Alamanaqueiras: ou não queiras.

Alamanaqueiras: ou não queiras.

Playlist Almanaqueiras

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

seguuuuura.

Meirelles segura na mão de Deus e vai 

Vinicius Torres Freire




Henrique Meirelles pode ainda não ser candidato a presidente, mas está à beira de se tornar "presidenciável", esse nome brasileirinho para aqueles ensaios de candidatura do gênero "vai que cola".

Desde junho, o ministro vai a festas e palestras de evangélicos, da Assembleia de Deus; nesse mês, estreou no Twitter.

Se é uma estratégia de pré-candidatura, faz sentido. Meirelles não tem máquina partidária grande nem grupo político relevante. Mas os evangélicos pentecostais são 21% do eleitorado, pelos levantamentos do Datafolha. Outros 8% são evangélicos não pentecostais. A bancada evangélica na Câmara tem quase 90 deputados. Caso consiga difundir seu nome entre esses eleitores, pode aparecer com alguns pontos nas pesquisas eleitorais. Torna-se, então, presidenciável.

A conversa da candidatura voltou a ficar mais ruidosa desde a semana passada, quando o PSD, partido do ministro, o relançou à Presidência. Sim, relançou, pois Gilberto Kassab, ministro de Ciência e Comunicações e dono do partido de 39 deputados, trata disso pelo menos desde abril do ano passado, quando Meirelles era ainda apenas cotado para assumir a Fazenda de Michel Temer. No final do ano, Meirelles deve ser a estrela do programa eleitoral do partido, na TV.

Nesta semana, vazou um vídeo em que Meirelles manda uma mensagem para evangélicos cariocas, de um minuto e meio, filmagem amadora, em que o ministro aparece com o que parece ser uma Bíblia aberta à sua esquerda.

"Me sinto à vontade para conversar com vocês porque temos os mesmos valores. Valores da lei de Deus e dos homens visando crescer e colaborar com o país. Portanto, preciso da oração de todos", diz o ministro. No fim do vídeo, sobre fotos de árvores floridas, aparecem os textos "vamos ajudar o Brasil" e "outubro, mês de oração pela economia".

Meirelles de fato ouviu dos deputados do PSD um convite para se lançar candidato. Mas não teria dito nada respeito. Segundo um participante da reunião, Meirelles riu e "fez cara de vaidoso", uma reação típica do ministro quando confrontado com a ideia de uma possível candidatura. Ri, feliz, dá um olhar cúmplice e muda de assunto.

Lideranças religiosas da Assembleia de Deus dizem que não se discute política ou se pede voto nos encontros em que Meirelles aparece.

O ministro da Fazenda não conta por ora com a boa vontade do círculo político de Temer, o que pode não parecer grande empecilho, dado que está todo mundo com um pé na porta da cadeia. No entanto, o pessoal do Planalto não facilitaria a promoção da imagem de Meirelles e muito menos ainda seu trânsito no PMDB. Sim, o PMDB ainda pensa o que fazer da vida em 2018 e está uma confusão maior do que a habitual. Mas o nome do ministro "simplesmente agora não está sobre a mesa. E nem debaixo", diz um senador do partido.

Meirelles teria de sair em abril para disputar a eleição, o que não é simples. Antes disso, Meirelles teria de parecer uma candidatura mais que nanica nas pesquisas. Além de fazer pré-campanha mais direta, ter intenções de voto, teria de contar que recuperação econômica fosse mais que nanoscópica, tivesse efeitos práticos mais difusos. Difícil. Mas, na confusão brasileira, vai que cola.

Melhor ser corrupto na Bulgária, por exemplo.

No Brasil ou na Bulgária, pobreza favorece os esquemas da corrupção 

Marcelo Coelho



Claro que a corrupção não existe só no Brasil. Por muito tempo, foi dito que a diferença –para pior– estava na impunidade reinante por aqui. A opinião persiste, pela inércia que é a força de todo clichê. Mas chego a duvidar se, em algum outro país do mundo, há tantos figurões presos como no Brasil.

Melhor ser corrupto na Bulgária, por exemplo. As coisas por lá, a julgar pelo filme "Glory", atualmente em cartaz no Belas Artes e no Frei Caneca, são mais fáceis –apesar de muito parecidas.

A negociata, da qual temos vaga indicação no início da história, envolve contratos ferroviários de grande monta. Talvez em função do noticiário, alguém resolve se livrar de uma dinheirama, jogando-a num trecho perdido da estrada de ferro.

Tenho de contar um pouco do filme, cujas surpresas e grandes momentos se devem mais aos detalhes da encenação e à extraordinária performance dos atores do que às peripécias do enredo. Um trabalhador paupérrimo da ferrovia (vivido por Stefan Denolyubov, numa atuação digna de Oscar) acha o dinheiro e avisa as autoridades.

Numa cerimônia oficial, em que se reconhecem ainda os restos da cultura socialista, esse herói da honestidade ganha um relógio de presente. O relógio não funciona direito, entretanto, e no dia seguinte o trabalhador volta ao Ministério dos Transportes para fazer um pedido.

Não é que ele queira outro relógio. Quer o antigo, que lhe fora dado pelo pai, com seu nome gravado atrás. Na correria, a chefe de relações públicas do ministério tinha guardado esse relógio para que não fosse preciso trocá-lo na hora da premiação.

