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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Não se fala muito disso no Brasil, mas é gravíssima a epidemia de abuso de opioides nos EUA.

Epidemia mortal

Helio Schwartsman 

Dependente químico injeta heroína nos EUA; país debate criação de centros para consumo legal da droga


Não se fala muito disso no Brasil, mas é gravíssima a epidemia de abuso de opioides nos EUA. Os números assustam. Segundo o CDC, em 2015 o país registrou 52,4 mil óbitos em consequência de overdose, dos quais 33.090 tiveram como agente causador opioides legais ou ilegais. É quase o mesmo que o total de mortes no trânsito (35 mil) e mais que o por armas de fogo (13,2 mil). A estimativa para 2016 é de um aumento de 19%.

Em termos de taxas, os óbitos por opioides por cem mil habitantes chegaram, em 2015, a 10,4, contra apenas 3 em 2000. Para dar um termo de comparação, o índice de homicídios no Estado de São Paulo em 2015 ficou em 8,73 por cem mil.

Para tornar simples uma história complicada, as raízes da atual epidemia estão nos anos 90, quando, com base em poucos e incompletos estudos, laboratórios conseguiram convencer os médicos americanos a prescrever mais opioides para reduzir todo tipo de dor. A iniciativa foi um sucesso. Essa classe de drogas logo se tornou a mais receitada dos EUA. Só que as pílulas de oxicodona e hidrocodona eram menos seguras do que se pensava e geraram um pequeno exército de dependentes.

Os traficantes perceberam a oportunidade e inundaram as ruas com heroína, mais barata e fácil de comprar que os analgésicos legais. Para piorar, os traficantes descobriram há pouco que é mais fácil trabalhar com fentanil (sintético e pouco volumoso) e passaram a batizar com ele a droga vendida nas ruas. Mas, como o fentanil é 100 vezes mais potente que a morfina, e as pessoas nunca sabem bem o que estão consumindo, as overdoses explodiram. Já há relatos de uso do carfentanil, 10 mil vezes mais potente que a morfina.

O Brasil, por razões culturais e de logística do tráfico, nunca teve problema grave com opioides. Resta torcer para que siga assim, apesar de a história do crack sugerir que o tráfico já atua como uma empresa global.

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