrando da encenação luxuosa com que tomaram o poder como se fossem os reis da cocada preta,

A CADEIA
A prisão de LULA é uma incongruência tão óbvia, que chega a ser cômica se não fosse trágica. A cada momento que ela permanece mais cresce a certeza de uma armação em torno do temor originado pelos criadores desse golpe escroto, que a cada momento que passa, mais esfacela esta nação, de cuja deterioração exala um odor podre de norte a sul do país. Eles sabem que cometeram uma asneira e a cada momento que passa mais deixam evidente o propósito de eliminar o LULA como concorrente nas próximas eleições. Fico imaginando, lembrando da encenação luxuosa com que tomaram o poder como se fossem os reis da cocada preta, como seria sua saída pelas portas dos fundos com uma mão atrás outra na frente, ao abrir ala para o retorno de um verdadeiro presidente. São tão canastrões, que não se dão conta de que estão dando a maior bandeira, depois de sucatear a nação, nesta encenação de um teatro de quinta categoria aos nossos olhos. Tragicômico este espetáculo dos golpistas, sem o menor talento para encenar a peça de “Como governar uma nação”. Acho que o povo deveria cobrar a um por um as cagadas que eles aprontaram e aí sim mandar para a CADEIA essa cambada de ladrões.

SRJoão.

Dieguito daria um ótimo Ministro dos Esportes da URSAL.

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somos considerados um estorvo

Uma garota de 90 anos 

Zuenir Ventura

A artista plástica Thereza Miranda desmente o estereótipo do idoso como empecilho

Zuenir Ventura Foto: O Globo


Alguns dirão que se trata de uma coluna em causa própria — a dos velhos. Pode ser. Afinal, o tema está na moda. No próximo dia 21, haverá aqui no jornal o seminário “Envelhecimento além das rugas”, com a participação de uma dezena de conhecedores do assunto. Na semana passada, houve aquele anúncio em tom de calamidade de que o Brasil está envelhecendo rapidamente e daqui a 13 anos seremos maioria (“seremos” é mania de grandeza, pois em 2031 eu não serei e, sim, seria um ancião de quase 100 anos).

Melhor dizendo então: a população de velhos vai superar a de crianças e adolescentes, retardando o desenvolvimento do país, que disporá de um número de aposentados superior ao de jovens no mercado de trabalho. Diante disso, já que somos considerados um estorvo, tenho o prazer de apresentar-lhes uma personagem que desmente o estereótipo do idoso como empecilho. É um exemplo edificante. Trata-se da desenhista, pintora e gravadora Thereza Miranda, uma de nossas mais premiadas artistas plásticas, que acaba de comemorar seus 90 anos com uma exposição na companhia do grafiteiro Bruno Big, um discípulo com a metade da idade dela.

Parecia um teste de popularidade. Foram quatro horas de entra e sai de umas 300 pessoas de várias idades, com destaque para os jovens. Professora da PUC há 44 anos, ela deveria ter-se jubilado em 1974, mas um abaixo-assinado com mais de mil adesões não permitiu, “obrigando-a” a prosseguir com suas aulas de gravura — metal e xilo — no Departamento de Artes e Design às sextas-feiras, das 7h às 13h.

Nos outros dias, ela segue acordando cedo, mas para as caminhadas diárias de cinco quilômetros no calçadão de Ipanema. À noite, costuma ir ao cinema ou ao teatro, que frequenta desde jovem, quando era assídua do Tablado, de Maria Clara Machado. Tudo isso quando não há jogo do Botafogo, “o meu Fogão”, uma de suas paixões. Nesses casos, vamos encontrá-la sem falta no Estádio Nilton Santos com seu filho e os netos. A rotina anual é desfilar pela Mangueira, como faz há 20 anos.

Mas do que Thereza gosta mesmo é cultivar as amizades. “Elas são tudo na vida.” Uma delas não estava no vernissage e a inesperada ausência teve que ser justificada. É que Fernanda Montenegro, companheira de programas, se encontrava em São Paulo a trabalho, mas no domingo anterior ajudou a organizar um almoço surpresa para a aniversariante.

Um dos mistérios de Thereza é sua ubiquidade, a capacidade de estar em vários lugares ao mesmo tempo. Há dias, participou de um jantar de aniversário. Duas horas depois, às 23h, pediu licença para sair mais cedo: tinha outro compromisso.

Ela mantém sua boa forma comendo pouco, mas por amizade é capaz até de jantar duas vezes.

essa turminha não perde por esperar.

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hehehe

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pra mudar o mundo, seja apenas você. amorosamente.

"partiu errejota arcos da lapa 
festival lula livre 17H
e después festival de inverno 
em bragança paulista 22H 
vâmo que vâmo num pára naum 💘"
  Ana Cañas

eu sofri muito bullying na escola. 

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xs coleguinhas se juntavam, me agarravam e me jogavam na lata de lixo. 
também tinha fama de sapatão sem nunca ter beijado na boca na vida.
eu defendia um menino da minha sala que era um gênio - tirava 10 em todas as matérias e tinha um dos corações mais puros que já vi. 
ele tinha algumas deficiências físicas e, às vezes, assoava o nariz na camiseta.
muitas vezes, por defendê-lo, tomava porrada dos meninos que o desprezavam.
no colegial, tinha uma garota da minha sala que todo dia escrevia na minha carteira “hoje você vai morrer”.
passei anos fugindo dela, com medo. 
no último dia de aula, ela apareceu pra dizer que >> me admirava (!!)
sem contar o time de futebol masculino que me dava umas bicas zoadas nas costas só para que eu, a única menina, saísse do jogo deles.
é gente. 
o ser humano é complexo. 
muy complexo.
e desde pequenininha eu já entendia isso.
quando a gente se deixa levar pelos grupos, faz coisas que nem deseja.
eu vi muita gente praticar bullying sem querer fazer aquilo. 
vi também os perversos, que faziam porque adoravam. 
tem de tudo. 
como na vida. 
cansada daquilo, inventei aos 13 anos um grupo de teatro. 
na escola em que estudei, “arte” significava colar macarrão na folha sulfite. 
por isso, teatro foi mesmo uma revolução. 
a peça que a gente fez deu tão certo que, no ano seguinte, a direção da escola derrubou a feira de ciências para instituir um festival de teatro. 
o que se viu foram 15 grupos independentes fazendo teatro naquele ano. 
foi incrível e uma prova cabal de que a pequena semente da luz brota sempre. 
hoje, adulta, gosto de pensar que aquele bullying todo era um jeito das crianças te machucarem porque elas desejam apagar a sua luz ou fazer parte dela! 
eu olho para trás e agradeço pois entendo que isso me fortaleceu. 
na época, sofri bagaray. 
mas entendi muito da vida adulta ali. 
e continuo acreditando que o amor sempre vence. 
nunca devolvi nenhuma porrada ou xingamento.
eu só levantei a cabeça e fiz a minha (p)arte, com amor. 
e continuo acreditando nisso. 
pra mudar o mundo, seja apenas você.
amorosamente. ❤️

Estamos vivendo incrivelmente um momento onde os idiotas, desinformados, mal intencionados, ignorantes, puritanas neofeministas, preconceituosos...


CHICO BUARQUE É GÊNIO E GÊNIO SE RESPEITA.

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(foto: Rodrigo Paredes - Chico e eu trabalhando - RJ - Brasil)

Simples assim! 
Estamos vivendo incrivelmente um momento onde os idiotas, desinformados, mal intencionados, ignorantes, puritanas neofeministas, preconceituosos, arregaçaram as mangas e começaram despudoradamente colocar suas observações como arautos medievais.

Chico Buarque é um dos poucos gênios vivos da nossa Cultura, de nosso país e é necessário respeito por uma obra das mais relevantes e respeitadas no mundo. A falta de estudo, educação e cidadania que temos no Brasil faz brotar, proliferar a cada dia a burrice em nossa sociedade, o empobrecimento cultural e assim, estamos vendo esses infelizes discursar as mais absurdas barbáries pululando em colocações estarrecedoras. Vão ler Simone de Beauvoir, Sartre, Platão, Sócrates, Machado de Assis, Guimarães Rosa, entre outros como Michel Foucault e suas teorias acerca da relação entre poder e conhecimento, e como estes são usados para o controle social através das instituições, enfim, EDUCAÇÃO E CULTURA é que transforma um povo e uma sociedade e faz com que o ser humano seja mais harmonioso, tolerante, equilibrado e prolífero em atitudes, cidadania, pensamentos nobres e inteligentes.