Tanto quanto o trabalhador honesto, essa assessora do governo (Margita Gosheva, convincente do alto da cabeça à ponta do salto alto) ocupa o foco da narrativa.

O filme de Kristina Grozeva e Petar Valchanov se alterna entre esses dois pontos de vista. Sem esconder a simpatia pelo homem pobre e honesto, "Glory" atinge uma curiosa imparcialidade ao descrever o que são, no fundo, duas lógicas (e não apenas duas éticas) distintas.

O mundo do trabalhador ferroviário é primitivo, silencioso, inarticulado e lento. Ele tem tempo de sobra para esperar. Deixam-no pendurado no telefone, em busca do relógio velho, por horas, dias, semanas; ele faz e refaz sua viagem de trem até a sede do ministério; em casa, no meio do mato, cria coelhos.

A assessora de imprensa –numa das muitas simetrias sutis desse filme– faz tratamento para engravidar. Mas sua vida está tão perturbada com o esforço de abafar escândalos e neutralizar a imprensa que não tem cabeça para isso –muito menos para o relógio do trabalhador.

Este irá apelar a um telejornalista, interessado menos ainda no caso do relógio, mas disposto a arrancar declarações bombásticas do pobre coitado –incapaz, como se vê desde o início da história, de seguir qualquer roteiro midiático.

Há também uma pequena máfia atrapalhando o caminho: além da corrupção ministerial, ocorrem pequenos roubos de material na ferrovia, e os colegas do trabalhador honesto se armam contra seu comportamento.

Até onde se pode ver pelo filme, algumas diferenças com o Brasil são inegáveis: não há Polícia Federal ou Ministério Público a que se possa recorrer, e o único repórter investigativo em atividade é um apresentador de programas criminais no estilo Datena.

Ao mesmo tempo, "Glory" mostra alguns pressupostos da corrupção que, muito presentes também no Brasil, nem sempre levamos em conta.

As desigualdades de renda, por exemplo. Quando pede para lhe devolverem o relógio, o trabalhador se torna um estorvo para quem tem coisas mais importantes a fazer.

Não sabe se explicar direito; não terá como reclamar; está atrás de uma porcaria sem valor; já cumpriu sua função na cerimônia; é um chato, é um burro, é um... pobre, enfim.

O pobre, no Brasil ou na Bulgária, no setor público ou no setor privado, ainda não é visto como cidadão pleno; é visto, sobretudo, como um atraso de vida, uma atrapalhação. A polícia serve para deixá-lo de bico calado.

Crime de colarinho branco e banditismo puro se aliam mais do que parece. Tráfico, milícias, empreiteiras, governadores, deputados: a história há de ir longe, e, onde existe pobreza, reclamar é sempre um luxo.

o combate à homofobia e ao sexismo não pode ser, para a esquerda, uma pauta secundária. É central por sua importância intrínseca - estão em jogo a integridade física e a autonomia moral de milhões de pessoas.

   
Luis Felipe Miguel

Pessoa que não conheço (e agora já devidamente bloqueada) manda vídeo inbox. O título: "Proteja seus filhos".
Achei interessante. Há muito coisa da qual eu gostaria de proteger meu filho. Gostaria de protegê-lo da exploração, da intolerância, do preconceito, do desamor, da ignorância, do obscurantismo, do egoísmo, da competição desenfreada, da destruição ambiental, da injustiça, da ausência de direitos, da arbitrariedade...

Mas o vídeo não é nada disso. É para proteger da "ditadura gay" - sim, usando essa expressão, a sério.

O pânico moral que os fundamentalistas alimentam não é um elemento secundário da conjuntura política ou uma sobrevivência arcaica. É um componente central da estratégia da direita. Permite mobilizar uma ampla base social e bloquear o debate politico. Por isso, o combate à homofobia e ao sexismo não pode ser, para a esquerda, uma pauta secundária. É central por sua importância intrínseca - estão em jogo a integridade física e a autonomia moral de milhões de pessoas. E é central também porque, sem esse combate, haverá sempre um largo rebanho disposto a endossar o discurso do reacionarismo mais extremado.

Espera-se, assim, que a maior parte dos ministros que ainda não votaram acompanhe o relator.

Ensino laico

editorial folha

ORG XMIT: 425701_1.tif Piaui--Col gio Sao Francisco de Sales (DIOCESANO) - aula de Ensino Religioso - Teresina-PI - 08-02-05 - foto: Benonias Cardoso/Folhapress


Está na pauta do Supremo Tribunal Federal o julgamento de ação direta de inconstitucionalidade que contesta o ensino religioso de caráter confessional em escolas públicas. A análise do tema, que teve início no mês passado, foi interrompida, devido ao adiantado da hora, quando 5 dos 11 ministros já haviam se manifestado.

Dois deles —Rosa Weber e Luiz Fux— acompanharam o relator, Luís Roberto Barroso, para o qual o tratamento da disciplina na rede pública precisa ser necessariamente não confessional, isto é, desvinculado de crenças específicas. Já Alexandre de Moraes e Edson Fachin votaram pela possibilidade de cursos ligados a igrejas.

