O OUTRO MATIAS
Do livro Do Miolo do Sertão
A História de Chico Rolim contada a Sebastião Moreira Duarte
A única “voz de homem” capaz de levar adiante os negócios de Matias Duarte Passos era o caçula do primeiro casamento, José Matias Duarte, com 23 anos quando meu pai morreu.
Zé Matias era uma figura envolvente, carismática mesmo, um líder nato. A sua influência cedo iria extrapolar os limites do Olho d’Água do Melão, para ganhar nome nos sítios em torno e estender-se ao Baixio, a Umari, a Alagoinha (hoje Ipaumirim), até Cajazeiras e Mossoró. Todos admiravam aquele homem atarracado, alegre e sempre disposto a um bom papo. Em casa, nós pequenos o queríamos e respeitávamos como a outro pai. Cunhado de Dosanjo, a quem queria como a sua mãe, Zé Matias era, de fato, o arrimo de nossa família, e, mais, das famílias das irmãs Nanã, viúva, e Teté, cujo marido, Zé dos Torrões, vivia desde muitos anos deitado no fundo de uma rede, entrevado pelo reumatismo.
O nosso querido irmão poderia ter sido o esteio em que nos apoiaríamos na reconstrução do nosso futuro. Mas, cedo também ele nos seria arrebatado, e pela maneira mais violenta.
NO CABO DA ENXADA
Pelo inverno de 1926, ao final da gravidez e durante o resguardo de Dosanjo, ainda se encontraram uns restos de paiol em casa, umas cuias de feijão e arroz para temperar com algum bicho do terreiro.
Mas, a partir de 1927, a família teve que procurar o caminho da roça para cuidar da própria sobrevivência. Contando de início com a ajuda de Zé Matias para o trabalho mais pesado, minha mãe cedo tratou ela mesma de levar os filhos para essa árdua escola, que é ainda hoje a única que se oferece a muitos nordestinos. Primeiro, foram as imãs Alodias, Maria Virgem e Stela. Depois, foi Valdemar. Por fim chegou a minha vez.
Eu acabara de completar seis anos, mas ainda hoje, lembro onde ficava situada a nossa primeira roça. Também guardo bem vivas as lições desse meu primeiro “Livro do Mundo”, nas quais, devo confessar, não era dos mais interessados. Eu mais atrapalhava do que ajudava ao trabalhar dos maiores e, de fato, só não ficava em casa porque não tinha com quem. Inocente das coisas da roça, eu arrancava a lavoura, principalmente os pés de algodão, confundindo tudo com “mato”. Minha mãe me distribuía generosos cascudos pelos prejuízo causados.
Como sousense pra mim Antonio Mariz
ResponderExcluirpra Cajazeirs Chico Rolim
adoro historia do sertão
ResponderExcluirAdoro ler sobre seu Chico
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