Alamanaqueiras: ou não queiras.

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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Pras exceções, o parlamento pode sempre destituir o presidente.

Melhor que as eleições só mesmo o unidunitê 

Gregorio Duvivier

Resultado de imagem para Reybrouck.

Jean Remy, meu amigo francês, adentra a casa com um livro na mão. "Você tem que ler isso aqui!" –e brande um livro de bolso onde se lê, na capa, "Contra as eleições", de um tal de Reybrouke. "Sabe quando vou ler isso?" Penso. "Nunca." Detesto livro sobre política. Tenho um medo terrível de achar que entendo, de fato, alguma coisa do assunto. E, pior ainda, de vir a entender algo de fato. A única razão da Folha não ter me demitido é que levo muito a sério essa coisa de não saber nada sobre coisa alguma.

Mas o amigo é daquele tipo que não te dá um livro sem te perguntar, uma vez por semana, como é que tá a leitura (meu pai sempre me alertou: amigo gringo é um problema pra vida toda). Depois da décima semana, tive que começar a ler. E descubro que o sujeito tem a pachorra de ser contra o voto. Sim, igual o Gilmar Mendes. Mas por razões diferentes.

Segundo o sujeito, a democracia nasce "aleatória". Os atenienses escolhiam os membros do parlamento na sorte. Em Veneza e Florença, mesma coisa: sorteavam-se "ballotti", que eram pequenas bolas de madeira, sim, exatamente, como num bingo (daí a palavra inglesa "ballots" pra voto). Quando os americanos conquistam a independência, surge um problema: se a gente tirar na sorte corre um sério risco do povo, de fato, chegar no poder. Inclusive, pela estatística, vai ter mais pobre do que rico no congresso. Aquilo vai ser uma grande 25 de Março. Não pode.

Foi pra tirar os pobres do páreo que inventaram as eleições. Em vez do povo ser governado pelo povo, o povo passa a ser governado pelos "vencedores", que é a própria definição de aristocracia: os "melhores" no poder (leia-se: os mais ricos, os mais homens, os mais brancos, os mais cis, os mais cavalão da Ralph Lauren). A eleição foi inventada para perpetuar o povo do cavalão –e excluir os diferenciados. E tem dado muito certo. Salvo exceções. Pras exceções, o parlamento pode sempre destituir o presidente.

Mas como é que vai tirar um deputado na sorte? Isso não é sério! Alguns processos aleatórios persistiram e ninguém acha estranho. Você já viu algum escândalo envolvendo mesários? Agora imagina se os mesários fizessem campanha e a gente tivesse que escolher o melhor. Prevejo CPIs do mesário, Mesarioduto, escândalo do Mesarião.

A conclusão: o ser humano médio é melhor que o ser humano eleito. Do jeito que tá, nada muda –porque é feito pra não mudar. Detesto falar isso: mas taí um livro que vocês têm que ler.

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