Os ministros que divergiram apresentaram argumentos interessantes, mas a interpretação sistemática dos preceitos constitucionais proposta por Barroso ainda parece a menos traumática para dar conta da ação impetrada pela Procuradoria-Geral da República.

Levar o ensino religioso a escolas federais, estaduais e municipais, mesmo com matrícula facultativa, mostrou-se um erro do constituinte. Não se trata aqui de contestar a importância da fé para indivíduos ou para a sociedade; a questão é que as igrejas nunca precisaram do púlpito escolar para dar publicidade a suas doutrinas.

Sendo assim, resta pouco sentido em consumir tempo e recursos escassos da educação do país com algo que outras entidades já fazem com eficiência.

A introdução da disciplina no currículo criou a dificuldade de conciliá-la com o princípio da laicidade do Estado, segundo o qual este deve manter posição de neutralidade plena em relação a todos os credos –e também à descrença de parte dos cidadãos.

Ora, dado que tanto o ensino religioso quanto a laicidade são mandamentos da Constituição, o modo menos canhestro de harmonizá-los é sacrificando qualquer caráter confessional, isto é, toda associação direta do poder público com esta ou aquela fé.

Na impossibilidade de proporcionar aulas associadas a todas as preferências, afigura-se mais adequado abraçar um modelo em que se tenta abordar o fenômeno religioso no que ele tem de universal, explicando o surgimento das principais doutrinas. Às próprias igrejas caberia levar ensinamentos mais dogmáticos a seus fiéis.

Espera-se, assim, que a maior parte dos ministros que ainda não votaram acompanhe o relator.

Meu receio é que o afrouxamento promovido pela liminar leve alguns profissionais, geralmente ligados a igrejas, a insistir nessa tecla.

A cura gay 

Helio Schwartsman 


Bandeiras com as cores em protesto contra o projeto conhecido como "cura gay" em Porto Alegre, no RS


Causou comoção nas redes sociais a liminar de um juiz de Brasília que proibiu o Conselho Federal de Psicologia (CFP) de proibir terapias de reversão sexual. A decisão judicial é um pouco mais sutil do que os comentários nas redes deixam entrever, mas, mesmo assim, penso que o magistrado errou.

O juiz não chegou a suspender a resolução 001/90 do CFP que afirma que a homossexualidade não deve ser patologizada e que veda submeter homossexuais a tratamentos não solicitados, mas exige que o Conselho a interprete de modo a não impedir que profissionais realizem "qualquer estudo ou atendimento relacionados à orientação ou reorientação sexual".

O terreno aqui é pantanoso, mas eu não penso que a resolução, em suas hermenêuticas mais intuitivas, chegasse a impedir a realização de estudos (que, vale lembrar, precisam ser autorizados por comitês de ética que tendem a ser bem mais rigorosos que o CFP) ou de atendimentos, desde que não coercitivos. O que ela corretamente veta é que o psicólogo coloque na cabeça de seus pacientes a ideia de que ser gay é uma falha moral que pode e deve ser revertida. Meu receio é que o afrouxamento promovido pela liminar leve alguns profissionais, geralmente ligados a igrejas, a insistir nessa tecla.

A questão de fundo é que a Justiça precisa aprender que existem matérias, notadamente aquelas ligadas à ciência, que são mais bem reguladas pelo consenso entre especialistas do que por juízes.

É verdade que a psicologia não goza do mesmo estatuto epistemológico da física e nem sequer pode contar com o auxílio de alguns marcadores biológicos como a medicina. Ainda assim, se os psicólogos, usando a melhor metodologia disponível, chegaram à conclusão de que o homossexualismo não é doença e não comporta "reversão", o Judiciário deveria ser sábio o bastante para não contestar isso.

A tragédia do Supremo Tribunal é que ele corre o risco de descobrir que desperdiçou sua autoridade apenas no momento em que suas determinações deixem de serem seguidas. Se isso vier a ocorrer, tragicamente, será tarde demais.

A tragédia no STF 

Thomaz Pereira


BRASILIA, DF, BRASIL, 17-08-2017, 12h00: Sessão do STF, sob a presidência da ministra Carmen Lucia. O STF retoma julgamento de quatro ações ajuizadas pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria impugnando leis de três Estados (PE, RS e SP) e do município de São Paulo que proíbem a produção, comércio e uso de produtos com amianto nos respectivos territórios. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)


Na Economia, a noção de "tragédia dos comuns" designa o risco de esgotamento de um bem coletivo em razão do uso egoísta por membros da coletividade.

Sendo os benefícios pessoais, e os custos diluídos no grupo, cada indivíduo tem incentivo para usar o recurso ao máximo -e à exaustão.

O conceito explica a atual situação do Supremo Tribunal Federal. A sua autoridade é um recurso escasso, da qual depende o respeito por suas decisões. É também um recurso coletivo, que cada ministro tem usado conforme seus próprios interesses.

Ao atuarem individualmente, os ministros se beneficiam sozinhos da autoridade coletiva do tribunal -e a erodem.

A autoridade da corte é por eles consumida em pronunciamentos políticos na imprensa, em liminares heterodoxas, em pedidos de vista que impedem o julgamento de processos e em participações em julgamentos em que deveriam se declarar suspeitos.

