Alamanaqueiras: ou não queiras.

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Chega de ficar apenas gritando que a direita é uma merda.

   Gustavo Gindre

Eu quero muito sair dessa crítica cotidiana e reativa em que me enfiei junto com boa parte da esquerda. Estou absolutamente convencido de que estamos num deserto de longa travessia. Um deserto cujas dimensões não estão limitadas ao Brasil. Ao contrário, trata-se de um fenômeno mundial.



Parte da esquerda brasileira só terá claro o tamanho do deserto depois de 2018, com o previsível fim das esperanças lulistas.

E a saída desse deserto não passa por essa guerra de claques em que todos nos metemos. Mas por dois processos concomitantes e complementares.

Primeiro, tentar entender como nos metemos nessa merda em que estamos. Ou seja, avaliar o passado.

Segundo, construir um projeto de país. Ou seja, planejar o futuro, porque um projeto precisa dialogar com a realidade.

Que projeto nós temos para a gestão da economia, para a previdência, para as relações trabalhistas frente às mudanças do capitalismo, para a democratização da comunicação e para vários outros temas centrais de nossa luta?

Desconfio que temos pouca coisa a oferecer. E desconfio também que parte da esquerda é incapaz de ofertar respostas a essas perguntas. Por isso, esse processo passa, também, por repensar a própria esquerda.

É nesse processo de médio prazo que eu quero me engajar, embora não negue a necessidade de fazer a resistência agora. Mas sair do reativo é fundamental. E isso só se faz ou com uma liderança carismática que jogue nossos problemas para debaixo do tapete ou com organização e projeto.

Chega de ficar apenas gritando que a direita é uma merda.

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