Chico Buarque é um patrimônio nacional e cultural que temos que nos orgulhar!

E se Tancredo tivesse subido a rampa?


Ele teria mais legitimidade para mudar o País, romper com o passado, propor o novo

Marcelo Rubens Paiva - O Estado de S.Paulo


É difícil explicar o ano de 1985 para quem não o viveu. A esperança era unanimidade. Confiávamos em políticos, na nova política e democracia que construíamos, depois de 21 anos de ditadura.

Acreditávamos que, então, as injustiças sociais seriam combatidas, a economia entraria nos eixos, a liberdade reinaria sobre nós. Com debate, respeitaríamos as diferenças, entenderíamos os conflitos, buscaríamos uma síntese, a solução.

Uma nova Constituição seria costurada democraticamente e resolveria os problemas do País: verbas justas à educação e saúde, direitos individuais, respeito à natureza, reservas indígenas, geraria riqueza, organizaria tributos, política, infraestrutura, Judiciário, polícias, acabaria com a violência urbana.

Quase todos participaram das Diretas Já. Todos quiseram participar do processo democrático. Nos unimos em torno do consenso, Tancredo Neves. Foi ministro de Getúlio, o único primeiro-ministro da República, oposição por toda a ditadura, governador, era a mineirice no Poder, de boa prosa, lábia, sábio, calmo, negociador, agregador.

Foram anos de luta. Professores, funcionários e estudantes, imprensa, artistas, formadores de opinião, parte do empresariado, OAB, ABI, Igreja, e o que interessava, os trabalhadores, tinham a mesma agenda: queremos democracia.

No dia 15 de março de 1985, ela retornaria. Brasília estava em festa. Mais de 150 chefes de Estado desembarcaram. Porém, deu entrada com forte dor no abdômen, horas antes da posse, no Hospital de Base, o paciente Tancredo Neves. Estava em casa com familiares, ensaiando o discurso de posse.

Um diagnóstico errado, de apendicite supurada, levou à internação e a uma cirurgia desnecessária. Cirurgia que o paciente recusava a fazer. Tinha que subir a rampa, tomar posse, ou a transição estaria comprometida. Afinal, o vice, José Sarney, braço civil dos militares, tornara-se um traidor por quem deveria passar a faixa, general Figueiredo, ao mudar de lado e ampliar a ruptura do regime.

O historiador Luis Mir teve aceso a laudos médicos e bastidores do que aconteceu durante as cirurgias e os 39 dias de internação do presidente eleito. Baseado nele, foi produzido O Paciente – O Caso Tancredo Neves, de Sérgio Rezende, que promete ser o filme que dará um nó nas nossas cabeças, feito na hora certa, no lugar certo. E que deve ser visto!

Para Mir, que entrevistou 40 médicos envolvidos, Tancredo poderia ter tomado posse. Bastava antibióticos. Não era caso de cirurgia urgente. Tinha, na verdade, uma infecção e um tumor benigno no intestino, que poderia extrair com calma, depois.

Mas o médico Pinheiro Rocha, chamado pelo médico da Câmara, Renault Ribeiro, o operou, não viu apendicite e acreditou ser um divertículo de Meckel. A extração não foi a padrão. A sutura, feita por Rocha, deu em sangramento. Os erros médicos foram se sucedendo.

Walter Pinotti foi enviado com sua equipe pelo governador Franco Montoro. Rocha impedira a família de levá-lo a São Paulo. Como se dizia no Rio e em Brasília, a “ponte aérea” era o melhor hospital da cidade.

Divergência e vaidade. Acusações. Pânico entre a equipe médica. O médico da família acusou uma obstrução intestinal. Abriram novamente. Não era. Chegaram a falsificar boletins médicos.

O paciente de mais de 75 anos teve hemorragia interna, pegou pneumonia, foi transferido para São Paulo, mudou de equipe médica. Tarde demais. Teve infecção generalizada, depois de sete cirurgias.

