Alamanaqueiras: ou não queiras.

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domingo, 5 de março de 2017

Teria sido o senador mineiro, candidato da oposição naquele ano e presidente do partido, o autor dos pedidos de doação. O senador não os desmente, mas afirma ter respeitado os procedimentos legais.

Sombras sobre Minas 

editorial folha 




Um dia depois de finalizado o depoimento de Marcelo Odebrecht ao Tribunal Superior Eleitoral, a respeito do financiamento à chapa presidencial de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB), voltaram-se contra o senador tucano Aécio Neves (PSDB-MG) as atenções que as atividades da maior empreiteira do país estão a merecer.

Ironicamente, é no contexto do mesmo processo contra a dupla vitoriosa em 2014 —movido pela sigla de Aécio— que surge a informação comprometedora. Segundo o ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedito Júnior, R$ 9 milhões foram canalizados para o caixa dois de campanhas tucanas.

Teria sido o senador mineiro, candidato da oposição naquele ano e presidente do partido, o autor dos pedidos de doação. O senador não os desmente, mas afirma ter respeitado os procedimentos legais.

Essa versão recebe aval de Marcelo Odebrecht, que, até onde se sabe, atribui unicamente ao PT e ao PMDB as tratativas em torno de financiamentos clandestinos.

Outro fator a aliviar momentaneamente o círculo das suspeitas em torno do tucano é a decisão do relator do processo no TSE, ministro Herman Benjamin, que com bons fundamentos considerou como alheias ao caso as menções à chapa de Aécio. Derrotada na eleição, não haveria sentido em revolver seus procedimentos financeiros, num processo aberto para tratar de outra acusação.

Tudo recomenda, entretanto, que não se ignorem simplesmente as afirmações do ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura.

No mês passado —não no processo do TSE, mas nas investigações da Lava Jato—, ele já havia apontado, em delação premiada, um esquema de propinas nos contratos da Cidade Administrativa, obra inaugurada em 2010 pelo então governador Aécio Neves, ao custo de R$ 2,1 bilhões.

A acusação é reiterada por outro ex-dirigente da Odebrecht, responsável pelas atividades da construtora em Minas Gerais.

Depoimentos obtidos em regime de delação premiada não devem ser encarados, certamente, como provas suficientes de irregularidade ou crime. É preciso que sejam não apenas divulgadas na íntegra como corroboradas, posteriormente, por outras evidências.

Impõe-se, sem dúvida, acelerar seu ritmo. Lamentavelmente, poucos nomes importantes estão a salvo, na atual conjuntura política, de suspeitas, desconfianças e acusações com respeito a verbas de campanha e entendimentos com construtoras.

Os rigores da magistratura, do Ministério Público e da Polícia Federal não têm como admitir qualquer tipo de preferência partidária.

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