Os economistas sugerem duas soluções para a "tragédia dos comuns": regulação ou cooperação. Nenhuma delas parece funcionar no caso do STF.

Não falta regulação. Tanto a lei como o regimento interno do tribunal disciplinam o comportamento dos ministros, sem sucesso.

A lei proíbe que deem opinião sobre decisões judiciais ou processos pendentes de julgamento, mas isso não os tem impedido de se manifestarem corriqueiramente na imprensa.
Liminares muitas vezes são concedidas mesmo sem apoio na jurisprudência do STF, ou mesmo quando proibidas por lei específica. E, quando concedidas de forma controversa, nem sempre são prontamente submetidas ao plenário.

Pedidos de vista interrompem julgamentos por meses, ou mesmo anos, ignorando o prazo regimental. Arguições de impedimento são arquivadas sem serem levadas ao plenário, tornando cada ministro o único juiz de sua própria suspeição.

Na ausência de instituição capaz de impor o cumprimento das regras existentes, só resta a cooperação como limite mútuo entre os ministros. No entanto, estes não se coordenam para limitar seus colegas. Permitem que cada um aja sem receio do colegiado.

Ficam, assim, desenhadas as condições para o esgotamento individual da autoridade coletiva do Supremo.

A preocupação não é teórica. A corte já experimenta reações a decisões individuais de seus magistrados. Quando uma liminar determinou o afastamento de Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Senado Federal, o tribunal foi surpreendido pela resistência dos senadores, indicando que só obedeceriam ao colegiado.

Quando outra liminar determinou o retorno à Câmara dos Deputados do projeto das dez medidas contra a corrupção, um "acordo" teve de ser feito depois que Rodrigo Maia (DEM-RJ) sugeriu que o melhor caminho seria esperar uma decisão do plenário.

Aos poucos o tribunal é forçado a perceber na prática a escassez da sua autoridade, esbanjada irresponsavelmente.
Sobre o tema, ministros e seus defensores poderiam mencionar pesquisas que indicam maior confiança da população no Judiciário do que no Legislativo ou no Executivo. Não chega a ser motivo de comemoração, porém. Todos os três Poderes têm níveis de confiança baixos.

Em 2017, o Índice de Confiança na Justiça Brasileira, medido pela FGV Direito SP, foi de apenas 24%. Não só muito baixo como 5 pontos abaixo do índice de 2016.

A tragédia do Supremo Tribunal é que ele corre o risco de descobrir que desperdiçou sua autoridade apenas no momento em que suas determinações deixem de serem seguidas. Se isso vier a ocorrer, tragicamente, será tarde demais.

THOMAZ PEREIRA, 35, professor da FGV Direito Rio, é mestre e doutorando em direito pela Universidade Yale (EUA)

detalhes que se dividem em alas e siglas

Doria divide PSDB e ala da sigla quer rever cronograma que favorece candidatura de Alckmin

POR PAINEL



Dividir para reinar 

Somadas às declarações favoráveis de caciques de siglas aliadas, as andanças do prefeito de São Paulo, João Doria, surtiram efeito entre os integrantes do PSDB. Quadros do tucanato começam a dizer que pode ser precipitado definir o candidato ao Planalto em dezembro. A cúpula da sigla ainda está amarrada à ideia de apresentar o nome do partido para a disputa no fim deste ano — calendário que beneficia o governador Geraldo Alckmin — mas o cronograma não é mais unanimidade.

Cruz e espada 

A percepção de que Doria pode se tornar um nome mais competitivo é o que move a pequena ala que passou a defender o adiamento do anúncio do candidato do PSDB à Presidência. Mas há forte desconfiança sobre o comportamento do prefeito entre os tucanos.

Quem pisca 

Um deputado do PSDB tem dito aos colegas que Doria se tornou “a esperança desesperada” do partido. FHC, Tasso Jereissatti (CE) e Aécio Neves (MG) ainda apostam no governador paulista como a opção mais segura. Nenhum deles, porém, dá o prefeito como carta fora do baralho.


Reabilitado 

Isolado após a delação da J&F explodir, Aécio voltou a ser visto como personagem importante no xadrez interno. Ele esteve com Doria e depois com FHC na semana passada. Esta semana, foi convidado para jantar com Alckmin em SP.
Calculadora O PT fará reunião com os tesoureiros nas capitais para discutir as finanças da sigla, em outubro.

Bate e volta 

1 Advogado de Joesley e Wesley Batista, o criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, vai deixar os mais de 250 convidados de sua festa de aniversário, em Lisboa, sem anfitrião por no mínimo dois dias.

Bate e volta 2 

Kakay, que está em Portugal, voltará ao Brasil para tentar convencer o STJ a deixá-lo defender no plenário o pedido de habeas corpus para os empresários. O clima da corte não é ameno para os Batistas. O julgamento será nesta quinta (21).

Currículo 

Waldemar Cláudio de Carvalho, o juiz federal da 14ª Vara do DF que liberou a aplicação da terapia de “reversão sexual”, conhecida como “cura gay”, é candidato a uma vaga de desembargador no Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
Vai ter luta O plenário da corte elegerá, em 28 de setembro, nomes que vão compor uma lista tríplice a ser encaminhada ao presidente da República. Carvalho é um dos 14 candidatos ao posto. Movimentos LGBT organizam um protesto no dia.

