Alamanaqueiras: ou não queiras.

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sábado, 4 de fevereiro de 2017

O futuro está logo ali. E não vai ser bom, não.





Anderson da Mata

Mesa ao lado, no café.
Três jovens, dois servidores públicos e uma advogada, conversam animadamente sobre os rumos dos Estados Unidos na era Trump. Como não poderia deixar de ser, encontram um jeito de dizer que a Dilma e o PT eram piores. Um deles fala dos a-li-cer-ces da po-lí-ti-ca ma-cro-e-co-nô-mi-ca. Assim, escandindo as sílabas. E conclui que não há nem como comparar o impeachment da Dilma a um possível impeachment do Trump porque nosso problema é a corrupção. 

Determina que não há, no mundo, corrupção como aqui (acho que eles conhecem pouco o mundo; apesar da prepotência e da segurança com que falam, não conhecem nem mesmo os idolatrados Estados Unidos). "Meu deus! Como vamos sair dessa?", se perguntam, em coro.
O assunto passa para as suas carreiras. Os dois rapazes são também bacharéis em Direito, mas não podem advogar, devido ao cargo que ocupam na administração federal, eles mesmos dizem. 

A mocinha, animada, propõe a eles que trabalhem com ela, que eles fariam os processos, mas ela assinaria, principalmente naqueles que fossem contra a união, afinal, "só" os nomes deles não podem estar lá. "Só". Eles ficariam com 10% e ela com 15% (dos 25% de honorários que cabem aos advogados). Eles prometem pensar na proposta.


Tudo dito assim, em voz alta. Passam do desalento com a corrupção para os planos de como praticá-la, achando tudo muito natural.


E eu fico aqui ouvindo conversa alheia pensando em tudo o que aconteceu nesta semana. No palavrório sobre D. Marisa e no silêncio sobre Moreira Franco. Na eleição do Botafoguense e do Índio e no "sorteio" que escolheu Fachin. Nos jovens médicos e nos jovens juristas. 


O futuro está logo ali. E não vai ser bom, não.

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