Alamanaqueiras: ou não queiras.

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segunda-feira, 13 de março de 2017

espaço aberto para quem pensa elegantemente diferente.

A vã glória é a mãe de todas as vans.Pois então o historiador com fumos filosóficos de autoajuda apagou o post que deu tanto o que falar. Ora pois pois, então o professor nunca ouviu falar em sonetos e emendas? Pois ele, que "ama" ouvir pessoas inteligentes, deveria saber que pessoas inteligentes sabem o que significa apagar um post.

A imagem pode conter: 3 pessoas, pessoas sentadas e texto

Em primeiro lugar (e falando "filosoficamente", como convém ao personagem), é uma tentativa de retirar o registro de um fato, como se o "erro" nunca tivesse existido. Sobretudo quando não há uma justificativa, um pedido de desculpas ou qualquer referência para essa atitude.
E isso é muito feio.
Mas dá bem a medida do respeito que ele tem pelos seus... como posso chamar? leitores? admiradores? seguidores?
Mestre do contorcionismo verbal, o professor publica hoje em sua coluna no Estadão um artigo para maus entendedores: diz que está "voando alto" (de fato, estava num avião) e que quer "voltar ao solo" para falar "de nossa vida linear" - justamente aquela que, anteontem mesmo (no post apagado), dava tantas voltas.
(Um bom comentário a esse artigo está aqui: https://m.facebook.com/story.php…)
Mas isso deve ser a tal da dialética. O ser é, o não-ser não é, mas talvez seja. "A" é "A" e "não-A" ao mesmo tempo. Ora estou aqui, ora acolá. Depende.
"Talvez não faça sentido para alguns", só para refrescar a memória.
Mas, se já seria feio e meio incongruente um historiador querer apagar a história (como assinalou o sempre bem-humorado e às vezes perplexo Nelson Nisenbaum), com essa atitude ele eliminou todos os posts de quem compartilhou o original, portanto cancelou a discussão, em alguns casos muito qualificada.
Em suma, se o episódio da fantasia rasgada anteontem com a exibição do agradável encontro com "bons vinhos" e "pessoas inteligentes" foi pedagógico, essa atitude foi ainda mais.
Dá bem a medida do caráter de quem posa de referência ética.
Naturalmente, o professor deve estar apostando na amnésia, na condescendência e/ou na ingenuidade das pessoas, sobretudo daquelas que se deixaram seduzir pelo discurso ponderado, sensato, bem comportado, que ignora as contradições do mundo e acena com as ilusões do desarmamento de espíritos para a vitória do bom senso. Terá razão: um discurso assim conforta, consola. É tudo o que a gente quer ouvir. Porque a gente gosta de se iludir. Nem percebe os gestos estudados, as poses, esse "não-verbal" tão eloquente.
Entretanto, é claro que a história não se apaga. Houve quem salvasse a foto, com o texto que a acompanhava, e que reproduzo aqui. Também ficamos sabendo que os "projetos em comum" (pelo menos um deles) discutidos no agradável jantar com o juiz do golpe é a participação num curso de pós-graduação em finanças da PUC do Rio Grande do Sul, que traz, entre outras celebridades, o indefectível Pondé, o notável Gehringer e o histriônico Clóvis de Barros Filho, que certa esquerda adora.
E ontem puxaram um fio mais antigo da trajetória do professor: sua curadoria de uma exposição de "relíquias arqueológicas" e outras peças raras (registradas aonde?, perguntou a Bia Kushnir) do famoso Banco Santos, de Edemar Cid Ferreira, cuja história de falcatruas não tardaria a ser noticiada.
Compartilhei essas informações em posts anteriores.
Como diz o Luis Felipe Miguel, o "nicho de mercado" que o professor ocupava "era o de guru para um público que se considera mais à esquerda. Por isso, sua noite de vinhos foi uma bola fora". Luis Felipe sugere uma hipótese plausível para essa pisada no tomate: ele deve ter sentido que "os empresários que pagam valores muito altos por suas palestras motivacionais gostariam de vê-lo fazendo acenos mais explícitos aos novos donos do poder. O problema é que estes acenos diminuem sua legião de fãs - e, sem ela, Karnal também não é atraente como entertainer intelectual para eventos corporativos. Como se vê, o mundo não é mesmo linear". Apesar disso, "há momentos, na vida política, em que uma linha divisória precisa ser traçada. Estamos vivendo um desses momentos. É a linha divisória entre o golpe (e a ordem de exceção que dele emerge) e a democracia".
A mim, esse episódio ensinou definitivamente que com canalha não se brinca. Nunca mais vou compartilhar post de gente suspeita. Vou cortar e colar. E dar print, por via das dúvidas. Em nome da memória e da preservação de discussões que, em geral, valem muito a pena. E tomam tempo, um tempo precioso, não remunerado, que não se pode desperdiçar. Sobretudo nós, que não temos, nem desejamos, a (vã?) glória do compensador protagonismo no mundo corporativo.
PS: Por volta das 18h, o professor finalmente publicou um texto a título de explicação sobre o que chamou de "jantar que eletrizou o país" - no que, já se vê, revela toda a sua modéstia. Começa dizendo que escreve em atenção a quem gosta dele. Portanto, põe a coisa num tom emocional, como convém. Adiante, diz que a política, "em si" (não sei bem o que isso significa), lhe interessa pouco. Ou seja: descarta ou minimiza uma atividade inerente ao ser humano. Mas, nada de novo: quem gosta dele deve achar o mesmo, que política é essa coisa que exacerba os espíritos e divide as pessoas, o importante são os afetos. Se levamos um golpe, se achamos muito natural confraternizar (e discutir "projetos comuns") com um dos principais responsáveis por este golpe, nada disso importa.
E, claro, o importante são os afetos, enquanto isso vamos ganhando um dinheirinho com aulas de "cultura financeira".
Esse episódio, incluindo a resposta, há de ter esclarecido muita coisa a muita gente.

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