Álibi 

O presidente Michel Temer passou boa parte do voo para os EUA, na segunda (18), comentando a entrevista de Ângelo Goulart Villela à Folha. Disse que a versão do procurador, que foi preso após a delação da J&F, endossa a tese de que ele foi perseguido pelo ex-procurador-geral Rodrigo Janot.

Sopa para o azar

A tentativa de Temer de represar no STF a última denúncia de Janot pode ser um tiro no pé, avaliam aliados. Ao tentar ganhar tempo, o presidente pode dar chance de o debate sobre as acusações se desenrolar em meio às negociações de uma eventual delação de Geddel Vieira Lima.

Na marra 

Sergio Moro contrariou parecer do MPF quando determinou, na segunda (18), que Rodrigo Tacla Duran — o advogado ligado à Odebrecht que fugiu para a Espanha — fosse citado no exterior para prestar depoimento no Brasil.

Ocupa e resiste 

O MPF havia sugerido a remessa de todas as provas contra o advogado àquele país, para que ele fosse processado lá.
Visita à Folha O professor emérito da USP Antonio Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda e colunista da Folha, visitou o jornal nesta terça-feira (19), a convite, onde foi recebido em almoço.

TIROTEIO

Com Michel Temer presidente, se Henrique Meirelles não chamar por Deus, como se diz na Bahia, a economia vai para o dendê.

DO SENADOR OTTO ALENCAR (PSD-BA), sobre o vídeo em que o ministro da Fazenda pede a evangélicos que rezem pela melhora das finanças do país.

CONTRAPONTO

Plateia imaginária

Em discurso no seminário internacional do Instituto Teotônio Vilela (ITV), Geraldo Alckmin relembrou uma viagem que fez com o ex-governador André Franco Montoro pelo interior do Estado para falar sobre o PSDB. A sigla havia acabado de ser fundada. O ano era 1988.

Segundo narrou, após passarem por três municípios do Vale do Paraíba, os tucanos chegaram à Câmara de Vereadores de Cruzeiro com duas horas de atraso.

Se depararam com apenas três pessoas na plateia e decidiram que apenas Montoro iria discursar. Ao subir ao púlpito e notar que um dos homens dormia,disse:
— É o entusiasmo de vocês que nos motiva!

terça-feira, 19 de setembro de 2017

"Enquanto houver bambu, lá vai flecha"

Flechas no bambuzal da notícia 

Folha Ombudsman

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As flechas finais prometidas pelo procurador-geral da República contra o presidente foram lançadas na quinta-feira passada. Rodrigo Janot denunciou, pela segunda vez, Michel Temer. A denúncia encaminhada ao Supremo Tribunal Federal acusa o presidente de chefiar uma organização criminosa, da qual fariam parte ministros e políticos próximos do PMDB.

"Enquanto houver bambu, lá vai flecha", disse Janot em julho, quando sinalizou que apresentaria nova denúncia contra o presidente antes de sair do cargo. Na segunda-feira, Raquel Dodge assume o bambuzal.

A nova procuradora-geral da República já deu indícios de que pretende imprimir seu estilo no rumo da Operação Lava Jato.

Iniciada em março de 2014, seus números oficiais, até agosto, impressionam: 165 condenações de 107 pessoas (contabilizando 1.634 anos, 7 meses e 25 dias de pena), 158 acordos de delação premiada, pedidos de ressarcimento de R$ 38 bilhões, R$ 6,4 bilhões em propinas.

A Procuradoria-Geral da República interpreta que Temer (PDMB) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) são chefes de dois grupos partidários com atuação criminosa. Ambos se tornaram assim alvos preferenciais do Ministério Público Federal. Tal similitude de papéis que, na visão dos procuradores, existe nem sempre se refletiu na cobertura da Folha. As acusações contra Lula e Temer foram tratadas de forma diferente pelo jornal.

Em 15 de setembro de 2016, a Folha publicou em sua manchete: "Lula era comandante máximo da propinocracia, diz Lava Jato"; logo abaixo completava: "Ex-presidente é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro; petista nega ter cometido crimes".

Um ano depois, na última sexta-feira, 15 de setembro de 2017, a manchete foi: "Janot acusa Temer de obstruir a Justiça; presidente ataca denúncia". Na linha fina, afirmava-se: "Procurador diz que Temer comprou silêncio de réus e integrou quadrilha; para o presidente, peça está cheia de absurdos".

Não se trata de exigir que fatos diferentes tenham tratamento igual. Há circunstâncias que podem mudar avaliações, exigir abordagens diferentes de notícias aparentemente semelhantes. No entanto, o jornal deve se preocupar em seguir padrões de apartidarismo e equilíbrio.
Uma das características da diferenciação editorial no jornalismo é a capacidade dos editores de eleger o assunto principal e decidir com qual enfoque tratá-lo.

O período da Lava Jato tem sido pródigo em situações que permitem ao crítico de mídia uma análise comparativa. Em críticas internas, por diversas vezes exemplifiquei tratamentos diferenciados que a Folha deu a situações que podem ser interpretadas como correspondentes.