O filme deixa a política em paralelo. Não vilaniza ninguém. Todos cometerem erros absurdos. Seu elenco é primoroso. Renault (Otavio Muller), Rocha (Leonardo Medeiros), Pinotti (Paulo Betti) viviam sob uma pressão incomparável. O paciente era o líder da transição, pacificação. Atraiu para si a esperança de milhões. Era a cara da Nova República. Precisava tomar posse. A pressa o matou.

Acompanhamos os erros desde o início da internação: a decisão de operar de madrugada; parte da equipe foi a uma ala do hospital, parte para outra; desentubaram o paciente antes do prazo.

Dezenas de pessoas, deputados, senadores, apertaram-se no centro cirúrgico e acompanharam a operação. Quem iria barrá-los? É a terra do “sabe com quem está falando?”.

O Brasil acompanhou perplexo pela TV os quase 40 dias de agonia e mistério. Uma multidão acampou nas calçadas do Incor, na Avenida Rebouças: rezas e rituais de muitas religiões; até xamanismo. Uma multidão levou o caixão, junto a um carro de bombeiros, até o aeroporto. O Brasil viu mudo, com lágrimas escorrendo, incrédulo, seu enterro em São João del-Rei.

Tancredo (Othon Bastos), num dado momento, diz: “Eu não merecia”. O Brasil não merecia. O que ficou é a pergunta: “E se?”. Sarney herdou uma economia destroçada: dívida externa enorme, pouca reserva, protecionismo, estatais improdutivas, que só davam prejuízos, sob as garras do dragão da inflação. Fez um governo medíocre, chamado de “década perdida”.

Sem coragem, não rompeu com o entulho do regime anterior. Instaurou planos econômicos que desestabilizaram ainda mais a economia, com o forçado congelamento de preços. Pagamos o preço até hoje (literalmente, já que o STF mandou os bancos devolverem perdas sofridas por poupadores dos planos econômicos Bresser, de 1987, e Verão, de 1989).

Governou como um coronel, graças à distribuição de concessões de rádios e TVs a políticos aliados, patrocinada por outro velho aliado dos militares, ACM. Se Tancredo tivesse assumido, teria mais legitimidade para mudar o País, romper com o passado, propor o novo. O novo que virou um velho doente.

Alckmin contra a universidade

Por que o prudente político resolveu mexer em um vespeiro?

andré singer 



Em passagem pouco comentada da entrevista de Geraldo Alckmin à Globonews (2/8), o candidato do PSDB defendeu a cobrança de mensalidade nos cursos de pós-graduação das universidades públicas.

Perguntado se era favorável ao ensino superior pago, o ex-governador paulista respondeu: “O primeiro passo seria cobrar toda a pós-graduação”, deixando implícito que o segundo atingiria a graduação.

Apresentada no tom suave que costuma caracterizar as falas do tucano, trata-se de proposta dura. Vale lembrar que a eliminação da gratuidade universitária foi uma das importantes medidas adotadas pelo governo do general Augusto Pinochet no Chile (1973-1990).

O país de Salvador Allende teve que esperar décadas, e passar pela mais importante movimentação de massa pós-redemocratização, para reinstituir a universidade pública e gratuita em janeiro passado.

Por que o prudente político resolveu mexer no vespeiro quando sabe que o pagamento da pós-graduação resolveria pouco da crise de financiamento da educação superior? A resposta tem a ver com a corrida no campo conservador.

Está na internet que, uma semana antes da declaração de Alckmin, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do candidato Jair Bolsonaro, em passagem por Bauru, interior de São Paulo, havia afirmado ser favorável a privatizar toda a educação: “Quem não reunir condições financeiras para pagar, receberia uma bolsa do governo, para escolher a escola ou a universidade privada que entender ser melhor”.

A fala do clã bolsonarista está em linha com a visão privatista radical anunciada pelo guru econômico do pai, Paulo Guedes. Pergunto-me, se a Petrobras pode ser vendida, por que não o sistema público de ensino superior?

Ao defender a pós-graduação paga, Alckmin está dialogando e tentando atrair votos de setores que foram bem longe no caminho do privatismo.

