Alamanaqueiras: ou não queiras.

Alamanaqueiras: ou não queiras.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

e as nossas cidades cobrindo tudo de asfalto, plastificando tudo: os paralelepípedos são classificados e limpos. "Eles são baratos e têm certo charme."

Paralelepípedos das ruas de Paris são vendidos como lembrança
Você gostaria de levar para casa um pedacinho de Paris? A empreendedora francesa Margaux Sainte-Lagüe tem algo para você.

Ania Nussbaum

Resultado de imagem para Sainte-Lagüe

No começo deste ano, quando Paris começou a vender milhares de toneladas dos paralelepípedos que pavimentavam as ruas e becos da cidade, Sainte-Lagüe comprou cinco toneladas. Agora, ela os está revendendo a turistas e colecionadores ansiosos por comprar um pedaço movimentado da história da capital francesa.

Margaux Sainte-Lagüe vend des pavés parisiens à 60 euros.

Sua empresa, a Mon Pavé Parisien, é um exemplo de como materiais usados como pedras, vidro e concreto estão chegando ao mercado para projetos de construção ou, neste caso, como lembranças para os amantes de Paris e os visitantes da Cidade Luz.

A atividade tem suas raízes em um movimento para criar a chamada economia circular, que está sendo promovida pelo governo francês, pela Comissão Europeia e por algumas construtoras no intuito de reduzir o desperdício e economizar energia mediante a reciclagem e a reutilização.

"Os paralelepípedos parisienses atraíram o interesse de muitas pessoas, inclusive de turistas", disse Patrick Marchetti, diretor do centro de manutenção urbana de Paris onde os paralelepípedos são classificados e limpos. "Eles são baratos e têm certo charme."

Clientes

Por enquanto as vendas de Sainte-Lagüe foram relativamente poucas - ela vendeu 50 das pedras cinzeladas -, mas os clientes são constantes e vêm de lugares distantes.

Eles variam de noivas chinesas até uma expatriada francesa que mora nos EUA e sentia saudades da juventude quando, nas manifestações de Maio de 1968, os protestantes jogavam paralelepípedos na polícia durante as greves nacionais. Agora, Sainte-Lagüe planeja vender seus bens em boutiques de luxo e lojas de souvenirs perto dos monumentos da cidade.

Em larga escala, a construtora francesa Eiffage disse que reciclará materiais de obras públicas para usá-los no cimento. A Cie de Saint-Gobain, a maior fornecedora de materiais de construção da Europa, está trabalhando com a empresa de reciclagem Paprec Group para coletar janelas residenciais jogadas fora e usá-las em produtos novos.

A capital francesa poderia chegar a vender 3 milhões de toneladas do granito com forma de cubo, estima Marchetti. Os paralelepípedos, colocados pela primeira vez nas ruas de Paris no século 11, foram recuperados sob várias camadas de pavimento aberto durante projetos de construção civil. A cidade colocou os blocos à venda em março.

Com um preço de varejo de oito euros por metro quadrado, ou 40 euros por tonelada, as vendas poderiam levar cerca de 400 mil euros (US$ 371 mil) por ano aos cofres municipais se 10.000 toneladas forem extraídas de debaixo do asfalto por ano. Nesse ritmo, estima-se que a oferta durará cerca de três séculos.

Com um preço de 60 euros a 150 euros por paralelepípedo, incluindo custos de frete na França, Sainte-Lagüe está tendo um bom lucro em sua oficina no centro de Paris, onde ela limpa e decora cada pedra de maneira personalizada - algumas com folhas de ouro.

Considerando a possibilidade de Vincent Van Gogh ou Pablo Picasso terem pisado em algumas dessas pedras no bairro de Montmartre, os compradores podem ser donos de um pedaço da história de Paris, disse ela.

Nenhum comentário:

Postar um comentário