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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

o tucano mostra-se disposto a levar longe demais a frase de efeito —tão longe que já ultrapassa as fronteiras éticas e morais às quais deve se limitar todo homem público.

Dois problemas 

editorial folha 

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Durante a campanha, João Doria (PSDB) insistia em dizer que não era um político, mas um gestor, um administrador, um empresário. Como prefeito de São Paulo, o tucano mostra-se disposto a levar longe demais a frase de efeito —tão longe que já ultrapassa as fronteiras éticas e morais às quais deve se limitar todo homem público.

O mote publicitário, como se sabe, era verdadeiro apenas pela metade. No passado, Doria comandou a área de turismo da capital paulista (gestão Covas, PSDB) e presidiu a Embratur (governo Sarney, PMDB). Ademais, sempre se manteve próximo do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

No presente, o prefeito já arriou a bandeira da luta contra o loteamento partidário da administração. Pelo menos 17 de 20 chefes de gabinetes das prefeituras regionais (antigas subprefeituras) foram indicados por vereadores ou políticos de legendas da base aliada na Câmara Municipal.

Nunca se questionou, porém, seu lado empreendedor. Fundador do Grupo Doria, o tucano declarou patrimônio de R$ 180 milhões na eleição de 2016. Sua organização reúne seis empresas, entre as quais está o Lide (Grupo de Líderes Empresariais), conhecido por organizar palestras para executivos.

Se o prefeito estiver disposto a valer-se de sua experiência para aprimorar as práticas gerenciais da cidade, os paulistanos só terão motivos para comemorar. Por enquanto, todavia, o tino empresarial de Doria parece manifestar-se apenas de modo preocupante.

Como esta Folha noticiou, o Lide organiza um almoço no qual a maior estrela será ninguém menos do que o próprio Doria. Líderes empresariais têm recebido um convite para financiar o evento. Os que comprarem uma cota de copatrocínio no valor de R$ 50 mil poderão sentar-se à mesa com o alcaide.

Ainda que a prática não seja ilegal, o conflito de interesse é evidente, mas a gestão Doria não o vê. Afirma que não existem restrições à participação de autoridades municipais em eventos promovidos por entidades privadas.

O Lide, por sua vez, lembra que o fundador do grupo não detém mais ações da empresa, pois as transferiu aos filhos.
Com isso, não se está diante de um, mas de dois problemas.
Uma firma que tem filhos de Doria como sócios pede dinheiro a empresários para que estes tenham acesso ao prefeito durante um evento, em primeiro lugar —e, em segundo, o fato de que o tucano não vê nenhum problema nisso.

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