As universidades públicas têm sido o principal foco de resistência ao golpe parlamentar e ao desmonte do que existe de Estado de bem-estar social no Brasil. Destruir o seu etos —e é isso que a cobrança de mensalidade faz ao mercantilizar o conhecimento— constitui objetivo programático do conservadorismo. Desconfio que o tema veio para ficar.

Na semana passada, escrevi que o atual Partido Socialista Brasileiro (PSB) foi fundado pelo ex-governador Miguel Arraes. O ex-ministro e ex-presidente da agremiação Roberto Amaral esclarece que a legenda foi refundada em 1985, depois de ser extinta pela ditadura militar de 1964, sob a liderança de Jamil Haddad e Antônio Houaiss, tendo Arraes ingressado apenas em 1990.

André Singer
Professor de ciência política da USP, ex-secretário de Imprensa da Presidência (2003-2007). É autor de “O Lulismo em Crise”.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

rs

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Mifô começa a colher sua genialidade. Bravo! já prevíamos que isso iria acontecer.


Tem gente nova na República: Mifô!



A REPÚBLICA DOS BANANAS não para de crescer. Nosso novo “contratado” (hahaha, opa… desculpa) é o MIFÔ. Ele é paraibano de Cajazeiras e, além de cartunista, é redator e editor de vídeo. Ele é flamenguista e as duas palavras que mais odeia são: “empreendedor” e “fitness”.

Ele confessa que bate punheta, mas é um romântico inveterado. Faz sentido. Não há nada mais romântico do que punheta. Mifô também escreve poemas eróticos, o que também faz sentido, já que escrever versos também é uma forma de punheta.

Por favor, recebam com uma salva de palmas… Mifô!

a capa da Gazeta

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Sertão Japão, de Xico Sá

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É preciso garantir participação de Lula nas eleições

Uma saída para o Brasil 

João Pedro Stedile 


É preciso garantir participação de Lula nas eleições


O Brasil vive grave crise econômica, política, social e ambiental. Muitos fatores contribuíram para sua eclosão, principalmente a subordinação da nossa economia ao capital financeiro e internacional, que extorque toda a sociedade.

O golpe de 2016 foi a tentativa de a burguesia se salvar sozinha da crise, jogando todo o peso sobre a classe trabalhadora. Para isso, mobilizou seu poder midiático, judicial e parlamentar. O plano era assaltar recursos públicos, retirar direitos, subordinar o país totalmente aos interesses internacionais, entregar os recursos naturais —como o pré-sal, os minérios e a água— e empresas como Petrobras, Eletrobras e Embraer.

Começaram a fazer o serviço sujo contra o povo da forma mais rápida e sorrateira possível. E qual foi o resultado? A crise econômica se agravou. A crise social chegou a patamares de barbárie, com 66 milhões de trabalhadores à margem da economia, enquanto as seis famílias mais ricas ganham mais do que 104 milhões de brasileiros. A crise política também se aprofundou: o governo golpista amarga a maior impopularidade da história republicana. E ninguém mais acredita nos políticos!

A lógica reinante no Judiciário, que vive da soberba e da empáfia, inverte o princípio constitucional: agora todos são culpados até que provem o contrário. O Power Point do "não temos as provas, mas temos a convicção" ganhou status de lei.

Enquanto milhares de pesquisadores correm o risco de perder suas bolsas, juízes como Sergio Moro usurpam recursos públicos, recebendo auxílio-moradia e vivendo em sua própria casa, além de outros privilégios inaceitáveis pagos pelo povo.

O Movimento Sem Terra, assim como as 80 organizações que integram a Frente Brasil Popular, acredita que o país necessita de novo projeto de desenvolvimento, soberano e popular. Mais subordinação, submissão e exploração do povo não representam uma saída para o Brasil.

O povo expressa em todas as pesquisas de intenção de voto e defende como alternativa eleitoral Luiz Inácio Lula da Silva, por sua trajetória e representatividade —e também em solidariedade, por perceber a perseguição em curso que os poderes midiático e Judiciário executam para obstruir a possibilidade de uma saída popular para a crise.

Se Lula não for candidato, as eleições serão uma fraude, pois impedirão que a maior parte do povo tenha o direito de escolher quem deseja para a Presidência. E as crises se aprofundarão e teremos mais quatro anos de conflitos, violência e agravamento das desigualdades sociais.

