Alamanaqueiras: ou não queiras.

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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

A maioria das pessoas não tem problema com a discriminação que serve às suas preferências, essa é a grande verdade.


Elika Takimoto 


Todo trabalhador tem direito constitucional de trabalhar em um ambiente livre de discriminação e preconceitos de qualquer natureza. Que isso fique claro. Infelizmente, o que ocorre, muitas vezes, é que o discriminado não sabe de seus direitos e aceita a humilhação como algo natural e quem discrimina sequer se toca que pode estar dando um forte exemplo de injustiça social.


Pior é quando a pessoa diz que não é preconceituosa, mas age de forma velada, disfarçada e ainda diz que não vê nada de extraordinário no comportamento discriminatório e, muitas vezes, até o justificam: "Mas vou ter que andar no mesmo elevador que ela?", "Vou ter que ter babá sem roupa branca?", “Mas eles vão ter que comer a mesma comida que eu?".

Vai sim porque sua discriminação é condenável e digna de punição criminal. No caso do uniforme, ele é usado, em grande maioria, para identificar uma classe social diferente, ou seja, para marcar uma identidade social. No caso do elevador e da comida, idem.

Para dar um exemplo que me caiu no colo, em um restaurante em Ilha de Japariz em Angra, mais precisamente no Recanto das Canoas onde só se chega de lancha, o cardápio é detalhado com pratos que giram em torno de 200 reais. Até aí paciência. O que não dá para tolerar é a "quentinha para babá ou segurança" que nem sequer aponta o que tem dentro. Já imaginou isso em pleno século 21 com pessoas gritando por aí que não existe preconceito e que a sociedade está cheia de mimimi?

A dor é ver que o prato é comprado e raro são os que se sentem mal com isso. A maioria das pessoas não tem problema com a discriminação que serve às suas preferências, essa é a grande verdade.

Como essas pessoas não percebem que a babá e outro empregado que come um prato diferente não sofre um sério dano moral, pois a sua dignidade foi atingida gerando um sentimento de diminuição?

Até quando teremos essa segregação velada impune?

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