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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Caminhamos para a absurda situação de achar normal o que antes nos envergonhava

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Caminhamos para a absurda situação de achar normal o que antes nos envergonhava

LUIZ RUFFATO

Geddel Vieira Lima.

O exercício da política no Brasil tornou-se algo tão abjeto que esta semana vamos nos limitar à simples exposição de alguns fatos, sem comentá-los. Caminhamos para a absurda situação de achar normal o que antes nos envergonhava, mas, quero crer, talvez até ingenuamente, que como eu outros cidadãos possam vir a se indignar com a bandalheira ética que atinge o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, de alto a baixo.

FOZ DO IGUAÇU – Com autorização da Justiça, Anice Gazzaoui deixou a cadeia no dia 11, tomou posse como vereadora e voltou para trás das grades. Anice está presa desde o dia 15 de dezembro, acusada de participar de um esquema de corrupção em troca de apoio a projetos da Prefeitura. A vereadora, filiada ao PTN, foi reeleita com quase 5.000 votos, o segundo maior número de votos da cidade paranaense.

MINAS GERAIS – O governador Fernando Pimentel (PT) nomeou Arthur Maia Amaral para a presidência da Fundação Ezequiel Dias (Funed), estatal encarregada da fabricação de medicamentos. Amaral é investigado pela Polícia Federal, suspeito de vender remédios adquiridos com dinheiro público em uma farmácia de sua propriedade, em Luminárias, interior do estado. Por sua vez, Pimentel responde a processo no Superior Tribunal de Justiça por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

MAGGI – O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, teve alguns de seus bens bloqueados no dia 11 como parte de um processo de improbidade administrativa. Maggi é acusado de participar de um esquema para comprar uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado (TCE) de Mato Grosso. O político, dono de uma maiores fortunas do país, cerca de R$ 2,3 bilhões, já foi considerado o maior produtor individual de soja do mundo.

DESEMBARGADORA – Mesmo afastada desde junho do Tribunal de Justiça do Amazonas por suspeita de ligação com a facção Família do Norte, responsável pela rebelião que terminou com 56 mortos no dia 1º, a desembargadora Encarnação das Graças Salgado recebeu, entre junho e outubro do ano passado, 261.000 reais, a título de subsídios (salário mais indenizações e vantagens pessoais), segundo cálculos do jornal O Estado de S. Paulo. Isso equivale a 278 salários mínimos.

JUVENTUDE – O presidente não eleito, Michel Temer, nomeou para secretário nacional da Juventude Francisco de Assis Costa Filho, em lugar de Bruno Júlio, aquele que incentivou um massacre por semana nos presídios brasileiros. Costa Filho tem seus bens indisponibilizados pela justiça do Maranhão por responder a um processo de improbidade administrativa. A ação sugere que Costa Filho e outros 47 indiciados mantinham fantasmas no quadro de funcionários de Pio XII, 172º pior IDH entre 217 municípios do Maranhão, estado do ex-presidente José Sarney, que possui o segundo pior IDH do Brasil – só superado pela Alagoas do presidente do Senado, Renan Calheiros, e do ex-presidente Fernando Collor.

GEDDEL – O ex-ministro da Integração Social do governo Lula e ex-ministro da Casa Civil de Temer fazia parte “de uma verdadeira organização criminosa”, segundo o Ministério Público Federal. Geddel é suspeito de participar de uma esquema de fraude na liberação de recursos da Caixa Econômica Federal para empresas entre 2011 e 2013, período em que foi vice-presidente de Pessoa Jurídica do banco, em troca de "vantagens ilícitas".

Enquanto isso, no país real as coisas não vão nada bem. Em seu relatório “Situação Econômica Mundial e Perspectivas”, a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve crescer 0,6% este ano – pouquíssimo, mas mais que a projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI), que prevê crescimento de apenas 0,2%. Já a Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou documento que prevê que o Brasil responderá por um terço de todos os novos desempregados que vão surgir este ano no mundo. A projeção da OIT é de que a taxa de desemprego subirá de 11,5% em 2016 para 12,4% em 2017.

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