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quinta-feira, 22 de junho de 2017

assim como o presidente russo, Temer também sacrificará o futuro no altar da própria sobrevida

 ''A fotografia de Michel Temer com Vladimir Putin no teatro Bolshoi de Moscou é uma ironia do destino.

Moscou - Russia, 20/06/2017) Presidente do Brasil Michel Temer com Vladimir PutinCerimônia de Encerramento do Concurso Internacional de Ballet do Teatro Bolshoi. Foto: Beto Barata/PR ***DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM***


No mesmo dia em que a Polícia Federal engordava o volume de denúncias e investigações que assolam o presidente, nosso mandatário dividia o camarote com seu anfitrião, o mais sagaz dos sobreviventes da política mundial.

Putin é imbatível. Há 17 anos no poder, ele continua hegemônico. Enfrentou denúncias colossais de corrupção, conviveu com sanções da Europa e dos Estados Unidos, amargou os dramas de uma economia recessiva e, apesar de tudo, manteve a cadeira. Salvo uma hecatombe, em março próximo ele ganhará de lavada a eleição para renovar seu mandato.

Não se trata de uma operação trivial porque a Rússia possui uma dinâmica parecida com a brasileira. A economia nacional lá também depende do vaivém das commodities de exportação, tamanha a estagnação da produtividade e a ausência de investimentos inteligentes.

Isso significa que, para sobreviver politicamente, o presidente russo é obrigado a fazer um movimento típico de países em desenvolvimento: usar as receitas geradas no exterior, como a do gás exportado, para comprar a adesão da base de sustentação no Parlamento, nos quarteis, nos serviços de inteligência e na máquina de governo.

Isso significa que Putin, apesar de ser nominalmente forte, anda sempre no fio da navalha. Apesar de seus 80% de aprovação popular —seu opositor mais visível conta com apenas 2% das intenções de voto—, ele nunca brinca com fogo. Por isso, acaba de fazer ouvidos moucos à recomendação de seus economistas: para satisfazer sua base de sustentação, Putin desidratou a reforma da Previdência e os projetos de lei destinados a conter o gasto público.

Num país como a Rússia, fazer as reformas necessárias para tirar o país do atoleiro equivale a atentar contra a sobrevivência de quem é responsável por tocar as próprias reformas. O ato de reformar vira impossível.

Claro, as diferenças são gigantescas. Ao contrário do colega russo, nosso presidente não consegue reprimir, prender ou mandar matar quem lhe faz oposição. Hoje, o Kremlin consegue fazer com um juiz, promotor ou jornalista aquilo que o Planalto nem sequer concebe em seus sonhos mais selvagens.

No entanto, assim como o presidente russo, Temer também sacrificará o futuro no altar da própria sobrevida (no caso, 172 deputados e suas respectivas redes de patronagem e clientelismo). Não há mecanismo em nosso sistema para impedir esse desfecho.

O custo disso? Atraso e estagnação para todos, hoje e amanhã. Vale na Rússia, vale também do lado de cá. ''

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