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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Ulisses Mota: uma legenda na História de Cajazeiras

Mais do que merecidas e justas as homenagens prestadas ao cajazeirado Ulisses Francisco da Mota, ocorridas no último dia cinco de novembro, no antigo Sítio Serrote, aonde durante décadas, exerceu a profissão de agropecuarista. Nesta propriedade criava gado de leite, que por muitos anos, era vendido na porta de sua casa, por sua esposa Dona Daura Simões Mota, que faleceu em 2008, aos 104 anos de idade. Do Açude do Serrote captava água em tambores para vender ao povo de Cajazeiras, em suas carroças puxadas por boi manso. Cajazeiras deixou de conviver com este saudoso cenário com a chegada do abastecimento d’água no ano de 1964. 

José Antonio de Albuquerque


O Sítio Serrote se transformou num grande loteamento, hoje já com muitas ricas moradias e grandes casas comerciais, e o vereador Eriberto Maciel apresentou um Projeto de Lei, denominando uma das ruas de Ulisses Mota. O ápice da homenagem foi a aposição de um busto do homenageado no Loteamento Brisa Leste. A esta solenidade comparecem familiares, amigos e autoridades. O velho Serrote de Ulisses Mota representa o desenvolvimento urbano vivido com muita intensidade pelo município de Cajazeiras.

Além do Sítio Serrote, com 600 tarefas, possuía mais duas grandes propriedades: Miranda, no município de São José de Piranhas, com 2.953 tarefas, que foi desapropriada pelo INCRA e a Várzea, com 3.000 tarefas encravadas nos municípios de Triunfo e Santa Helena. 

Ulisses além de ser um vitorioso agropecuarista se tornou um grande empreendedor do ramo de couros e em Cajazeiras possuía o mais famoso curtume, ainda hoje lembrado pela população. Naquela época além do couro de gado se comercializava peles de animais silvestres, dentre eles o gato-do-mato, de onça parda e teju Açu que eram os mais preferidos para exportação até para o Paraguai. 

No ano de 1963, foi picado pela política e foi candidato a vice-prefeito pelo Partido Libertador e obteve 175 votos. Nesta eleição o vice-prefeito era votado separadamente e concorreram mais cinco candidatos: Abdiel de Sousa Rolim, pelo Partido Rural Trabalhista, que foi o eleito, José Donato Braga (UDN), Itamar Lavor (PSD), que posteriormente se casou com Simone, uma de suas belas filhas, Júlio Bandeira de Melo (PSB) e Vicente Leite Rolim (PTB). 

Ulisses Mota era natural de Caruaru, nascido em 06 de julho de 1906 e faleceu em 05 de junho de 1991. Seus pais, João Francisco da Silva e Leocádia Carvalho Mota, também pernambucanos, migraram para Campina Grande e se estabeleceram no ramo da indústria coureira com seus 10 filhos, todos homens. 

Ulisses em suas caminhadas pelo interior da Paraíba e do Ceará, fazendo negócios com couro, se hospedava no Crato na pensão da mãe de Dona Daura, com quem se casou e veio morar em Cajazeiras e deste consórcio nasceram cinco filhos: Carlos, casado com Ezilta Braga; Paulo Mota, um dos primeiros cajazeirense a se formar em Veterinária, pela Universidade Rural de Pernambuco, já falecido e foi casado com Carolina, Simone (in memorian) que foi casada com Itamar Lavor, que durante muitos anos militou na política partidária de Cajazeiras; Dulce que reside em Fortaleza e é casada com Fabiano Melo e Daulice, que reside em João Pessoa e é casada com Juarez.

Ulisses Mota fez história em Cajazeiras, não somente como grande proprietário de terras ou como um próspero comerciante e industrial, mas como um cidadão que colaborou com o crescimento econômico de Cajazeiras. Sua participação na vida social e política também foram marcantes. Quem não queria se integrar à família Norões/Mota? Valorizava a educação dos filhos e se engajava, ao lado de Dona Daura, nos movimentos sociais e religiosos de nossa cidade.

Ulisses Mota além de ser um dos grandes Cajazeirados se transforma em legenda e símbolo dos tempos áureos de nossa cidade, que merecidamente põe em praça pública o seu busto, o imortalizando e fazendo lembrar a sua importância para toda Cajazeiras. Salve Ulisses!

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