Almanaqueiras: ou não queiras.

Almanaqueiras: ou não queiras.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Quase-memória: Pereira Filho

EMPRESÁRIO RAIMUNDO FERREIRA

Raimundo Ferreira, anos 60


Quando se fala em Viação Brasília de Cajazeiras, logo vem na memória o nome do Cajazeirado Raimundo Correia Ferreira. Raimundo Ferreira nasceu em 1931 em Várzea Alegre (CE), onde iniciou seus estudos na terra natal e depois foi estudar no Colégio Alfredo Dantas, em Campina Grande no ano de 1949. Ele saiu de Várzea Alegre com intuito de ser um grande empresário, ao contrário de seus amigos que pensavam em ser médico, advogado ou engenheiro. Assim, quando retornou de Campina Grande, instalou um Serviço de Alto Falantes (difusora) e uma pequena indústria em Várzea Alegre. Não satisfeito, foi morar em Crato e num tino comercial, adquire um ônibus e associa-se a Timóteo Bezerra, dono da Empresa Várzea Alegre, que foi fundada em 1949 e ligava o Ceará ao sul do país, e ainda as principais cidades do Nordeste. A sociedade entre Raimundo Ferreira e Timóteo Bezerra durou até 1957. Em um golpe de sorte decide mudar-se para a Paraíba, mais precisamente Cajazeiras onde sua vida mudou completamente. Atraído pelo movimentado centro comercial e as indústrias algodoeiras, como a J.Matos S.A, firma da família Abrantes, além da SANBRA (Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro), entre outras pequenas empresas de extração de óleo do algodão e torrefação de café.  O ano era de 1958 e o Brasil vivia a euforia dos anos dourados do Governo Juscelino Kubitscheck com o lema “50 anos em Cinco” e para Raimundo Ferreira, que era amigo de JK, não foi diferente. Em homenagem a construção da cidade de Brasília, Raimundo Ferreira funda a Viação Brasília e, inicialmente, com três ônibus, faz a linha Cajazeiras a São Paulo saindo uma vez por semana. Nos início dos anos 60, foi criada a linha Cajazeiras a Brasília, nova capital do Brasil e que fez jus ao nome da empresa.  A paixão por Cajazeiras era tanta, que ele construiu um dos primeiros, se não o principal terminal rodoviário da Paraíba, antes mesmo de Campina Grande e João Pessoa. Era uma rodoviária com hotel, área de lazer, lanchonetes e lojas, que recebeu o nome de Edifício Antônio Ferreira. Essa rodoviária foi construída com recursos próprios, além de outras benfeitorias na cidade de Cajazeiras, a exemplo de várias casas, denominada Vila Centenária, na entrada que dá acesso ao Seminário Nossa Senhora da Assunção.  Na política, não teve sucesso como candidato a prefeito por duas vezes (1963 e 1969). Em 1963 perdeu para Chico Rolim e em 1969 para Dr. Epitácio Leite Rolim. Lembro que na época dessas eleições, os eleitores de oposição a ele, o tratavam de “o forasteiro”. Humilhado e desgostoso por não ter da população cajazeirense uma resposta positiva e reconhecimento pelo muito que vinha fazendo na cidade, Raimundo Ferreira deu adeus a política e passou a se dedicar exclusivamente a atividade profissional.  A seguir, ele foi fixar residência no Ceará, e só aparecia em Cajazeiras para ver como andava as suas empresas. Raimundo gostava de Cajazeiras, mas a cidade não gostava dele.  Em 1974, Raimundo Ferreira transfere a sede e toda a estrutura da empresa para a cidade de Patos (PB), passando a linha Cajazeiras a Brasília para a Viação Planalto de Campina Grande. Depois ele cria a linha Patos ao Rio de Janeiro, que logo a seguir vende para a Viação Itapemirim.  A Viação Brasília foi á primogênita de um dos maiores grupos de transporte do Ceará e do Nordeste. Faziam parte desse grupo, ás empresas Rápido Juazeiro e Rio Negro. Em 1983, a Gontijo compra a Várzea Alegrense e a Viação Rio Negro. Em 1987, a Viação Brasília encerra sua  história no transporte estadual e sua estrutura é transferida para Juazeiro do Norte, onde passa a fazer linhas urbanas e interurbanas ligando cidades do sul do Ceará a Juazeiro do Norte e Crato. A viação Brasília encerrou suas atividades em 2009 e Raimundo Ferreira continua morando em Juazeiro do Norte. 

