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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

enquanto houver Joaquim Ferreira dos Santos, há esperança.

Biografia de Zózimo Barrozo do Amaral conta fanatismo pelo Flamengo, alcoolismo e histórias de famosos


Gustavo Cunha

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Era 1989 e Elba Ramalho curtia uma noite qualquer na boate People, no Leblon. Lá pelas tantas, tomou o telefone do lugar para avisar a alguém onde estava. “É na boate People!”, explicou, antes de soletrar a palavra inglesa: “P-i-p-o-u”. Dias depois, a história estampava a página assinada por Zózimo Barrozo do Amaral no “Jornal do Brasil”. O deslize ortográfico deu o que falar.

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— Na época, todo mundo riu, óbvio. A questão é que ainda hoje esse caso é lembrado. E a Elba não fazia ideia que isso ia acontecer — ressalta Joaquim Ferreira dos Santos, que acaba de lançar “Enquanto houver champanhe, há esperança” (Editora Intrínseca — R$ 69,90), espécie de biografia do jornalista icônico.

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Ancorado em pesquisa detalhada, o livro se debruça sobre as mais de 200 mil notas escritas pelo colunista social ao longo de 33 anos de carreira para traçar um panorama da evolução do próprio jornalismo. Foi Zózimo, lá na década de 70, quem rabiscou um novo tom às páginas dedicadas a artistas e pessoas badaladas. Com ele, as linhas foram se tornando um pouco tortas, e os sobrenomes refinados de gente rica (e famosa apenas pelo simples fato de ser rica) foram perdendo importância.

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— Ele veio para melhorar e acabar com a coluna social. Era ridículo e cafona publicar o casamento da filha da socialite Carmen Mayrink Veiga! Esses nomes não representavam mais nada, sabe? Zózimo percebeu que ostentar essas riquezas de festas e batizados era algo de muito mau gosto — afirma o repórter e cronista, que trabalhou com o biografado no “Jornal do Brasil”.

A partir do relato de mais de cem pessoas, a obra ainda lança luz à vida pessoal de Zózimo, homem com características sombrias, alcoólatra e torcedor fanático do Flamengo: por vezes, meteu-se, ele mesmo, em histórias pitorescas, daquelas que poderiam facilmente estar na coluna que escrevia. Numa delas, tascou uma dentada numa mulher durante um jogo de futebol no Maracanã, e foi parar na delegacia. Não à toa, a tragédia associada a comédia perpassava os seus dias, finalizando (pimba!) no texto jornalístico irreverente.

— Ele acrescentou um humor às colunas, mas sem perder o senso crítico — frisa Joaquim, que entrevistou Elba Ramalho para esclarecer o causo envolvendo o tal “pipou”: — Ela disse que estava falando com a empregada, que não entendia inglês. Mas nem ligou para a nota...
Casos marcantes

Ficção e realidade:

Flamenguista fanático, Zózimo arrumou um atrito com Zico depois de atribuir o fracasso do time ao fato de o jogador ter bebido oito garrafas de cerveja às vésperas de uma partida.
Sem perder a piada:

Um dos maiores objetivos de Zózimo era arrancar sorrisos dos leitores. A nota anunciando o namoro de Suzy Rêgo e Paulo César Grande fez graça e repercutiu. “Não se aconselha que os dois juntem os sobrenomes”, escreveu ele.
Crônicas geniais:

Zózimo era um frasista nato. Algumas de suas máximas fazem sucesso até hoje — e são atualíssimas. “O problema de Brasília é o tráfico de influência, enquanto o do Rio é a influência do tráfico”, refletiu, numa de suas tantas notas.

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