Alamanaqueiras: ou não queiras.

Alamanaqueiras: ou não queiras.

quarta-feira, 15 de março de 2017

É fato que a proverbial ignorância das massas, a força sedutora do populismo e vieses xenófobos dos quais a humanidade deveria envergonhar-se contribuíram para a vitória de Trump,

Não passarão

Helio Schwartsman 

Resultado de imagem para trump cabelos ao vento

Geert Wilders, hoje na Holanda, Marine Le Pen, no mês que vem na França, Frauke Petry e a turma do Alternative für Deutschland, em setembro na Alemanha, Jair Bolsonaro, em 2018 no Brasil. Depois de Donald Trump, o mundo se preocupa com a ascensão de líderes populistas da extrema direita.


Não há dúvida de que o planeta se torna um lugar pior sempre que esse tipo de gente chega ao poder, mas me parecem exagerados os temores dos que vislumbram uma onda fascista global. É verdade que Trump, que nem chega a ser um extremista, venceu, mas isso não nos autoriza a concluir que os outros líderes acima mencionados ou mesmo a maior parte deles repetirá os passos do americano. Ouso até prognosticar que não.

É fato que a proverbial ignorância das massas, a força sedutora do populismo e vieses xenófobos dos quais a humanidade deveria envergonhar-se contribuíram para a vitória de Trump, mas o que se mostrou decisivo para que ele chegasse à Casa Branca foi o anacrônico sistema eleitoral americano, que permite que o candidato derrotado no voto popular triunfe no colégio eleitoral.

Na maior parte do mundo democrático, vigoram sistemas que, se não eliminam, limitam a possibilidade de aventureiros sem o apoio da maioria vencerem o pleito. No presidencialismo, a principal válvula de segurança é o segundo turno, existente tanto na França como no Brasil. Onde ele não está previsto, aumentam mesmo as chances de prototiranos se instalarem no poder, como foi o caso de Rodrigo Duterte nas Filipinas.

Já no Parlamentarismo, essas figuras e seus partidos até podem obter mais votos que seus adversários, mas, para efetivamente governar, precisam compor com outras forças, o que ou os tira do páreo ou exige que moderem suas posições.

Nos EUA, o controle da palatabilidade dos candidatos era feito pelos partidos, não pelo sistema de votação. Foi isso que deu errado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário