Alamanaqueiras: ou não queiras.

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quinta-feira, 13 de abril de 2017

afirmando com convicção


     Cid Benjamin

Pela dimensão, profundidade e amplitude do que veio à tona com a divulgação das delacoes da Odebrecht, é impossível alguém ainda sustentar aquela tese de que tudo não passava de um complô contra a "engenharia nacional" e contra "nossas empresas".

Estamos diante do desmascaramento de um sistema (isso mesmo, sistema) de corrupção descomunal, que penetrou em todo o tecido do Estado brasileiro ao longo das últimas décadas.

Não foi coisa do PT, embora, como reconheceu um alto dirigente do partido, ele tenha também se lambuzado.
Foi coisa muito mais grave.

Ficou demonstrado um grau de apropriação privada e de perversão da coisa pública em níveis inimagináveis.

Como não há hoje algo construído para ocupar o lugar desse sistema político absolutamente falido, corrompido e desmoralizado, não sei qual será o desfecho disso tudo.

Não afasto a hipótese de que PMDB, PSDB e PT acabem se lixando para a opinião pública e se acertando para anistiar o caixa dois. A partir daí, tratariam de jogar nesse baú o máximo possível das acusações, com o objetivo de salvar a pele de seus próceres.

Se isso acontecer, serão entregues aos leões alguns poucos acusados, enquanto os demais tentarão seguir dando as cartas na política brasileira.


  Dalva Bonet 

O pior é que se enraizou criando cultura. Os envolvidos e seus assemelhados estão seguros que não fizeram nada e que tudo não passa de perseguição de uma tropa de ativistas do judiciário. É, pode ser, mas quando leio o artigo do jornalista Luís Nassif tecendo teias e teias de conspiração, ao mesmo tempo que assisto ao depoimento tranquilo de Marcelo Odebrecht, contando detalhes das transações espúrias e os valores astronômicos em jogo, fico me perguntando se o Brasil não fracionou a tal ponto que tudo o que ele escreve me parece estranho, completamente sem sentido, bizarro, de outro mundo. Onde será que as quadrilhas chegarão? Será que tentarão um grande acordo em nome da "salvação da pátria"? (deles, é claro). Um pacto nacional pela governabilidade? E aí , sigo me perguntando: as forças sociais aceitarão? A classe média assalariada ameaçada por uma reforma da previdência e trabalhista que a atira ao jogo do mercado e cassa sua segurança ficará inerte? Não acredito. E não esqueçamos que ela é numerosa e que sempre definiu os rumos do país. Talvez esta seja a moeda de troca. Concordo com o PSOL: esses caras não têm mais legitimidade. Os interlocutores só podem surgir daqueles que ficaram de pé!

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