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Artrópodes articulando.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Revelação da Ombudsman da Folha: a última Lista do Janot teve conferencia reservada para vazamento de informações. E para vários jornalistas ao mesmo tempo.

   Bob Fernandes

O juiz Moro ordenou, na terça-feira, 21, a condução coercitiva do blogueiro Eduardo Guimarães.

Ordenou também a apreensão de "celulares, computadores e quaisquer documentos" na casa do blogueiro. Assim a Polícia Federal fez.

Em março de 2016 Eduardo Guimarães antecipou em dias informação sobre condução coercitiva de Lula.

Moro agora quis saber, confirmar, quem foi a fonte do blogueiro.E saber se o blogueiro Eduardo conversou com Lula antes daquela rumorosa coercitiva de março do ano passado.

Sigilo da fonte é uma garantia constitucional.

O juiz Moro investiga vazamento de informação. Moro poderia iniciar a investigação por sua Curitiba, e por Brasília.
A Lava Jato vaza, corriqueiramente, há três anos. Até calhas e goteiras sabem disso.

Revelação da Ombudsman da Folha: a última Lista do Janot teve conferencia reservada para vazamento de informações. E para vários jornalistas ao mesmo tempo.

Na mesma terça-feira, 21, o ministro Gilmar Mendes falou desse fato, também da operação "Carne Fraca" e, no contexto, levantou hipótese de futura "anulação de provas".
Sem citar Gilmar Mendes diretamente, mas em óbvio recado para o ministro do Supremo, nesta quarta-feira, 22, o procurador geral, Janot rebateu.

Entre outras, detonou:
-Mentira...decrepitude moral... disenteria verbal...
A Lava Jato, enfim, chegou para quase todos. E, como vimos e se sabe... a carne é fraca.

A Justiça Federal do Paraná diz que Eduardo Guimarães, editor do Blog da Cidadania há 12 anos, "não é jornalista". E que o blog faz "propaganda política".

Em 2009 o Supremo decidiu: não é preciso diploma para ser jornalista.

Lembremos: no Brasil de 5.570 municípios boa parte dos jornalistas assassinados não tem diploma... mas são jornalistas...

...O juiz Moro e procuradores decidem quem é ou quem deixa de ser jornalista?

E quando o jornalismo endeusa juiz e procuradores?

E quando, em busca do vazamento-nosso-de-cada-dia, se evita criticar juiz e procuradores? E quando se vaza contra uns enquanto se poupa outros?

Isso nas manchetes não favorece uns em desfavor de outros? Não se torna propaganda política? Vazar a favor pode?

Há um ano Moro ordenou gravação de conversas de Lula. Dilma, que não era investigada, foi gravada.

Gravação aquela tornada duplamente ilegal ao ser vazada. Por Curitiba, e no mesmo dia, horas depois das escutas telefônicas.

À época Marco Aurélio Mello, ministro do Supremo, disse sobre as ações de Moro:
-Ele simplesmente deixou de lado a lei, isso está escancarado. Essa divulgação de sigilo telefônico é crime.

Teori Zavasky, então, cobrou:
-Papel do juiz é o de resolver e não o de criar conflitos. Juiz (...) deve ter imparcialidade, prudência, discrição (...) e não se deixar contaminar pelos holofotes.

Meses depois, julgando uma representação contra Moro, o Tribunal Federal da 4ª Região decidiu: a Lava Jato "traz problemas inéditos e exige soluções inéditas".

"Soluções inéditas" que, em nome da lei, contornam, desconhecem ou desobedecem a lei.

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