Alamanaqueiras: ou não queiras.

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terça-feira, 7 de março de 2017

na minha mão é mais barato...

Prefeito do Rio pega a contramão

Alvaro Costa e Silva 

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Marcelo Crivella fugiu —como o diabo da cruz— do Carnaval. Bispo licenciado da Igreja Universal, deixou a impressão de sentir-se assustado com a folia, como se perseguido pelo bebê de tarlatana rosa. Com o início da Quaresma, tentou se explicar nas redes sociais: "Quando o assunto é trabalho, podem sempre contar comigo".

Pois não parece. O tempo de governo é curto, mas até agora Crivella ameaçou trabalhar. Bater-se mesmo só pela indicação do filho —"Ele é formado em psicologia cristã na Califórnia, tem mestrado em empreendedorismo em Oxford e é pessoa idônea"— ao comando da Casa Civil. Talvez consiga convencer o Supremo Tribunal Federal —o ministro Marco Aurélio Mello suspendeu a nomeação, por nepotismo– no dia em que todo mundo, inclusive o pai, deixe de chamar o aspirante a secretário de Marcelinho.

Entre as ameaças do prefeito, estão a construção e gestão, no manjado esquema das PPPs (parcerias público-privada), de nove estacionamentos subterrâneos. Copacabana ganharia três; Barra, Leblon, Ipanema, Gávea, Madureira, um cada bairro. Até o Centro, onde não cabe uma agulha e já existe o monstrengo chamado Terminal Menezes Côrtes, seria contemplado.

Em matéria de incentivo a engarrafamentos, é uma medida e tanto. É o mesmo que pegar a contramão do que está sendo planejado nos centros urbanos do planeta. Neles, continua-se a investir em transporte público e ciclovias. No Rio, é desesperador sair de carro: estamos em primeiro no ranking das cidades mais congestionadas do Brasil, segundo levantamento da empresa holandesa Tom Tom, especializada em tecnologia do transporte. Passamos, no ano passado, 164 horas presos no trânsito —43 minutos a mais por dia.

Mas, no fim da jornada, o alívio: teremos um buraco embaixo da terra para guardar a carruagem.

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