Alamanaqueiras: ou não queiras.

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sábado, 5 de novembro de 2016

Deus conserve pra sempre meu bom senso temperado a pitadas de loucuras

Deus Conserve Pra Sempre Meu Bom Senso Temperado A Pitadas de Loucuras
Edu Krieger



Eu respeito a crendice dos ateus
E a descrença que mora nos beatos
O atrativo daqueles que são chatos
E o modesto que as vezes se acha Deus

Reconheço o valor dos versos meus
E a sujera que habita a mente pura
A pureza que mora na mistura
E a discórdia que mora no consenso

Deus conserve pra sempre meu bom senso
temperado a pitadas de loucuras

Eu respeito as hipócritas verdades
E o valor natural dos imperfeitos
Pois somente através dos seus defeitos
Poderão destacar as qualidades

Reconheço o valor das falsidades
E a mentira que mora em cada jura
Tanta lágrima mole em cara dura
Que eu já nem ofereço mais meu lenço

Deus conserve pra sempre meu bom senso
temperado a pitadas de loucuras

Eu respeito o lamento dos contentes
E a alegria que mora em todo pranto
O pecado que mora em cada santo
E o temor que apavora os mais valentes

Reconheço a moral dos indecentes
E o sabor palatável da amargura
O azedume que mora na doçura
E a fumaça que limpa pelo insenso

Deus conserve pra sempre meu bom senso
temperado a pitadas de loucuras

Eu respeito a breguice do elegante
E a desordem na mente do analista
O desanimo mora no otimista
E a inocencia namora o meliante

Reconheço a modestia do arrogante
E o maestro que odeia partitura 
O erudito que foge da leitura
E o aluno que adora ser suspenso

Deus conserve pra sempre meu bom senso
temperado a pitadas de loucuras

Eu respeito a vontade do capacho 
E o sucesso de todo o fracassado 
A macheza do homem delicado
E a porção delicada do homem macho

Reconheço a elegância do esculacho
E o poder criador da criatura
A coragem que mora na paúra
E o valor da derrota quando venço

Deus conserve pra sempre meu bom senso
temperado a pitadas de loucuras

Eu respeito a esperteza que há no tolo
E a tolice que mora em cada sábio
O mau jeito que mora no mais hábil
Jubileu celebrado 

Reconheço a desculpa para o tolo
E o valor nutritivo da gordura
A doença saudável que nos cura
E a paixão que parece amor intenso

Deus conserve pra sempre meu bom senso
temperado a pitadas de loucuras

Eu respeito a doidera do careta 
Lucidez que se mostra no maluco
A memória que mora no caduco
E o fantasma que mora na gaveta

Reconheço o caráter da mutreta 
E a beleza que mora na feiúra
Pilantragem que mora na lisura
E a pressão 10 por 8 do hipertenso

Deus conserve pra sempre meu bom senso
temperado a pitadas de loucuras

Eu respeito o sorriso do sisudo
E a tristeza que mora na risada
Quem é tudo mas diz que não é nada
Quem é nada mas diz que sabe tudo

Reconheço a grandeza do miúdo
E a umidade que mora na secura
Noite em claro que ofusca noite escura
E a incerteza que mora no que eu penso

Deus conserve pra sempre meu bom senso
temperado a pitadas de loucuras

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