Alamanaqueiras: ou não queiras.

Alamanaqueiras: ou não queiras.

Playlist Almanaqueiras

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

a coisa anda assim...

Urubus habitam apartamento do governo em área nobre de Brasília

O governo grita pela necessidade de o país fazer um duro ajuste fiscal, mas cansa de dar maus exemplos. Um apartamento de quase 140 metros quadrados no Bloco D da quadra 304, na Asa Norte, área nobre de Brasília, está sendo ocupado por uma família de urubus.


Diante do abandono do imóvel, avaliado em mais de R$ 1 milhão, um casal de urubus se sentiu confortável para habitá-lo. E deu cria a dois filhotes.

Ape304Norte
Foto: Divulgação/ Ministério do Planejamento

Os moradores, vendo o constante entra e sai dos urubus no apartamento, construído com dinheiro público, chamaram a Vigilância Sanitária para desalojar os indesejados inquilinos. Mas terão que esperar.

Segundo os fiscais da Vigilância Sanitária, os filhotes ainda estão muito pequenos e, como os urubus pais são muito zelosos e alimentam bem as crias, seria um risco remover a família agora, pois os urubuzinhos poderiam morrer.

A retirada dos ocupantes do apartamento funcional só será feita quando os urubus filhos ganharem mais porte e força para se alimentarem sozinhos.

se Brasília não destruir o país.

Pequenas, micro, nano novidades animadoras 

Vinicius Torres Freire

COMO DEVE agora estar claro para todo o mundo, o surto de imundície política que começou em maio não voltou a derrubar a economia.


Decerto governo, Congresso e castas da elite se empenham de modos diversos a lançar o país em novo ciclo de destruição socioeconômica, mas por hoje vamos tratar do que deu menos errado, ao menos até meados deste 2017. Há até pequenas, micro, nano novidades animadoras.

Antes de mais nada, convém qualificar essa melhoria, microscópica: a economia continua a dar sinais de que vai crescer aquele zero vírgula alguma pouca coisa por cento. Era o esperado, dados o tamanho do desastre e a receita de recuperação, baseada apenas em baixa de taxas de juros e de inflação, uma convalescença lentíssima.

Indústria, comércio e serviços ficaram no azul no segundo trimestre, uma surpresa.

No caso dos serviços, foi o primeiro resultado positivo depois de mais de dois anos de baixa. Talvez as projeções para o PIB trimestral sejam revisadas para cima (estavam no vermelho até ontem), embora muito pouco se saiba do que foi feito do investimento.

As taxas de juros bancários de junho foram a novidade mais interessante do trimestre. Depois de mais de seis meses de queda razoável da Selic, da campanha de baixa do Banco Central, as taxas nos bancos passam a convergir para o nível normalmente anormal dos juros brasileiros.

A taxa básica de juros real no mercado (ex ante) baixou de 7,2% em dezembro para os 3,2% de agora, nível inédito desde meados de 2013. Em junho, as taxas de juros nos bancos também começaram a convergir para as taxas de meados de 2013. Sim, trata-se das taxas altíssimas de sempre.

Repita-se: é uma volta à normalidade anormal, cíclica, não de mudança na estrutura do crédito no país, outros quinhentos.

As taxas dos financiamentos bancários mais importantes (em volume) aproximam-se de um nível compatível com as taxas básicas da economia (Selic; DI). É o caso de capital de giro, crédito para a compra de casa ou carro. Ainda estão mais altas que em meados de 2013, mas chegando lá.

Mesmo o pequeno aumento da massa salarial (total de rendimentos do trabalho), que anda pelo ritmo dos 2%, e a queda dos juros nos bancos devem, enfim, contribuir para a diminuição do peso do serviço da dívida ("prestações") no orçamento das famílias. O endividamento foi uma das piores doenças dessa praga multifacetada, a Grande Recessão brasileira.

Pelas contas do Banco Central, o serviço da dívida leva 21,3% dos rendimentos dos brasileiros (do trabalho e outros).

Ainda está perto da média de 22% registrada desde 2011, quando a economia começou a embicar para o buraco. Nos anos Lula 2 (2007-10), a média foi inferior a 19%. A diferença apenas parece pequena.

Como a fatia da renda dedicada à amortização variou pouco, a persistência do peso do endividamento se deveu a juros.
Deve levar um ano, por aí, para que dívidas caras sejam substituídas por crédito a taxas menos extorsivas a ponto de tal mudança aparecer de modo relevante no tamanho das prestações (serviço da dívida). Mas deve acontecer, se Brasília não destruir o país. Se acontecer, haverá mais espaço para consumo e um crescimento melhorzinho em 2018.

detalhes da 'xepa' que se transformou o país.

Governo Temer golpista fará leilão para concessão de loteria 'raspadinha'

Mônica Bergamo

A equipe de Henrique Meirelles ganhou a queda de braço com a CEF (Caixa Econômica Federal) em torno da Lotex, a loteria conhecida como "raspadinha". O governo fará um leilão para que ela seja administrada via concessão.

É DELE

A CEF queria controlar a empresa para depois privatizá-la. Até o presidente Michel Temer se envolveu na disputa, que acabou sendo vencida por Meirelles.