Na primeira denúncia contra Temer, em junho, anotei que a Folha havia sido o único dos principais jornais a não utilizar o verbo "denunciar" -preferindo "acusar"- na manchete. Sua primeira página não teve o tratamento histórico que o momento exigia. Pela primeira vez, um presidente da República era denunciado por cometer crime no cargo.

Nesta segunda denúncia, a capa da Folha novamente se diferenciou dos outros jornais, não positivamente. Foi o único a destacar na capa a acusação de obstruir a Justiça, e não a de chefiar organização criminosa.

A aposta da manchete do jornal destoa da reportagem principal, que destacou as duas acusações ("Temer obstruiu investigação e chefiou quadrilha, diz Janot"). Análise de repórter especialista considerou que "a denúncia trata essencialmente de outro suposto crime: uma quadrilha de parlamentares comandada pelo presidente da República que usa alianças políticas 'como ferramenta para arrecadar propina'".

O secretário de Redação, Vinicius Mota, defende a opção. "Sobre a imputação de obstruir a Justiça, não há dúvida de que se refere a atos praticados no exercício do mandato presidencial, condição necessária para um presidente da República ser processado, de acordo com a Constituição. Daí a opção pelo destaque na manchete. Sobre a imputação de organização criminosa, que elenca fatos ocorridos antes de Michel Temer assumir a Presidência, o verbo "integrar" sumariza com eficácia o teor das quase 200 páginas dedicadas a essa parte da denúncia, que detalham práticas alegadamente de conluio criminoso entre todos os sete acusados."

Em decisão rara, a Folha usou parte da manchete para a defesa do presidente, no mesmo enunciado em que o acusava. Considero essencial que o jornal se empenhe em dar espaço e destaque para manifestação de acusados, ainda mais se tratando do presidente da República.

Leitores perguntaram à ombudsman se a Folha estava defendendo Temer. Não há caso equivalente que tenha encontrado em manchetes envolvendo Lula, Eduardo Cunha ou Renan Calheiros, para citar um ex-presidente e dois ex-presidentes de casas legislativas.

Mota diz que "o outro lado é pedra angular do jornalismo praticado pela Folha e, no enunciado da manchete, cumpriu a função de expor a linha de defesa contra uma acusação que, embora grave, não apresentou fatos relevantes novos."
As questões aqui expostas podem parecer filigranas para o leitor, mas são fundamentais na construção de práticas jornalísticas equilibradas, apartidárias e críticas. Trata-se da vitrine do jornal.

A excelência numa linha de conduta editorial e investigativa revelará quão essencial é para o leitor. São as flechas certeiras que farão a diferença no bambuzal das notícias.

detalhes sobre envios, denúncias e contra voltas.

STF pode enviar denúncia contra Temer de volta à PGR

Mônica Bergamo


Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) já aceitam discutir a possibilidade de enviar a denúncia contra Michel Temer, assinada por Rodrigo Janot, de volta à PGR (Procuradoria-Geral da República). Se isso ocorrer, caberá à nova procuradora-geral, Raquel Dodge, revisar o trabalho do antecessor -e adversário.

DEBATE

Pelo menos quatro magistrados já conversaram sobre o assunto internamente.

SÓ DEPOIS

Na sexta (15), Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, advogado de Temer, apresentou petição defendendo que a denúncia seja devolvida. Ele alega que a maior parte dos fatos elencados teriam ocorrido antes de o peemedebista assumir o mandato. E a lei diz que o presidente da República não pode responder por supostos crimes anteriores ao cargo -somente depois que sair dele.

LEIA COM ATENÇÃO

A Secom (Secretaria de Comunicação) do governo Temer distribuiu na segunda (14), por e-mail, a íntegra da entrevista do procurador da República Ângelo Goulart Villela, com severas críticas a Janot, publicada na Folha. Segundo ele, o ex-procurador queria derrubar o presidente para evitar que Raquel Dodge fosse nomeada para o comando do órgão.

TESTEMUNHA...

Os advogados de Lula vão juntar à apelação que fizeram ao TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) um parecer de Janot sobre a delação premiada de Léo Pinheiro -o ex-presidente da OAS cujo depoimento foi considerado fundamental para a condenação de Lula.

...DE DEFESA

Ao negar aos advogados acesso às tratativas de delação premiada de Pinheiro, Janot disse que "nesse momento, ainda não se tem certeza acerca do fornecimento de informações incriminadoras" sobre Lula. O parecer foi feito depois da condenação do ex-presidente.
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NOTAS MÍNIMAS

O compositor americano Philip Glass fez concerto neste sábado (16) com a participação da pianista Maki Namekawa. A cantora Marina Lima, a cineasta Monique Gardenberg e a arquiteta Lia Strauss assistiram à apresentação, na Sala São Paulo. O banqueiro Olavo Setubal Jr. também passou por lá com a mulher, Nádia.
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CEP

A Defensoria Pública de São Paulo teve que recorrer ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), em Brasília, para conseguir a liberdade de um homem que teve a prisão decretada por viver na rua.

CEP 2

Ele tinha sido condenado a cumprir pena em regime aberto, por furto, e deveria se recolher em sua residência no período noturno. Mas o juiz considerou que, por não ter endereço fixo, o réu deveria ir para a prisão. O STJ concedeu o habeas corpus.

