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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Vampeta sabe direitinho o que é ser negro no país.

Vampeta e a capa do Globo

Roberto Salim 


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Uma das notícias em destaque no jornal ''O Globo'', desta quarta-feira, diz o seguinte: ''Rio tem uma pessoa baleada por tiro a cada 8 horas''.

E eu pergunto a vocês: ''Dessas pessoas, quantas são negras?''

Falo isso e lembro que o jogador Heltton é de São Gonçalo, uma das maiores cidades do Rio. Nessa história da Copa São Paulo parece que ele está sendo baleado…

E por causa disso penso na atitude de Vampeta: ele prometeu dar uma nova chance ao jogador.

Vampeta fala o que pensa. Não esconde sua opinião e não é hipócrita. Durante toda sua carreira, Marcos André Batista Santos sempre foi assim. Em um mundo de muitas mentiras e frases feitas, sempre se destacou pelo jeito verdadeiro. Assim, não foi surpreendente que Vampeta saísse em proteção ao jogador Heltton, do Paulista de Jundiaí. Houve erros no caso? Claro! Mas não se pode crucificar um jovem que supostamente teria falsificado – se é que foi ele quem falsificou a idade – para jogar bola na Copa São Paulo.

''Ainda mais que é negro e já sofre a discriminação que sabemos que existe'', disse o ex-jogador e atual presidente do Grêmio Esportivo Audax.

Vampeta sabe direitinho o que é ser negro no país.

Pesquisa da ONU prova que os jovens negros são as principais vítimas da violência no Brasil.

CPI do Senado do ano passado alinhou cruelmente que a cada 23 minutos, em média, um jovem negro é assassinado em nossa terra.

Vampeta também é um presidente de time de futebol incomum.

É negro. Quantos presidentes negros existem em clubes profissionais do Brasil?

Quantos técnicos negros?

Quantos ministros do Supremo são negros? Saudade do ministro Joaquim Barbosa, pela competência e firmeza de julgamentos e opiniões.

Conheci bem o Vampeta antes dele vir para o Corinthians.

Estive com a equipe de reportagem do programa Histórias do Esporte na casa dele. O Ronaldo Kotscho e eu. Fomos para Nazaré das Farinhas, terra do Marcos…

Com sua turma jogamos uma baba – que é como eles chamam a pelada – e conhecemos de perto um cara preocupado com a sociedade local, em todos os níveis.

Marcos-Vampeta nos levou para visitar os velhinhos do asilo, a quem contava histórias de futebol.

Nos mostrou velhas fazendas da região e suas rodas d'água.

Falou dos planos de ajudar na revitalização turística de sua bela cidade.

Inaugurou quadras de futebol para as crianças na praça.

E fez de tudo para que não percebêssemos que havia filas na porta de sua casa para receber remédios e ajuda para quem necessitasse – para os carentes do lugar. Todos ele ajudava.

De quebra, bancou na época a restauração do histórico Cine Rio Branco, belíssima construção de 1926, que estava com os telhados em péssimo estado de conservação.

E ele não era ainda o Vampeta do Corinthians, o campeão da seleção brasileira. Não tinha virado cambota na rampa do Palácio da Alvorada. Mas já era Vampeta na essência: um brasileiro preocupado com sua gente.

Que Vampeta cumpra a promessa feita em entrevistas e consiga levar o Heltton para jogar no Grêmio Esportivo Audax, Que Heltton se transforme em um grande jogador, que possa ajudar sua família e ser exemplo. Com a idade que tiver.

E que nenhum dos grandes dirigentes ou juristas do esporte brasileiro cisme de fazer justiça em cima deste jogador.

Antes dele muita gente merece punição no esporte nacional.

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