REVISÃO

Até o mês passado a estimativa era a de que a concessão da Lotex poderia arrecadar R$ 4 bilhões, valor agora revisto para R$ 2 bilhões.

FILA

Lula vai ter que esperar: a Justiça determinou que Roberta Luchsinger, herdeira de um acionista do banco Credit Suisse que pretende doar R$ 500 mil ao ex-presidente, pague antes uma dívida de R$ 62 mil cobrada dela judicialmente por uma loja de decoração.

EM PÚBLICO

Na decisão, o juiz Felipe Albertini Nani Viaro, da 26ª Vara Cível, afirmou que, "tendo em conta as declarações públicas" de Luchsinger, que disse à Folha que faria a doação ao petista, ele deferia o pedido de execução imediata da dívida. Determinou ainda que ela deve "abster-se de qualquer ato de disposição graciosa dos bens" até que salde o débito.

MOBILIÁRIO URBANO

Roberta diz que pagou por um serviço terceirizado e que está sendo cobrada novamente. "Inclusive eu movo ação contra a empresa que me processa", afirma. O advogado dela, Paulo Guilherme de Mendonça Lopes, diz que a cliente encomendou móveis que ficaram "muito mal feitos" e ainda assim saldou parte do serviço.

CARTILHA

Lula teve longa reunião com seus advogados antes de partir para a caravana que fará pelo país. É previsível que o ex-presidente faça declarações sobre os processos em seu giro pelo nordeste.

LEMBRANÇAS DO PALCO

Paulo Betti estreou na sexta (11), em São Paulo, a peça "Autobiografia Autorizada". Os atores Sérgio Mamberti, Olivetti Herrera, Thalles Cabral e Claudiane Carvalho assistiram ao espetáculo, no Teatro Vivo. O diretor de teatro Darson Ribeiro também passou por lá.
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CADÊ O BUSTO

O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) pediu que o Ministério Público Estadual investigue o secretário do Meio Ambiente do Estado de SP, Ricardo Salles, por suposta destruição de patrimônio público. Salles mandou retirar um busto do guerrilheiro Carlos Lamarca, morto pela ditadura militar, do Parque Estadual Rio do Turvo. "Parque não é local para ter busto para herói ideológico de nenhum lado", diz o secretário.

VISÃO HISTÓRICA

Salles afirma que a estátua foi guardada. "Giannazi deveria apurar quem foi que autorizou o gasto de recurso público para fazer o busto de um assassino", diz. "Assassino foi o regime militar que matou o torturou milhares de pessoas", afirma Giannazi, definindo Salles como "um analfabeto em história".

ELAS POR ELAS

A editora Seguinte, do Grupo Companhia das Letras, deve lançar em outubro um livro sobre mulheres brasileiras de destaque. Serão retratadas personagens como dona Ivone Lara, Nise da Silveira, Lina Bo Bardi e Clarice Lispector. Com o título "Extraordinárias", a obra foi escrita por Aryane Carraro e Duda Porto de Souza.

PESCARIA

O artista plástico Eduardo Srur, famoso por ter posto coletes salva-vidas em estátuas de SP, vai montar uma intervenção no rio Pinheiros. Ele diz que a obra, que será revelada no dia 24 na Virada Sustentável, é surpresa. "Só posso dizer que serei o primeiro paulistano a pescar no rio no século 21".
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É BONITA

O livro "A Beleza da Vida", biografia do cabeleireiro Marco Antônio de Biaggi escrita por João Batista Jr., foi lançado na terça (15). As apresentadoras Sabrina Sato, Luciana Gimenez e Adriane Galisteu, acompanhada do marido, o empresário Alexandre Iódice, foram ao evento, na Livraria Cultura do shopping Iguatemi.
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CURTO-CIRCUITO

Fábio Bibancos lança nesta quinta-feira (17) o livro "O Pequeno Palácio do Sorriso", sobre os 30 anos do Instituto Bibancos de Odontologia. Às 18h, no restaurante Rodeio.
Dila e Alexandre Spinola apresentam exposição coletiva de 13 artistas em homenagem a Manabu Mabe. Nesta quinta, às 19h, na In.Casa.

Rafael Frejat faz show com sua banda, Amarelo Manga. Nesta quinta, às 20h, na Casa do Mancha.

bate-pronto

Podem apostar: vai crescer uma onda contra João Dória por ele ser mais candidato a presidente do que prefeito. Corre o risco de repetir o fenômeno Serra, que deixou a prefeitura sem ter sido prefeito - e perdeu prestígio.
O correto seria ter mais paciência para construir uma vitrine.
Por causa do entupimento de uma galeria, em Pinheiros, a cuidadora de idosos Ilda Vilanova, 50, atravessava aos pulos uma esquina alagada às 16h30 da última…
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"risco de vida" ou "risco de morte"?

Riscos de morte e riscos de vida

Contardo Calligaris 


É uma pergunta que volta regularmente nos blogs de dificuldades da língua portuguesa: qual é a expressão certa, "risco de vida" ou "risco de morte"?