Para construirmos um novo projeto para o país, com reformas estruturais na política, no Judiciário, nos meios de comunicação e na economia, é necessário garantir a participação de Lula nas eleições.

Por isso, integrantes dos movimentos populares estão em greve de fome desde o dia 31 de julho por tempo indeterminado. Nesta sexta (10), haverá uma mobilização nacional dos trabalhadores, convocada por todas as centrais sindicais. Os movimentos do campo farão uma marcha nacional rumo a Brasília até quarta-feira (15), quando será registrada a candidatura de Lula.

Esperamos que o Poder Judiciário lembre que, acima de suas vaidades e interesses, está a Constituição, que já foi suficientemente violada e desprezada nos últimos anos. Que os juízes se submetam à vontade popular e à Carta Magna, e não aos interesses da Rede Globo e do projeto golpista do grande capital.

João Pedro Stedile
Economista, coordenador nacional do MST e da Frente Brasil Popular

qualquer semelhança é mero devaneio

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Vamo', adotado por candidatos, é versão moderna da roupa branca da Roma antiga

Não deixa de ser curioso notar o sumiço unânime desse S durante o debate na Band

Sergio Rodrigues


Apresentando-se vestido de branco sobre branco, Guilherme Boulos investiu, de forma consciente ou não, na pureza etimológica da palavra “candidato”. O termo latino “candidatus” se referia às togas alvas que os postulantes a cargos públicos envergavam na Roma antiga. Supunha-se que isso passasse mensagens como honestidade, sinceridade, pureza.

O pioneiro dicionarista Rafael Bluteau escreveu no século 18 que era como se os candidatos romanos “quisessem mostrar a candideza do seu ânimo na sua pretensão, dirigida só ao bem público; ou também porque queriam dar a entender que não fundavam nos seus merecimentos, mas na bondade e virtude dos que haviam de eleger, o sucesso da pretensão”. Isso se não quisessem apenas se destacar da multidão, claro.

Marina Silva era, depois de Boulos, a mais “cândida” no velho sentido romano, ainda que sem o mesmo radicalismo monocromático. A rigor, Álvaro Dias foi o único que abriu mão inteiramente do branco no figurino: a persistência de certas ideias através dos tempos é impressionante.

Quem sabe foi por vingança que o branco, agora figurado, andou aparecendo nas falas de Dias sob a forma de elipses, hesitações e descontinuidades lógicas. Sua inusitada referência à PM Juliane dos Santos, assassinada por bandidos, num comentário sobre igualdade salarial entre homens e mulheres soou como um desses lapsos, embora talvez fosse só oportunismo.

Candidamente popular, a pronúncia “vamo” tornou-se, a julgar por esse debate, uma espécie de versão linguística da velha roupa branca. Nada contra, mesmo porque seria absurdo censurar os candidatos por aproximarem seu linguajar – de forma espontânea ou estudada, não importa – do de seus eleitores.

De todo modo, não deixa de ser curioso notar o sumiço unânime desse “S” em assembleia tão eclética quanto a que se reuniu nos estúdios da Band. Onde ele teria ido parar? A resposta não demorou a se revelar: o inacreditável Cabo Daciolo acusou Geraldo Alckmin de ser apoiado por “noveS partidos”. Ah, bom!

O candidato do PSDB não foi exceção na hora de pegar o bonde do “vamo”, mas tem trabalho pela frente se quiser tornar sua linguagem realmente acessível: “spread”, jargão econômico cascudo, não se faz acompanhar de nenhuma colher de chá para as multidões que ignoram o que significa. A ideia de trazer novos “players” para o jogo talvez seja compreendida por mais gente, mas o modismo anglófilo soa elitista mesmo assim.

Ciro Gomes, mais desenvolto que Alckmin na hora de soar como “homem do povo”, também incorreu em pernosticismos (“colapsado”, “descartelizar”), mas renovou sua confiança na capacidade que têm os detalhes – mesmo os fantasiosos, como sabem os escritores – de conferir um ar de verdade a qualquer afirmação. As “7507 obras paradas” que denunciou soaram mais concretas do que qualquer número redondo.

Sérgio Rodrigues
Escritor e jornalista, autor de “O Drible” e “Viva a Língua Brasileira”