Alamanaqueiras: ou não queiras.

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terça-feira, 8 de novembro de 2016

por essas e outras este é um livro que merece ser lido.

Dica de livro: “Turno da noite – Memórias de um ex-repórter de polícia”
      
João Carlos Rodrigues



Aguinaldo Silva
Editora Objetiva, RJ, 2016


Parte 1. O autor, hoje, narra como iniciou sua vida de repórter ainda em Recife, como se mudou para o Rio depois de candidato à Academia Brasileira de Letras com apenas 17 anos, como foi morar na Lapa, foi preso pela ditadura por prefaciar o diário de Che Guevara, tornou-se repórter de polícia em O Globo, depois fundou e administrou o órgão pioneiro da imprensa gay Lampião da Esquina. Tudo antes de virar roteirista e se tornar um dos melhores e populares autores de telenovelas. Impressões pessoais. Fatos e personagens. Algumas pitadas de ficção, quem sabe.

Parte 2. Os artigos sobre crimes e criminalidades publicados por ele nos anos de 1972-1979 nos jornais alternativos Opinião e Movimento. Vamos do Crime da Sacopã acontecido em 1952 e que rendeu décadas de manchetes até a crescente criminalidade da Baixada Fluminense desembestada a partir dos anos 1970, passando pelos Homens de Ouro da polícia carioca, com destaque para o bad boy Mariel Mariscott, que inspirou ao autor um romance que virou filme, “República dos assassinos”, e o impostor Nelson Duarte, corrupto que se fazia de combatente contra as drogas com espaço na televisão. O ovo da serpente.

Conclusão. Os artigos da segunda parte são muito bons embora não sejam reportagens policiais investigativas e sim editoriais políticos engajados na luta pelos direitos humanos e contra a corrupção policial. Jornalismo ágil e incisivo. Mas as recordações da primeira parte me parecem ainda melhores porque mais soltas, sem a formatação rigorosa exigida na imprensa. Pouco a pouco Aguinaldo, aqui e ali, vai escrevendo uma interessantíssima autobiografia. Que venha.

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