BISTURI AFIADO

O Ministério da Justiça quer fazer mudanças na regulamentação dos planos de saúde. Uma das propostas em estudo na Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) exige a liberação da portabilidade entre as empresas a qualquer momento. Atualmente, só é possível mudar de seguradora depois de um ano, e nos 120 dias posteriores ao aniversário do contrato.

TABELA

A Secretaria também vai exigir que os hospitais coloquem a tabela dos preços cobrados dos consumidores em local visível. "Isso repercute no valor do plano de saúde", diz Arthur Rollo, secretário Nacional do Consumidor. As propostas serão levadas à comissão especial da Câmara dos Deputados que está revendo a Lei dos Planos de Saúde.

ESTICA...

Um grupo de parlamentares e artistas se reunirá nesta terça (19) com os presidentes da Câmara e do Senado para pedir a prorrogação do mecanismo de incentivo da Lei do Audiovisual. Nas condições atuais, o benefício seria interrompido em dezembro deste ano. As reuniões foram marcadas pelo senador Humberto Costa e pelos deputados Jandira Feghali e Chico D'Ângelo. Os cineastas Luiz Carlos Barreto, Cláudio Assis e Marina Person devem comparecer.

...E PUXA

Em agosto, o presidente Michel Temer vetou um projeto que adiava o fim o incentivo para 2019, com a justificativa de que faltava um estudo de impacto orçamentário na proposta. O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, afirmou que o veto "não precisa ser motivo de preocupação", já que o presidente enviou nova Medida Provisória para que esse estudo seja incluído.
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BELOS CLIQUES

A fotógrafa australiana Autumn Sonnichsen apresentou no sábado (16) sua nova exposição, "A Beleza é Inevitável", no Espaço Mira. O cantor Diego Moraes e a ex-desembargadora Cecília Mello compareceram ao evento.
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CURTO-CIRCUITO

Karin Sato inaugura nesta terça (19) nova unidade do Poke Poke Brasil, rede de comida havaiana. No shopping Morumbi.

Abilio Diniz comanda nesta terça (19) aula no curso Liderança 360º na FGV-SP.

O IDP-SP realiza nesta terça (19) o seminário Análise de Big Data e Políticas de Acordo.

Paula Lima faz show inédito 'voz e piano'. Nesta terça (19), às 21h, no Teatro Porto Seguro.

Apenas ressaltei que seu discurso reforça uma "anticultura" que, embora tenha muitos adeptos, precisa ser combatida.

O país merece um debate aprofundado sobre segurança no trânsito 

Nabil Bonduki 

SÃO PAULO,SP,06.09.2017:TRÂNSITO - Trânsito na Marginal Tietê, sentido Ayrton Senna próximo à Ponte Cruzeiro do Sul, em São Paulo (SP), nesta quarta-feira (06). (Foto: Rogerio Cavalheiro/Futura Press/Folhapress) ***PARCEIRO FOLHAPRESS - FOTO COM CUSTO EXTRA E CRÉDITOS OBRIGATÓRIOS***


O país merece debates consistentes para superar esse ambiente polarizado e empobrecedor, com disputas partidárias vazias que não contribuem para as políticas públicas.

Por isso, prefiro me referir ao artigo do líder do governo na Câmara, Aurélio Nomura, sem rebater seu discurso vago, aprofundando, nesta Semana da Mobilidade, a reflexão sobre segurança no trânsito.

Na coluna de 12/9, defendi que a "anticultura" da velocidade deve ser combatida pelos gestores públicos, ainda mais pelo prefeito da maior cidade brasileira, pré-candidato à Presidência.

O Brasil ocupa a quarta posição mundial em mortes no trânsito e a sexta em mortes por cem mil habitantes. Em dez anos, 450 mil pessoas morreram em acidentes no país.

Em São Paulo, esse número atingiu 12,5 mil vítimas (45% pedestres e 35% motociclistas). No entanto, são alentadores os avanços alcançados em gestões de diferentes partidos. O número de mortes no trânsito paulistano caiu de 1.463, em 2008, para 950, em 2016, uma redução de 35%.

A queda se acentuou em 2015, quando os limites de velocidade das vias e das marginais foram reduzidos. Nos últimos seis meses, entretanto, as mortes no trânsito da cidade cresceram 6,7% em relação ao mesmo período de 2016.

Reduzir a velocidade não foi uma medida isolada. Integrava a estratégia do Plano Diretor, que objetiva alterar o modelo de mobilidade do século 20, baseado no automóvel. Inclui iniciativas como corredores ou faixas exclusivas de ônibus, ciclovias, parklets, ruas abertas e a regulamentação de aplicativos (tipo Uber), estimulando o transporte público, a mobilidade ativa e a racionalização do uso do automóvel.

A redução de velocidade aumenta a segurança (o risco de morte em uma colisão frontal com o veículo a 50 km/h é de 20%; a 80km/h, ele sobe para 60%) e melhora o trânsito, pois possibilita uma menor distância entre os veículos, aumentando a capacidade das vias.

Essas corajosas medidas, apoiadas por todos os técnicos em mobilidade, contrariam os motoristas, que sempre foram privilegiados no trânsito. Por isso, são utilizadas politicamente, como os candidatos de oposição fizeram em 2016.

