Com mercado de trabalho aquecido, o Brasil atrai candidatos do exterior para vagas onde falta de mão de obra local
El País

O Brasil carece de profissionais qualificados das áreas de engenharia, tecnologia da informação, gestão de processos e na área de oleo e gás. Trata-se de uma dor de cabeça para as empresas em tempos de mercado de trabalho aquecido. Segundo um estudo da consultoria Manpower Group, em 2013 o Japão e o Brasil foram os países que por segundo ano consecutivo apresentaram uma escassez mais grave de talentos nessas áreas, com 85% e 68%, respectivamente. A falta de habilidade técnica e de candidatos são as duas principais razões para a dificuldade de preencher as vagas, que ficam meses em aberto recebendo currículos sem conseguir contratar ninguém.
A alternativa seria buscar mão de obra do exterior. Desde 2009, com a crise global que afetou os países desenvolvidos, e o crescimento dos países emergentes, estrangeiros passaram a olhar o Brasil como uma possibilidade de encontrar trabalho. Os trâmites para admitir um “forasteiro”, porém, dependem de consulados e embaixadas do país no exterior, além de envolver diversos serviços que tornam o processo mais lento: conseguir determinada certidão traduzida por profissional juramentado, autenticações de firmas em cartórios nacionais e procurações para um ocasional representante legal que sejam reconhecidas no Brasil.
O Ministério do Trabalho e Emprego concedeu, entre janeiro e setembro do ano passado, 50.088 vistos de para estrangeiros, em sua maioria para norte-americanos, filipinos, ingleses e indianos. Considerando somente aqueles que se enquadram em um perfil de especialista com vínculo empregatício, são 4.548 profissionais, 9% do total de vistos. O número é baixo e atribuído pelos especialistas à falta de formação dos setores de recursos humanos de grandes corporações. "A maioria das companhias não tem conhecimento das questões migratórias e acabam considerando que é complicado contratar um estrangeiro", explica João Marques, presidente-fundador da empresa de mobilidade global EMDOC. Segundo ele, o visto é apenas um dos problemas. "Tem a burocracia do processo do visto, mas também a dos outros documentos, como o CPF, a habilitação para dirigir, a carteira de trabalho... Se as outras áreas não evoluírem, não adianta facilitar a entrada", afirma Marques.(...)
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