Parece que, no risco de morte, risca-se encarar a morte, e, no risco de vida, risca-se perder a vida. Se quisermos transformar os substantivos em verbos, será preciso usar verbos diferentes: o risco de morte seria risco de morrer, mas o risco de vida seria risco de perder a vida, e não risco de viver. Aliás, dirão alguns, com ironia, o que seria o "risco de viver"? Se você riu com a ironia da pergunta final, reconsidere: na verdade, existe, sim, um risco de viver e não se confunde com o risco de perder a vida.

Você lembra de "Ideologia"? Cazuza cantava "o meu prazer agora é risco de vida", sexo e drogas (sem nem sequer o rock and roll, aliás).Certo, esse é um risco de vida como perigo de perder a vida. Mas que vida seria essa, sem sexo e drogas? "As ilusões estão todas perdidas, os meus sonhos foram todos vendidos", isso seria viver? A ideia da música é que viver é uma ousadia, um pulo no escuro, uma aventura da qual não se sabe como acaba. É preciso correr o risco de viver.

Para resolver o dilema linguístico, digamos que, segundo o caso, risco de vida e risco de morte podem significar a mesma coisa (o risco de morrer), mas "risco de vida" significa também algo bem diferente. O risco de vida é o risco que corremos por vivermos, porque viver de verdade é sempre, inevitavelmente, um risco.

Viver é se arriscar. E quem não corre o risco de viver não vive, vegeta. Alguém perguntará qual seria, então, o risco de viver, o risco que definiria a vida?

Anne Dufourmantelle, 53, filósofa e psicanalista francesa, no seu lindo "Éloge du Risque" (Payot, 2011), notava que vivemos hoje na precaução, no prognóstico e na tentativa de prever as perdas possíveis e de evitar assim o pior. Ela se perguntava que lugar ocuparia o desejo numa cultura que considerasse que o risco é uma loucura, heroica ou maluca.

Acrescentava que o risco não é tanto um ato pontual quanto uma maneira de ser, um jeito de estar no mundo com coragem, mesmo sem gestos extremos ou momentos de perigo. O risco de quem se arrisca a viver (risco de vida) é aceitar um desejo que nem nós mesmos conhecemos, um novo amor, uma paixão, a liberdade, a infidelidade, o risco de se separar ou de encontrar alguém, o risco de desapontar o outro, o risco de pensar além do que já sabemos, de não repetir as trivialidades compartilhadas.

Anne Dufourmantelle escreveu vários livros (em português, "Falar da Hospitalidade", com Jacques Derrida, Escuta, 2003) e era colunista do diário "Libération". Eu lia seus textos e a sentia, de alguma forma, próxima de mim, por ela ser psicanalista e filósofa e, justamente, por sua ideia de que, para viver, é preciso correr risco de vida.

Nos meus termos (que expressam, acho, o mesmo pensamento), para viver é preciso que a vida não seja o valor supremo. É uma ideia que alguns podem achar estranha, porque consideram que instaurar a vida como valor supremo da gente é um grande progresso de nossos tempos.

Ora, eu não sei qual é o valor supremo certo (sequer sei qual é o meu): pode ser o desejo, a busca do prazer, a liberdade política ou individual etc., mas a ideia de que preservar a vida seja o valor supremo sempre me pareceu uma forma de decadência moral. Explico.

Por que a vida não seria o valor supremo? Simples: um valor é aquela ideia, aquela escolha ou conduta pela qual estamos dispostos a sacrificar nossa vida. Sempre foi assim.

Desde o século 19, o higienismo tenta colocar a sobrevivência como valor supremo. Agora, aceitar essa proposta significa aceitar uma ética simplificada e sinistra, em que 1) o que é bom para a saúde seria também moralmente bom, 2) nenhum valor poderia exigir nosso sacrifício de vida, pois, dessa forma, ele contradiria o valor supremo, que é sobreviver.

No fim de julho, na praia de Pampelonne, em Ramatuelle, no Var (França), tentando socorrer o filho de uma amiga que estava sendo levado pela correnteza, Anne Dufourmantelle se afogou.

Como ela mesma diria, Anne, socorrendo o menino, não decidiu correr risco de morte. Mas ela correu o risco de viver, ela se arriscou a viver –porque viver é também se jogar no mar sem hesitar, para salvar uma criança.

bate-pronto

Miguel Reale Jr. perdeu a chance de ter uma biografia decente em sua velhice, ao se suicidar moral e intelectualmente para dar às raposas o comando do galinheiro. "Aqui jaz o filho de Miguel Reale. Poderia ter sido maior, mas morreu minúsculo".
O jurista e ex-ministro da Justiça Miguel Reale Jr., um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff (PT), disse nesta terça-feira (15) que Miche...
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O sentimento e a ação antinegros nos Estados Unidos são mais do que supremacistas. Seu nome é racismo.

A palavra 'supremacistas' é filhote da atenuação de aparências

Janio de Freitas 


O sentimento antinegros nos Estados Unidos não precisa de mais do que a tolerância mal disfarçada que o ampara.

