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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

rumor: se colar, colou.

Rumor sobre FHC enfraquece Temer, Alckmin, Aécio e Serra
Possibilidade de volta à Presidência gerou crise entre PMDB e PSDB

Kennedy Alencar


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A possibilidade de o tucano Fernando Henrique Cardoso voltar a concorrer à Presidência da República gerou uma crise ontem entre PMDB e PSDB e causou apreensão entre caciques tucanos.

Nos últimos tempos, surgiram rumores na imprensa sobre uma eventual candidatura de FHC numa eleição indireta no Congresso no ano que vem, na hipótese de o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) cassar em 2017 a chapa Dilma-Temer, eleita em 2014.

Mas um importante auxiliar de FHC, Xico Graziano, mudou o patamar desses rumores em artigo ontem na “Folha de S.Paulo” ao pregar a hipótese de FHC disputar a Presidência no colégio eleitoral do Congresso ou num pleito direto em 2018.

Em viagem ao exterior, FHC negou as duas possibilidades. Mas o estrago do artigo foi enorme, devido à proximidade de Graziano com FHC. Ele é um dos mais antigos e próximos colaboradores do ex-presidente.

Para o Palácio do Planalto, numa hora de apreensão com a possibilidade de citações a ministros do PMDB e ao presidente Michel Temer nas delações de executivos da Odebrecht, o artigo soou como uma tentativa de desestabilizar o governo. Essa especulação enfraquece Temer. O presidente ficou contrariado e aguardou explicações de FHC.

No PSDB, o impacto também foi grande. A leitura é que a Lava Jato demoliria as chances dos três nomes hoje aventados. Pela ordem, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o senador Aécio Neves (MG) e o ministro das Relações Exteriores, José Serra.

Alckmin, Aécio e Serra deverão ser citados nas delações, de acordo com os bastidores das negociações da Odebrecht com os investigadores. Todos negam ilegalidades. Mas sugerir FHC para 2018 equivale a dizer que Alckmin, Aécio e Serra estariam fora do páreo por razões políticas, mas também jurídicas.

Portanto, apesar da negativa de FHC, o resultado do imbróglio do artigo só deixa uma pessoa bem na foto: o ex-presidente tucano.

*

Prato frio

Outro tema importante em Brasília foi o pedido de vista feito ontem pelo ministro Dias Toffoli, interrompendo o julgamento, com maioria formada, para impedir que réus no Supremo Tribunal Federal assumam cargos na linha sucessória da Presidência da República.

Há um pano de fundo: o ministro Dias Toffoli, que acredita que foi atacado por um vazamento do Ministério Público a respeito de uma relação de amizade com Leo Pinheiro da OAS, deu o troco ontem nos investigadores.

Por ora, salvou o presidente do Senado, Renan Calheiros, que nos últimos tempos elevou as críticas ao que considera excessos da Lava Jato. O peemedebista responde a inquéritos no STF.

Manter Renan no cargo até fevereiro dá gás à ideia de votar um projeto de abuso de autoridade, tema polêmico, mas defendido, por exemplo, por um ministro do STF próximo a Toffoli, Gilmar Mendes.

Outro efeito do pedido de vista de Toffoli foi tranquilizar o Palácio do Planalto em relação à votação da PEC do Teto e garantir a Renan uma saída tranquila do cargo em fevereiro, quando haverá eleição para a presidência do Senado.

Se a decisão do STF tivesse sido tomada ontem, haveria um ingrediente a mais de instabilidade para o governo, Renan e os políticos que aguardam as delações dos executivos da Odebrecht.

Por último, há outro desdobramento: a seleção para os candidatos a presidente da Câmara e do Senado terá de ser muito rigorosa. Os nomes aventados até agora nas duas Casas são candidatos a responder a inquéritos nas delações da Odebrecht. E também não devem ser descartadas revelações que o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha poderá fazer sobre seus ex-colegas do Centrão que o abandonaram na votação da cassação do mandato E ainda há complementos de delações da Andrade Gutierrez e uma possível colaboração da OAS.

A decisão do STF de impedir que réus na corte possam assumir cargos na linha sucessória da Presidência da República ainda não está tomada. O pedido de vista a suspendeu.

Há três cenários. O primeiro, improvável, seria uma mudança de voto e uma reversão da decisão. O segundo, um pedido de vista extenso, como já aconteceu na história do Supremo e que desgastaria muito Dias Toffoli. O terceiro, mais provável, seria a retomada do julgamento em algum momento no ano que vem.

Com a Lava Jato pegando fogo pluripartidáriamente, não vai dar para jogar esse assunto para debaixo do tapete.

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