Alamanaqueiras: ou não queiras.

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Artrópodes articulando.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

"mergulhamos na era das divagações existenciais sobre a água."

  
Luiz Antonio Simas

O maravilhoso mundo dos ricaços não cansa de me surpreender. Sempre na cola do meu camarada Bruno Ribeiro, descubro no mural dele este vídeo inacreditável de degustação de águas gourmet, com explicações de um somellier de água bastante requisitado pelo mercado em expansão (é a reportagem que afirma isso). O meu momento predileto, quase no início da degustação, é quando um dos sujeitos diz, cheio de salamaleques:
- Incrível! Realmente é muito leve. Não tem gosto de absolutamente nada.

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Em certo momento, eles discutem o "retrogosto muito sútil de sódio" e tecem considerações sobre os aspectos emocionais da água. As mais intensas , as mais sinceras, as tímidas, as acanhadas.

Não bastassem aqueles cabras que ficam rodando o vinho no copo, cafungando o tinto e destacando a sutileza dos aromas e da característica das uvas aos berros, só falta mergulhamos na era das divagações existenciais sobre a água.

Imaginem a cena: o camarada toma uma taça, faz pose de quem limpa bosta de galinha com colher de prata e arrisca uma análise das características emocionais da bebida:
- É uma São Lourenço que se mostra, ao primeiro gole, um tanto tímida. Aos poucos, porém, vai ganhando um toque de agressividade. Honra a tradição e tem personalidade. Harmoniza bem com vinho do porto e carnes vermelhas.

O outro, sem perder a pose, faz cara de galã do cinema mudo e manda brasa:
- Essa Petrópolis padece de um acanhamento excessivo. Poderia ser um pouco mais arrojada, sem perder a sensibilidade. Acho que harmoniza com carne de vitela ao molho de queijo de búfala desmamada marajoara.

O terceiro resolve entrar de sola nos adjetivos :
- As características dos minerais atribuem um toque de excentricidade à bebida. É , todavia, uma água corajosa. Eu diria que tem caráter.

O quarto dá o tiro de misericórdia:
- Talvez falte a esta Prata uma certa ousadia à Cambuquira. Mas é, sem dúvidas, uma água que tem alma. Harmoniza com a minha própria personalidade. Essa água sou eu.
Acham que estou brincando? Assistam.





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