White nationalists carry torches around a statue of Thomas Jefferson on the grounds of the University of Virginia, on the eve of a planned Unite The Right rally in Charlottesville, Virginia, U.S. August 11, 2017. Picture taken August 11, 2017. Alejandro Alvarez/News2Share via REUTERS. MANDATORY CREDIT. NO RESALES. NO ARCHIVES ORG XMIT: TOR500

Mesmo depois que Rosa Parks tornou-se uma das maiores presenças do século 20, com a pura e emocionante atitude de sentar-se na área reservada aos brancos em um ônibus, quase vazio.

Com a recusa a ceder o lugar, sem gesto algum de desafio, sem sequer uma palavra grosseira, a um branco imperativo, a simples e heroica humanidade de Rosa Parks obrigou o presidente dos Estados Unidos, general Eisenhower, ao ato esquecido desde Lincoln de mandar ao Alabama tropas em defesa da igualdade entre seres humanos do seu país. Era 1955, há apenas 62 anos.

Kennedy, o sucessor, precisou tomar medidas de igual dureza. O movimento de defesa dos negros acirrou-se, criou grandes personagens da ação pacífica, sonhou com a igualdade pelas armas. Um a um, seus maiores líderes, pacifistas ou não, foram morrendo a bala. De lá para cá, a maioria dos Estados fez concessões importantes. Sem, no entanto, neutralizar a hipótese de que o faziam mais pela imagem desses Estados e do próprio país.

Com leitores/espectadores em todos os segmentos da população e, talvez mais preciosos, anunciantes suscetíveis, a imprensa e a TV influentes não se aplicaram, jamais, em esforços consequentes contra o "apartheid" e suas violências, físicas, psicológicas e morais.

Mudar as evidências negativas da "grande democracia" foi, de fato, o programa nacional, deliberado ou intuído, das instituições e núcleos de atividade pública como a TV, o cinema, a política.

Criada na universidade e injetada no jornalismo, a palavra "supremacistas" é filhote da atenuação de aparências. Supremacismo é, porém, termo aplicável a muitas condições e atividades. Na cabeça brasileira, até ao futebol, a ser visto forçadamente como o superior no mundo, mesmo quando a inferioridade é humilhante.

O sentimento e a ação antinegros nos Estados Unidos são mais do que supremacistas. Seu nome é racismo. Continua sendo e será enquanto exista. Palavra sem máscara. Nome específico, direto, preciso. Consagrado por seu caráter repulsivo, pelo tempo, por quem o porta e por quem o sofre.

Não há razão para acobertar o racismo, prática e nome, com um subterfúgio que só presta serviço aos racistas, de repente maquiados pela dubiedade de supremacistas. Se supremacismo retrata ódios brancos aos negros, alguém seria capaz de dizer que Hitler e o nazismo eram apenas supremacistas por seu ódio aos judeus?

A palavra supremacistas tem, para os racistas e o governo dos Estados Unidos, a mesma finalidade que militares, alguns integrantes do Supremo Tribunal Federal e parte dos meios de comunicação extraíram da palavra "excessos": nome (e justificativa) da tortura e dos assassinatos políticos nos quartéis.

Em estádios, hoje, torcedores que ofendem jogadores negros são reconhecidos, com unanimidade, como racistas. Porque racismo é racismo onde quer que se manifeste.

Supremacismo, além do mais, é palavra antijornalística –pela imprecisão, quando a precisão é possível; pela utilidade deformadora; e por sua hipocrisia.

"ai, que decepção, Chico!"

Chico e os nazistas: o papo nas redes tem feito pouco sentido 

Sergio Rodrigues 

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Haverá algo em comum entre a polêmica em torno de um verso do Chico Buarque e a discussão sobre o nazismo ser ou não ser "de esquerda"? Digo, algo além do fato de serem tais tópicos ervas daninhas cognitivas que vicejaram recentemente na internet, esse imenso jardim botânico de mato?

É difícil falar do contemporâneo, do agora. Às vezes gosto de fazer um exercício de imaginação: que elementos destacaria um escritor do futuro que quisesse reconstituir a atmosfera cultural do nosso tempo?

A maior mágica da ficção é a capacidade de criar um universo com três varetas, dois palmos de tecido e um pedaço de barbante. Mais do que possível ou desejável, essa miniaturização é obrigatória.

O uso de poucos elementos escolhidos com arte está na base da criação de mundos imaginários. O mundo real é vasto e tumultuoso demais para fazer sentido.

Ao ser tratado como "de época", o presente absurdo em que estamos mergulhados, com o nariz grudado demais na tela para discernir o plano geral da obra, pode revelar linhas de força interessantes.

Desconfio que uma delas, segundo aquele ficcionista ficcional que escreve seu romance histórico em, digamos, 2117, seja a alarmante perda de foco que a comunicação em rede trouxe aos nossos papos.

Não se trata de fazer o elogio nostálgico da velha comunicação de massa, com sua via de mão única entre emissor e receptor, vista hoje –com razão– como pouco democrática.

No entanto, passou da hora de dar por encerrado o oba-oba que marcou os primeiros anos do século 21, com sua crença ingênua no voluntarismo amador como produtor dos conteúdos necessários ao aprimoramento da vida no planeta.

