Alamanaqueiras: ou não queiras.

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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

"respeitem o nosso índio e aprenda, com ele, a amar o que chamamos de Brasil."

O império contra-ataca: a Imperatriz Leopoldinense e o agronegócio

POR ANCELMO GOIS
A logo do enredo da Imperatriz Leopoldinense

Azedaram a feijoada (que tem feijão, lombo, linguiça e outros produtos da terra) e a cerveja (que tem cevada) da querida Imperatriz Leopoldinense. É que não para de chover protesto do pessoal do agronegócio contra o enredo da festeira que contém críticas ao setor.

Está ficando claro que é uma reação articulada por um setor gigante pela própria natureza, responsável por um quarto do PIB nacional — se incluir todas as cadeias do setor agropecuário.
Depois da Sociedade Rural Brasileira e da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, agora é a vez de duas novas associações do setor (a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando e Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador) engrossarem o caldo contra a escola de samba carioca.
A do boi diz que a Imperatriz contribui com este enredo para a “perpetuação na sociedade do velho preconceito contra o homem do campo”. Já a do cavalo “repudia a forma errônea conduzida na elaboração do samba-enredo” da Imperatriz.
O talentoso Cahê Rodrigues, carnavalesco da Imperatriz, sai em defesa do enredo — veja a logo do tema acima —, que, segundo ele, nada tem contra o agronegócio:
— Nunca foi nossa intenção agredir o agronegócio, setor produtivo de nossa economia a quem respeitamos e valorizamos. Combatemos sim, em nosso enredo, o uso indevido do agrotóxico, que polui os rios, mata os peixes e coloca em risco a vida de seres humanos, sejam eles índios ou não, além de trazer danos em alguns casos irreversíveis para nossa fauna e flora.
Rodrigues reforça que a preocupação é com o índio:
— Quando a Imperatriz decidiu levar o Xingu para a Avenida, tinha uma razão muito forte. Ela quer dizer apenas: respeitem o nosso índio e aprenda, com ele, a amar o que chamamos de Brasil.

No mais

Eu sei que “agro é tech, agro é pop, agro é tudo”. Mas... calma, gente! É carnaval.

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