Almanaqueiras: ou não queiras.

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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

As cantadas ofendem

Uma pesquisa mostra que as mulheres têm medo de andar sozinhas por causa das agressões verbais – e físicas – que recebem dos homens. Quando haverá uma campanha oficial contra isso?

Karin Hueck - Época




Natália, de 28 anos, andava por uma avenida movimentada de São Paulo com uma amiga. O rapaz que vinha na direção oposta se esgueirou entre as duas. Encarou-as de alto a baixo e soltou: “Sem calcinha vocês devem ser uma delícia”. Débora, de 29 anos, esperava o semáforo abrir para atravessar uma avenida. Foi abordada por um estranho que a convidava para um café. Puxou-a pelo braço, insistiu e depois começou a segui-la. Thatiane, de 23 anos, estava numa festa. Sentiu alguém deslizar a mão por seu corpo. Ela se voltou para tirar satisfação, e o rapaz a chamou de vagabunda. Thatiane jogou o conteúdo do copo que tinha nas mãos sobre ele. Levou um tapa na cara. Laura tinha 14 anos, estudava no centro de Porto Alegre e saiu para almoçar. Três homens cruzaram seu caminho, passaram a mão no meio de suas pernas e discorreram sobre suas partes íntimas, com uma frase que jamais poderia ser publicada em ÉPOCA.

Natália, Débora, Thatiane e Laura são minhas amigas. Não precisei ir longe para reunir essas histórias assustadoras, porque elas não são exceção. Assim como minhas amigas e eu, já passaram por situações constrangedoras nas ruas 99,6% das quase 8 mil mulheres que responderam a um questionário on-line elaborado por mim. O levantamento, promovido entre julho e agosto, faz parte da campanha “Chega de Fiu-Fiu”, organizada pelo blog Think Olga, um espaço virtual para discutir questões femininas. O percentual de mais de 99% é parecido com o encontrado num trabalho feito nos Estados Unidos pela organização Stop Street Harassment (Parem com Assédio nas Ruas). Lá, 99% das mulheres afirmaram ser incomodadas nas ruas. Como não sou pesquisadora e não usei metodologia científica, sei que meus resultados podem não ser exatos. Mas eles traçam um bom panorama do que as mulheres enfrentam – e do que sentem – quando andam pelas ruas. Como mulher e jornalista, foi a maneira que encontrei de mostrar que esse tipo de “elogio” não agrada. Ofende, humilha e causa medo. (...)

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