É importante reconhecer que a passagem do vertical para o horizontal, do concerto estruturado de vozes "eleitas" para o zunzum indistinto das multidões, trouxe novos problemas e desafios cascudos.

A discussão pautada por redes sociais e caixas de comentários tende a ser filistina e infantil. Pegou a deixa dos estudos culturais e, barateando um pouco mais o que nunca foi tão caro, acha que a arte se resume ao conteúdo sociológico excretado involuntariamente por um "lugar de fala".

Essa é a parte do filistinismo, da insensibilidade ao que a arte tem de propriamente artístico. O infantilismo aparece nas "lacrações" que vêm em seguida. E tome de "ai, que decepção, Chico!"

Além de filistina e infantil, a discussão pautada por redes sociais e caixas de comentários sabe ser bizantina e desonesta. Dá importância descabida a filigranas tiradas de seu contexto histórico –"oh, a palavra socialismo está embutida na palavra nazismo!"– em nome de um "debate ideológico" que de debate não tem nada.

Nosso escritor do século 22 é um artista sério e não quer atribuir nenhum desses problemas à falta de caráter ou de inteligência deste ou daquele personagem. Por temperamento, acha que a maioria da humanidade tem as melhores intenções.

Sabe, porém, que o tal Zeitgeist, o poderoso Espírito do Tempo, leva tudo de roldão. Não faz ideia de como um país esfolado, rachado, exausto e desprovido de um mínimo projeto de nação vai chegar a um acordo consigo mesmo em meio a uma barulheira dessas.

Tentará pensar em algo quando for a hora de escrever esse capítulo.

Esse esforço de coordenação em distritos de grande magnitude como no Brasil criaria problemas insanáveis.

Distritão cria dilemas insuperáveis para partidos

MARCUS MELO


O distritão é péssimo, mas não pelas razões frequentemente apontadas.

BRASILIA, DF, BRASIL, 29-06-2017, 14h00: O Presidente da Camara dos Deputados, Rodrigo Maia, durante a leitura da denuncia da PGR contra o Presidente Michel Temer, na Camara dos Deputados, em Brasilia. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress, PODER)

O distritão, ou SNTV (voto único não transferível, como é conhecido internacionalmente), não levará a campanhas mais caras, desperdício massivo de votos. Tampouco levará a uma redução no número de partidos, nem garantirá apenas a sobrevivência dos partidos maiores.

O cientista político americano Gary Cox, em contribuição seminal para a matemática dos sistemas eleitorais, apresentou a prova formal de que o SNTV e a representação proporcional baseada no sistema D'Hondt para o cálculo das sobras do quociente (utilizado no Brasil) produzem resultados equivalentes.

Ou seja, como temos distritos eleitorais gigantescos (variando de 8 a 70), o distritão na prática levará aos mesmos resultados do atual sistema.

Os partidos pequenos não serão afetados pelo distritão, salvo se uma cláusula de desempenho for também aprovada. O distritão inibe a renovação dentro dos partidos, mas não afeta a viabilidade de pequenas legendas.

Numerosos trabalhos acadêmicos já foram realizados sobre o distritão. As causas de sua ineficiência são conhecidas e pouco têm a ver com as apontadas no debate público. A mais importante é que o sistema cria dilemas de coordenação quase insuperáveis para os partidos.

Um caso hipotético para ilustrar. Se indivíduos muito populares (por exemplo o juiz Sergio Moro ou o ex-presidente Lula), capazes de atrair o sufrágio de 10 ou 20 vezes o quociente eleitoral do Estado de São Paulo (300 mil), fossem candidatos, suas legendas seriam instadas a convencer seus eleitores a não votar neles, sob o risco de não eleger vários de seus parlamentares e no limite ver o número de eleitos se reduzir.

Qualquer voto adicional será um voto perdido, e o número ideal de votos para cada candidato é muito difícil de ser estimado. O partido teria um dilema entre promover certas candidaturas muito populares e ao mesmo tempo reduzir seu apelo.

Essa consequência bizarra –um partido instruir seus eleitores a limitar os votos nos seus candidatos– cria problemas severos de responsabilização e de comunicação.
Apenas partidos muito fortes como o Kuomintang de Taiwan ou LDP do Japão, onde o sistema foi adotado entre 1948 e 1993, puderam mitigar os problemas.

O Kuomintang instruiu seus eleitores a votar nos 5 candidatos de um distrito, segundo os últimos números de suas carteiras nacionais de identidade (se 1 ou 2, vote no candidato X etc.). O risco de subestimação das respostas é alto e dependerá de disciplina enorme dos membros.

Esse esforço de coordenação em distritos de grande magnitude como no Brasil criaria problemas insanáveis.

A segunda fonte de ineficiência é a inexistência de agregação de votos, cujos efeitos sobre os partidos são positivos. As estimativas de votos desperdiçados que têm sido apresentadas no debate público exageram enormemente o problema ignorando dois aspectos fundamentais.

Em primeiro lugar, o distritão, se adotado, produzirá uma gigantesca redução no número de candidaturas (dos quase 7.000 candidatos a deputado federal para cerca de 700), o que baratearia provavelmente as campanhas.