EMPRESÁRIO JOÃO RODRIGUES ALVES

Guichê da Andorinha em Campina Grande

A Avenida principal do bairro dos Bancários em João Pessoa, Paraiba, é em homenagem ao Cajazeirado João Rodrigues Alves, um dos maiores empresários no ramo de transportes de passageiros em Cajazeiras.  João Rodrigues nasceu em Serra Negra, no Rio Grande do Norte, em 5 de julho de 1912. Depois foi morar em Areia (PB) e a seguir mudou-se para São José de Piranhas (PB). João Rodrigues sempre dizia que era filho da lavadeira dona Tereza da Conceição e não conheceu seu pai. Ele se orgulhava de não ter freqüentado escolas e ter começado a trabalhar aos 12 anos de idade, como calunga de caminhão, que era a mesma coisa de ajudante de caminhão. No ano de 1934, aos 22 anos de idade, adquiriu um caminhão com caçamba de madeira passando a transportar pedra e barro para o DNOCS na construção do açude de Boqueirão de Piranhas (Engenheiro Ávidos), já morando na rua principal desse lugar. Com o fim da construção do açude em 1937, João Rodrigues passou a residir em Cajazeiras, levando sua economia fruto do seu trabalho, suficiente para comprar um caminhão novo, com bolei larga tipo misto, que passou a transportar, principalmente, algodão em pluma dos empresários Galdino Pires, de Cajazeiras e Antônio Gomes Batista de São José de Piranhas, para Campina Grande, sempre com boleia lotada de comerciantes que aproveitavam a viagem para fazer suas compras e transportá-las aproveitando a volta do mesmo misto. Ele só não servia transportando a mercadoria, como também fazia o papel de avalista, principalmente àqueles que faziam a viagem pela primeira vez, no ato de eventual compra feita a prazo. O sucesso nesse ramo, a necessidade de transportar mercadorias e passageiros, por estradas de chão batido (a BR 230 foi asfaltada a partir de 1968), faz com que João Rodrigues se torne um dos maiores empresários de Cajazeiras, a partir de 1958. Nessa época, ele já tinha uma frota de caminhões e alguns ônibus. Daí surge a Viação Andorinha que foi pioneira na linha de Cajazeiras a Campina Grande, estendendo-se mais tarde para João Pessoa e Recife. Outras cidades foram servidas também pela Viação Andorinha, como Sousa, Pombal, Patos, Triunfo, Brejo das Freiras, Uiraúna, Conceição, São José de Piranhas e Bonito de Santa Fé. Qualquer ônibus que fazia essa linha era conhecido como “a sopa de seu João”. Nos anos 60, a Viação Andorinha passa a ser uma das principais empresas de ônibus do estado, fazendo concorrência com a Viação Gaivota e a Patoense. João Rodrigues era proprietário de um posto de gasolina, uma casa de vendas de peças e pneus e ainda era sócio da revenda Volkswagen em Cajazeiras. No ano de 1966, comprou a Viação Princesa do Seridó, do então empresário de Caicó (RN), Manoel de Nenen, adquirindo as linhas: Natal a Cajazeiras via Caicó; Natal a Caicó; Natal a Currais Novos; e Natal a Crato (CE). Seu filho mais velho José Rodrigues (Zezinho) ficou administrando essa empresa. Zezinho e Paulo, ainda adolescentes, foram os únicos filhos integrados como sócios de seu pai e com eles trabalharam até a sua morte.  Na política, João Rodrigues estreava em 1972, elegendo-se vice-prefeito, na verdade foi seu primeiro e último mandato.  Ele faleceu aos 65 anos de idade, em 1977, no auge de sua carreira empresarial. Após o falecimento desse empresário, seus filhos passaram a tocar os negócios, mas sem o mesmo ritmo e tino do pai, e em seis anos a Princesa do Seridó e a Andorinha não existiam mais. A Princesa do Seridó foi vendida para a Viação Jardinense e o restante para a Viação Gontijo. A Viação Andorinha foi vendida para a Viação Transparaíba, em 1982. Assim como João Pessoa homenageou esse empresário, pelos longos anos de vida desse empresário bem sucedido na terra do Padre Rolim, Cajazeiras também homenagem com o nome de Avenida João Rodrigues Alves, extensão da Rua Desembargador Boto, saída para Sousa.  

PEREIRA FILHO
Radialista
Rádio Nacional de Brasilia.

Um comentário:

  1. Tenho uma grande vontade de saber mais detalhes sobre a Pensatur mais infelizmente nem nos banco de dados da Cepimar consegui algo concreto. Aqui no texto acima não informa , mais um ex motorista me informou que a mesma pertencia ao grupo empresarial Raimundo Ferreira, mais era administrado pelo o filho e o mesmo vendeu a empresa a o sr Camilo Cola sem o conhecimento do pai. Outro site informa também que era do Sr Raimundo. Seria possível eu consegui mais detalhes sobre esta empresa?

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