Alamanaqueiras: ou não queiras.

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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

"caso clássico de plágio acadêmico da pior qualidade".

 Luis Felipe Miguel

A Folha de hoje dá a notícia de que Alexandre de Moraes gatunou trechos de obra alheia em seu livro Direitos humanos fundamentais. Mas no olho da matéria está escrito que "para especialistas, há divergência sobre se caso configura plágio".É uma formulação estranha; está evidente que eles não querem dizer que os especialistas acham que há divergência, mas sim que os especialistas divergem entre si. Mas se falta de clareza e domínio precário do vernáculo fossem os maiores problemas do jornalismo brasileiro, estaríamos muito bem.



Lendo a reportagem, percebe-se que não é nada disso. Não há divergência. Um dos advogados diz que é um "caso clássico de plágio acadêmico da pior qualidade". O outro pondera que, pela lei brasileira, decisões judiciais não são protegidas por direitos autorais. Isso significa que eu posso compilá-las num livro ou reproduzi-las num periódico sem pedir autorização ou negociar compensação financeira a quem as escreveu. Mas o problema de Moraes é outro, é a fraude intelectual. E aí o segundo advogado, mesmo com toda a prudência do mundo, tem que dizer que "se alguém se faz passar por autor de obra que não é sua, isso poderia sim configurar plágio". Onde está a divergência?

A Constituição (alguém lembra dela?) só faz duas exigências para os possíveis ministros do Supremo. A segunda é ter "reputação ilibada". É algo vago, mas em alguns casos não há margem para dúvidas. "Reputação", diz o Houaiss, é "conceito de que alguém ou algo goza num grupo humano". "Ilibada" é "sem mancha".
- Plágio em obra publicada.
- Defesa do uso da tortura.
- Denúncias de enriquecimento ilícito (https://www.buzzfeed.com/alexandrearagao/alexandre-de-moraes-apatrimonio-milionario?utm_term=.tk0owoVp8#.es0JMJzrl).
- Uso ilegal e excessivo da força policial.
- Vinculações notórias com grupos criminosos (PCC e governo Temer).
- Divulgação de informações privilegiadas.
- Mentiras à imprensa durante a crise das penitenciárias.
- Indiana Jones da maconha.

A lista está longe de ser exaustiva, mas já é suficiente. Não existe tinturaria no mundo que faça essa reputação ficar sem manchas.

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