Muito provavelmente o número de votos desperdiçados sofreria uma redução proporcional de em torno de 90%, e consequentemente o número de votos desperdiçados seria muito baixo.

Em segundo lugar, a mudança da regra eleitoral também produzirá alteração no comportamento dos eleitores. Eles irão votar apenas em candidatos viáveis e ajustarão seu comportamento estrategicamente. O suposto de que as regras mudarão, mas os eleitores não, focaliza o equilíbrio parcial ignorando o equilíbrio geral do sistema.

Acontece que o distritão não vem sozinho. A proposta também inclui o megafundo eleitoral e cláusula de desempenho. Combinados, os seus efeitos são a fórmula perfeita para garantir a perpetuação dos atuais titulares dos cargos. 

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

delatar é como respirar

Delatores da Odebrecht vão para regime semiaberto

Mônica Bergamo


Delatores da Odebrecht já começam a gozar dos benefícios da progressão de pena. Os primeiros são Márcio Farias e Rogério Araújo. Condenados a 19 anos e quatro meses de prisão, eles foram presos na 14ª fase da Operação Lava Jato e depois colocados em prisão domiciliar. Com a mudança de regime, vão poder sair durante o dia, voltando para casa às 22h.

NA TRILHA

Os dois executivos, que foram condenados pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa, vão continuar usando tornozeleiras.

POUCOS E BONS

Entre os 77 delatores da empreiteira, apenas Marcelo Odebrecht e Hilberto Mascarenhas seguem presos -o primeiro, encarcerado. O segundo, em prisão domiciliar. Os outros executivos ainda não começaram a cumprir pena.

TIJOLO

E delatores têm reformado suas casas para a prisão domiciliar. Alguns se mudaram para perto de familiares e estão preparando a nova residência. Um executivo da Odebrecht se prepara para cumprir a pena na casa de campo em Itaipava. E um terceiro mandou fazer um quarto com acústica para tocar bateria.

FILA

A disputa pelas vagas do PT ao Senado já esquentou. O ex-secretário dos Transportes Jilmar Tatto pretende disputar com o vereador Eduardo Suplicy as prévias para a candidatura.
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Lula já sinalizou que, se Suplicy quiser, ele deve ter a preferência para disputar.

DESENHO

Serão duas vagas de senador em disputa em 2018. O ex-prefeito Fernando Haddad também é lembrado para ocupar uma delas.
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Nesse desenho, Suplicy concorreria a deputado federal e a segunda candidatura seria dada a alguma legenda que se aliasse ao PT.
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A LETRA DA LEI

Juristas e advogados como Celso Bandeira de Mello, Alberto Toron, Fábio Tofic Simantob, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, e Marco Aurélio de Carvalho estiveram segunda (14) no lançamento do livro "Comentários a uma Sentença Anunciada - o Processo Lula". As professoras de direito Carol Proner e Gisele Cittadino, organizadoras da obra, e o ex-ministro José Eduardo Cardozo estiveram no evento, na PUC-SP.
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DIA DE CÃO

João Doria vai levar dois de seus cachorros para o SP Animal Evento, uma confraternização entre famílias e animais que a prefeitura vai realizar no domingo (20) na Praça Charles Miller, no Pacaembu. No dia haverá também uma caminhada de 1,5 km com os cães na avenida Pacaembu. A iniciativa marca o início da campanha de vacinação contra a raiva.

TENTE OUTRA VEZ

O Prêmio da Música Brasileira obteve autorização do Ministério da Cultura para captar R$ 9,8 milhões para sua edição do ano que vem. A última cerimônia do prêmio, em julho deste ano, não teve patrocínio e contou com a participação voluntária de artistas para ocorrer.

QUERIDA

A cantora Alcione será o centro de um documentário que deve estrear em maio do próximo ano. As filmagens de "Eu sou a Marrom" já começaram em São Luís, no Maranhão, onde a intérprete nasceu. A diretora, Angela Zoé, afirma que o filme vai contar a história sob o ponto de vista dos fãs -Alcione tem "rejeição zero" do público "por causa da cor, do suingue e da simpatia", diz.
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TODAS AS CENAS

A programação da Semana de Arte começou na segunda-feira (14) com uma performance da atriz Maria Luisa Mendonça no teatro Tucarena. A galerista Luisa Strina esteve no evento.
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É PROIBIDO

O vereador Fernando Holiday (DEM-SP) apresentou um projeto de lei que pune "flanelinhas" (guardadores de carros) que coagirem motoristas "de qualquer forma, mesmo que velada", a contratarem seus serviços. A multa, de R$ 1.500, também seria aplicada àqueles que sugerirem um preço tabelado para vigiar veículos.

GRAVADOR

O vereador diz que a averiguação das denúncias teria que ser regulamentada pela prefeitura e prevê que elas poderão ser comprovadas por meio de gravação.
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CURTO-CIRCUITO

O ator Johnny Massaro participa da leitura da peça "Trate-me Leão", do grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone. Hoje, às 21h, no teatro Tucarena.

