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terça-feira, 6 de junho de 2017

era o chamado pau mandado, o xeleléu do planalto.

No afã de participar, ex-assessor de Temer ajudava em qualquer coisa

ESTELITA HASS CARAZZAI


O ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), ex-assessor do presidente Michel Temer, foi preso na manhã deste sábado (3)


O ex-deputado Rodrigo Rocha Loures sempre esteve disposto a um bom papo. Gentil e risonho, cabelo penteado com gel, o ex-assessor do presidente Michel Temer não hesitava em entregar seu cartão de visitas, com o número do celular escrito à mão, a jornalistas e interlocutores em Brasília.

Desde o final de maio, quando veio à tona o vídeo em que carrega meio milhão em propina da JBS numa mala, é difícil falar com ele. Nem mesmo parentes conseguem.

Preso desde sábado (3), ele não quis receber visitas nos primeiros dias, nem sequer da mulher, grávida de oito meses. Disse à família que está bem e que resiste a delatar.
Filho do também Rodrigo Rocha Loures, empresário de 73 anos que fundou uma indústria de alimentos criadora de barrinhas de cereal, "Rodriguinho" iniciou a carreira na empresa do pai, mas quis alçar voo próprio.

"A família é histórica e sua trajetória chega a se confundir com a história do Paraná", afirmou em artigo a pesquisadora Ana Crhistina Vanali, da UFPR (Universidade Federal do Paraná). Entre os antepassados, estão os patriarcas fundadores de Curitiba.

Ainda jovem, Rodriguinho foi presidente do diretório acadêmico da FGV em São Paulo, onde se formou em administração –e que, dias atrás, o declarou persona non grata, afirmando que ele "se corrompeu pelo poder".

Quem conviveu com ele lembra de sua permanente presença em palanques e cerimônias, ainda que como papagaio de pirata. Foi assim no discurso da vitória da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2014, quando se posicionou entre Temer e Lula.

No afã de participar, ajudava em qualquer coisa –agendava reuniões, fazia ligações, carregava malas. Na sua primeira CPI, a da crise aérea, ainda sem posição de destaque, se ofereceu para traduzir a transcrição da caixa-preta do Legacy que colidiu com o avião da Gol, em 2006.

Perplexos com as denúncias, amigos lembram de seu engajamento na criação das barrinhas de cereal na empresa da família, a Nutrimental. Depois que a gestão da empresa foi profissionalizada (os sócios, por opção, decidiram afastar a família dos cargos executivos), ele ainda se envolveu no movimento "Nós Podemos", que incentivava o cumprimento dos objetivos do milênio –conjunto de metas sociais fixado pela ONU– no Paraná.

Muito da sua inspiração na vida pública veio do pai, que era professor da UFPR e foi presidente da Federação das Indústrias do Paraná.

Naquela época, o filho havia acabado de assumir a chefia de gabinete do governador Roberto Requião (PMDB) depois de a família investir R$ 110 mil na campanha do peemedebista.
Nas três campanhas que disputou, duas para deputado federal e uma para vice-governador na chapa de Osmar Dias (PDT), derrotado em 2010, Rodriguinho dizia representar "a juventude, a inovação".

Ele só virou assessor de Temer em 2011. Aos poucos, ganhou sua confiança e se tornou seu amigo.

O advogado Cezar Bitencourt, que defende Rocha Loures, diz que o estado emocional do deputado afastado é "surpreendentemente excelente". Segundo o defensor, ele admite que errou –mas, ao mesmo tempo, diz que foi um ato isolado e que agiu por conta própria. Para o advogado, que é um crítico severo da Lava Jato, a delação é "a última alternativa".

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