Nesse contexto, o slogan "Acelera SP", adotado por Doria, relacionava-se diretamente à proposta eleitoral de aumentar as velocidades e de denunciar a suposta indústria de multas, que desagrada o cidadão. Discurso populista, que dá votos, mas que não contribui para a urbanidade.

Em momento algum atribui ao prefeito a responsabilidade por todas as mortes no trânsito da cidade, como afirma Nomura. Apenas ressaltei que seu discurso reforça uma "anticultura" que, embora tenha muitos adeptos, precisa ser combatida.

que fase! que fase!

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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

detalhes de reduções, chances e discussões.

Redução das chances de Lula ser candidato faz PC do B discutir candidatura própria para 2018

POR PAINEL

O sol e a peneira 

No reflexo mais explícito do estrago que a ofensiva judicial fez às pretensões do ex-presidente Lula, o PC do B, parceiro histórico do PT em eleições nacionais, decidiu iniciar consulta aos seus dirigentes para buscar uma alternativa para 2018. A decisão foi tomada após uma série de reuniões ao longo da última semana. O depoimento de Antonio Palocci ao juiz Sergio Moro alastrou a sensação de que o petista não conseguirá ser candidato. E a sigla quer ter o próprio plano B até novembro.

Não é por mal 

Integrantes da legenda estão divididos sobre o movimento, mas ele foi deflagrado. Não haverá gesto hostil a Lula. Se ele puder concorrer, a aliança está assegurada — o problema, dizem, é que cada vez menos gente dentro e fora do PT acredita nessa possibilidade.

Erro de cálculo 

O recente ataque de Ciro Gomes (PDT-CE) a Lula foi um outro sintoma do movimento de desagregação da esquerda. Em revide, o PT afirma que, ao partir para cima do petista, o pré-candidato do PDT ao Planalto minou as chances de uma aliança caso o ex-presidente não possa ser candidato.

Chega para lá 

Integrantes de movimentos sociais ligados ao PT dizem que o gesto aumentou a rejeição a Ciro.

Esquenta 

Apesar de Palocci, Lula segue em agenda de candidato. Nesta semana, o PT formará uma comissão para definir detalhes da caravana de Lula por Minas Gerais, em outubro.

Road show 

Geraldo Alckmin tem feito uma série de conversas com economistas. A mais recente foi com Joaquim Levy, ministro da Fazenda de Dilma Rousseff e atual diretor financeiro do Banco Mundial. O governador tem encontro agendado na Casa das Garças, no Rio.

Road show 2 

Alckmin esteve também com o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga e Eduardo Giannetti da Fonseca, que assessorou a ex-senadora Marina Silva em suas campanhas pela Presidência.

Tira a poeira 

Diante do impasse da reforma política, deputados desengavetam projetos que limitam o número de partidos. João Gualberto (PSDB-BA) propõe cancelar registros de legendas que não conseguirem obter pelo menos 500 mil votos nas eleições.

Fica a dica 

Em sessão no TRF 1, o procurador José Alfredo de Paula Silva, que vai assumir a coordenação da Lava Jato em Brasília, afirmou que a atuação de Raquel Dodge, nova chefe do MPF, será marcada pela discrição. Segundo ele, o órgão “não pode querer ser um ator da agenda política”.

Fica a dica 2 

“Não é nosso papel. Nós já temos poder demais com o que fazemos. A nossa responsabilidade é muito grande para que queiramos amplificá-la indevidamente”, disse Paula Silva.

Na torcida 

Crítico de Janot, o ministro Gilmar Mendes participará da posse de Dodge nesta segunda (18). O presidente Michel Temer fará um discurso rápido antes de embarcar para os EUA.

Chama o reforço 

A defesa de Ricardo Saud e Joesley Batista vai apensar pareceres em peça que será enviada ao ministro Edson Fachin, do STF, na tentativa de evitar a rescisão da colaboração premiada da J&F.

Vem a calhar 

Executivos de empresas que negociam leniência e têm que lidar com demandas de AGU, CGU e TCU têm se referido de brincadeira às três instituições como “Sistema U”, uma analogia ao Sistema S.

Sinais 

O prefeito de Campinas, Jonas Donizette, presidente da Frente Nacional de Prefeitos e próximo a João Doria, comandará o PSB paulista em 2018 no lugar de Marcio França. Com a troca, o vice-governador quer mantê-lo integrado a seu projeto eleitoral em São Paulo.

TIROTEIO

Esperamos que Raquel Dodge escolha como inimigo o combate à corrupção e não a Polícia Federal, como fez Rodrigo Janot.

DE CARLOS EDUARDO SOBRAL, presidente da ADPF (Associação dos Delegados de Polícia Federal), sobre os desentendimentos entre a PF e o MPF.

CONTRAPONTO

Penetras na própria causa

Logo após promover ato no Congresso contra o decreto que extingue a Renca, na terça-feira (12), o grupo composto por artistas e ativistas se organizou para uma reunião com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Em fila indiana, atores, cantores, ambientalistas e representantes de comunidades indígenas começaram a passar pela segurança. Foi quando Paula Lavigne, que já havia entrado no gabinete, saiu esbaforida:
— Os índios foram barrados! Dizem que eles não estão na relação de convidados. Assim ninguém vai entrar!

O senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) reagiu:
— Ainda te espanta? Há 500 anos não estão na relação.