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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

os patos precisam voltar às ruas: "Lá vem o pato Pato aqui, pato acolá Lá vem o pato Para ver o que é que há."

Com subsídio bilionário a empresário, brasileiro continua 'pagando o pato'

Com a campanha "não vou pagar o pato", o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, foi um dos mais ardorosos apoiadores do impeachment de Dilma Roussef e da chegada de Michel Temer à Presidência. Os enormes patos de borracha da entidade fizeram sucesso nas manifestações pró-impeachment.

O objetivo era marcar posição contra o aumento de impostos, mas o simbolismo foi muito além. Muitos brasileiros se sentiram representados porque não "queriam pagar o pato" da má gestão e da corrupção do governo.

O que a campanha de Skaf não mostrava é que a entidade e o setor que ele representa também pesam sobre os ombros dos contribuintes brasileiros. No ano que vem, o governo já tem reservado R$ 224 bilhões para desonerações tributárias e crédito subsidiado para o setor empresarial, incluindo a indústria.

Mesmo assim, parece não ser suficiente. Em recente reunião com a nova presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, Skaf sugeriu que os bilhões que o BNDES deve ao Tesouro não sejam devolvidos aos cofres da União, mas emprestados à indústria em condições camaradas.

Se Temer se recusa a rever o apoio já existente para não comprar briga com seus aliados de primeira hora, sua equipe econômica não parece estar disposta a continuar abrindo a carteira. Maria Silvia disse que o dinheiro era importante para as contas públicas e que "é preciso tomar cuidado porque subsídio não resolve tudo".

Agora surgem acusações de que a campanha de Skaf ao governo de São Paulo em 2014 —ele é filiado ao PMDB, o partido de Temer— pode ter recebido dinheiro de caixa 2. Reportagem desta Folha mostrou que o marqueteiro Duda Mendonça tenta incluir o caso em uma delação premiada.

Skaf diz que "desconhece totalmente o assunto" e que "as acusações são um absurdo". Mas, se ficar provado que isso realmente aconteceu, sua campanha terá sido beneficiada pela corrupção que ele tanto condenou.

Felizmente, parte da indústria brasileira não concorda mais com as bandeiras mais antigas da Fiesp. Alguns empresários querem apostar em inovação, inserir o Brasil no mercado global e reconhecem que os subsídios devem ser revistos.


Isso não significa que o país não precisa de uma política industrial. O setor é fundamental para gerar empregos de qualidade. Mas essa política tem que ser melhor que um monte de subsídios sem critério para quem tiver o melhor lobby. Caso contrário, os brasileiros continuarão pagando o pato. 

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