Alamanaqueiras: ou não queiras.

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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

pura munganga

   
  Luís Costa Pinto

Tibau do Sul, Rio Grande do Norte · 

Hordas de paulistanos de almanaque invadiram algumas das praias nordestinas mais belas e ensolaradas. Muitos deles nascidos e criados no asfalto, contemplando jardins suspensos de uma Babilônia desumana como o do Emiliano ou as empenas verdes que conferem alguma esperança ao minhocão, provavelmente jamais haviam saído do ninho protetor da urbe. Pois bem - ninguém me contou, meninos: eu vi.

Resultado de imagem para ovo frito com gema mole e amarela-vivo.

Numa charmosa pousada potiguar a garota mal saída dos 22 (ou "dos cueiros", como se diz em Pernambuco) pediu um ovo frito com gema mole e amarela-vivo. O atencioso garçom anotou o pedido, foi à cozinha e voltou com a resposta. A cozinheira pedia para especificar. A garota esforçou-se, mas não conseguiu. Foi ao google, pediu uma foto do "ovo frito perfeito", os algoritmos googlonianos ofereceram a imagem debum ovo frito por chef estrelado, provavelmente Alain Ducasse ou Daniel Bouloud, e ela mostrou ao garçom. "Quero assim. Clara branca, sem borda queimada. Gema totalmente laranja, sem ter partes amarelo-claro. Só quero assim", determinou. E ouviu um "tá bom". Não teve. Recebeu o ovo possível, seguramente delicioso. E a vida seguiu no balanço natural do Nordeste, ao sabor dos ventos de quem tem de aprender a se deixar levar também.

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