Nelson Cury Filho lança o livro "Sucessão ou Morte da Empresa Familiar?". Hoje, às 19h, na Livraria Cultura do shopping Iguatemi

Estreia hoje a peça "Nós, os Outros Ilesos". Às 20h, na Oficina Cultural Oswald de Andrade.

Vivemos em uma espécie de autocracia picareta, que faz a maior parte do país de refém, parlamentares e governo que procuram escapar da cadeia e distribuem o butim enquanto durar essa oportunidade curta de saque.

Governo engorda para emagrecer 

Vinicius Torres Freire


OS ECONOMISTAS do governo e seus amigos no mercado teriam chiliques caso Michel Temer, ao tomar posse, tivesse criado impostos e planejasse estourar a meta de gastos a fim de aumentar o investimento público.

O governo, porém, acaba de aumentar impostos e estourar ainda mais as suas contas a fim de pagar o reajuste dos servidores federais, gracinha que concedeu em julho do ano passado.

Nesta terça (15), a equipe econômica anunciou um pacote desesperado a fim de corrigir a besteira e conter outras à espreita: a coalizão temeriana rasgou de vez a fantasia responsável depois da folia que manteve o presidente no poder.

A casta burocrática e o estamento empresarial com amigos e representantes no Congresso hastearam as bandeiras piratas e planejam saquear o Estado quase falido.

Parlamentares temerianos inventam gastos e rejeitam tanto aumentar impostos como votar remendos na Previdência. Planejam assim um colapso à moda do Rio de Janeiro, um modo de dizer apenas, pois o desastre teria outro feitio.

É conversa mole do governo dizer que estourou suas metas já extravagantes de deficit fiscal porque a inflação baixa reduziu a arrecadação prevista. Sim, a receita cai pelas tabelas, por vários motivos, IPCA baixo inclusive. Mas o governo:
a) gastou mais no que não devia, repita-se; b) por convicção fundamentalista e interesses da coalizão Patópolis, mal movera até agora uma palha a fim de aumentar a receita. Orgulha-se disso, aliás. Prefere pedir emprestado, a juro de 10%, conta a ser paga com o couro do povaréu, a aumentar imposto.

A despesa com servidores cresceu mais de 11% neste ano, já descontada a inflação. Neste século, é aumento inferior apenas ao de Lula em 2009. No ano, apenas o gasto extra com pessoal e encargos sociais federais deve ficar perto de R$ 30 bilhões. Pelo andar atual da carruagem, todo o dinheiro federal destinado a investimentos ("obras" etc.) não deve ser muito mais do que isso neste 2017.

No entanto, os economistas-padrão dos dias que correm, em especial aqueles no governo, consideram anátema elevar despesa de investimento a fim de dar um impulso para tirar o país do buraco recessivo. Dado o tamanho dos outros problemas, porém, a discussão é quase acadêmica.

As dívidas de campanha que Temer fez para se manter no poder custam até pouco em comparação com os efeitos do descaramento terminal da elite bucaneira.

Gente da coalizão temeriana jogou no lixo a medida provisória da "reoneração" (empresas voltariam a contribuir para a Previdência como o faziam antes dos favores de Dilma Rousseff).

Quer perdoar multas e juros de impostos atrasados (fazendo picadinho com farofa da MP do Refis com a qual o governo esperava arrecadar R$ 13 bilhões).

Juízes e procuradores querem aumento ou manter a farra dos penduricalhos que multiplicam seus salários. Etc. A reforma política dos fugitivos da política concentra-se justamente no "distritão" (policial?).

Isto posto, o que vai sobrar do pacote de agosto?

Vivemos em uma espécie de autocracia picareta, que faz a maior parte do país de refém, parlamentares e governo que procuram escapar da cadeia e distribuem o butim enquanto durar essa oportunidade curta de saque.

no dia em que os mercados se derem conta de que as coisas não necessariamente tomarão o rumo por eles desejado, o ajuste poderá ser violento.

Pressupostos frágeis

Helio Schwartsman 

Painel da Bolsa de Madri: exterior ajudou mercado acionário brasileiro a subir nesta sexta

Apesar de a crise política não dar sinais de arrefecer, os mercados sorriem para o Brasil. A Bolsa anda perto dos 68 mil pontos (batera em 62 mil no "day after" da gravação de Joesley) e o dólar está comportado. Nem o aumento do rombo fiscal alterou o quadro.

Há dois motivos principais para isso. Em primeiro lugar, a situação externa é extremamente favorável. Há enorme liquidez e baixa aversão ao risco lá fora. Em segundo, o mercado trabalha com o pressuposto de que a racionalidade prevalecerá no país. Mas será que vai mesmo?

Até maio, esse era um cenário bem plausível. A equipe econômica tinha uma proposta para impedir uma expansão insustentável da dívida pública. Era um plano em dois tempos. A primeira parte, a criação de um limite para os gastos públicos, foi inscrita na Carta. A segunda, as reformas, notadamente a da Previdência, que dariam ao governo meios concretos de conter o aumento das despesas, estavam encaminhadas.

Mas veio o "affaire" Joesley e a base parlamentar de Temer sofreu um tremendo revés. Hoje, parecem remotas as chance de aprovação até de uma reforma ultradiluída da Previdência. O problema é que o primeiro tempo sem o segundo não funciona. Dado que os gastos previdenciários, que são obrigatórios, têm crescimento vegetativo, a existência do teto sem uma mudança de regras que permita conter essas despesas logo fará com que a totalidade das verbas disponíveis seja consumida com salários e aposentadorias. Em outras palavras, vai faltar dinheiro para saúde, educação, segurança etc.

Num mundo perfeitamente racional, seria questão de tempo até os parlamentares aprovarem as reformas que ficaram faltando. Não estou tão seguro, porém, de que o epíteto "racional" se aplique à política. E, no dia em que os mercados se derem conta de que as coisas não necessariamente tomarão o rumo por eles desejado, o ajuste poderá ser violento. 

detalhes de pedidos, notas, revisão e classificação de risco.

Meirelles pediu a agências de classificação de risco prazo de três meses para revisão de notas do Brasil

POR PAINEL

Só resta gastar saliva Ciente de que a revisão da meta fiscal seria inevitável, o ministro Henrique Meirelles (Fazenda) entrou em contato nesta semana com representantes das três grandes agências internacionais de classificação de risco e pediu que esperassem um trimestre antes de rever as notas brasileiras. Com o gesto, tenta evitar um novo rebaixamento e o consequente abalo para ações de grandes empresas e investidores. Também para conter danos, falou com dirigentes dos principais bancos do país.

Queda de braço Meirelles ficou irritado — mas não surpreso — com o fato de Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado, ter antecipado o valor da nova meta.

O filho é teu Jucá, por sua vez, deixou claro ao Planalto que ficou incomodado com o fato de terem atribuído a ele, nos bastidores, pleito para elevar o rombo na meta para R$ 179 bilhões — ela ficou em R$ 159 bilhões.

Tragam de volta 

Deputados contrários à criação do fundo eleitoral sugeriram ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que tente convencer o Senado a retomar a discussão sobre a PEC que restabelece o financiamento empresarial.

Do mesmo saco 

O Vem Pra Rua vai lançar na internet o movimento ‘Tchau, queridos’, listando deputados que apoiam a criação do fundo de R$ 3,6 bilhões para custear a eleição, que não aceitaram a denúncia contra o presidente Michel Temer e que não apoiaram o impeachment da petista Dilma Rousseff.

Muda tudo 

O grupo coordena uma frente de renovação do Congresso. Integrantes do VPR dizem que o bloco é apartidário e que têm percorrido o país para estimular novas candidaturas.

Pelas beiradas 

O prefeito de SP, João Doria, levou o colega Jonas Donizette (PSB), de Campinas, para acompanhá-lo em viagem a Palmas, na segunda (14). Donizette tem mostrado apetite para assumir a presidência do PSB paulista — hoje nas mãos de Márcio França, vice do governador Geraldo Alckmin.

Fale com ele 

Advogados do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) tentaram até o último minuto convencer a PGR a fechar um acordo com o peemedebista. Num apelo final, ao serem informados na sexta (11) de que as negociações seriam encerradas, pediram que os procuradores fossem a Curitiba ouvi-lo.

Nem vem 

Investigadores dizem que, durante as tratativas, ficou evidente que Cunha omitiu fatos e protegeu amigos. Aliados do peemedebista apostam que ele tentará apresentar fatos novos à equipe de Raquel Dodge, que assume a PGR em setembro.

Retornem 

O TCU julga nesta quarta (15) recomendação para que todos os policiais militares do DF cedidos a outros órgãos sejam devolvidos à corporação. Boa parte dos 730 PMs que estão fora auxiliam a PGR e o Ministério Público local.

Agora sim 

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-ministro Clóvis Carvalho vão prestar depoimento na quinta (17) como testemunhas de defesa do ex-presidente Lula na Operação Zelotes. Eles serão ouvidos pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, por videoconferência.

Tapete vermelho 

O advogado Rodrigo Tacla Durán, que acusa a Odebrecht de omitir informações e apresentar provas falsas à Lava Jato, vai falar à Comissão de Segurança Pública da Câmara dia 29, por videoconferência. A empreiteira nega irregularidades. Procuradores afirmam que ele mente.


TIROTEIO

Temer inova e cria novas modalidades para o Minha Casa, Minha Vida: uma linha para nutricionista e camareira da primeira-dama.

DE LINDBERGH FARIAS (RJ), líder do PT no Senado, sobre o Planalto aprovar a concessão de apartamento funcional para duas assessoras da Presidência.

CONTRAPONTO

Por você eu largo tudo

Em ato de lançamento do livro “Comentários a uma Sentença Anunciada: o Processo Lula”, na noite de segunda-feira (14), na PUC-SP, o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, fez críticas à Lava Jato e ironizou integrantes da força-tarefa.

Durante a fala, ele lembrou a campanha do MPF para a coleta de assinaturas a favor das Dez Medidas Contra a Corrupção e disse que nem todas as pessoas que endossaram o pacote tinham lido o texto.

— Por exemplo, acionaram a Maria Fernanda Cândido para ir às ruas pedir assinaturas. Se ela me pede para fazer qualquer coisa, eu faço! — brincou.