Alamanaqueiras: ou não queiras.

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

acabou o sossego.

Como se vive em Sossego (PB), onde aconteceu o 1º assassinato após 7 anos

Colaboração para o UOL, em João Pessoa
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    Fachada na entrada da cidade de Sossego, a 240 km de João Pessoa
    Fachada na entrada da cidade de Sossego, a 240 km de João Pessoa
A delegacia, fechada por dias seguidos, sugere a tranquilidade rotineira do município de Sossego (PB), a 240 km de João Pessoa. Em casos de emergência, o delegado da área, que atende municípios vizinhos como Picuí, Cuité e Barra de Santa Rosa, se desloca para lavrar um flagrante, mas vai embora em seguida, sem previsão de retorno à pacata cidade.
Com cerca de 3.500 habitantes, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Sossego registra índices de criminalidade baixíssimos, segundo dados da Polícia Militar. "Não vou dizer que não há roubos e furtos, mas são poucos", afirma o tenente-coronel Afonso Galvão, comandante do 9º Batalhão da Polícia Militar, responsável pela segurança local.
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Delegacia em Sossego (PB) fica fechada quase o tempo todo por falta de serviço
Ele, que está há 26 anos na corporação, diz que é o tipo de cidade onde qualquer policial gostaria de trabalhar. "Os índices são invejáveis. Se toda cidade tivesse a calmaria que a gente encontra aqui, a situação no país seria outra."
A tranquilidade, contudo, foi interrompida no início de dezembro com a morte de um jovem de 25 anos, suspeito de roubar um sítio e bater na cabeça de uma criança com um revólver. Segundo a polícia, no dia seguinte, o dono do sítio e pai da criança agredida resolveu vingar a violência com mais violência. Colocou uma arma na cintura e foi à casa do acusado em busca de vingança. 
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Polícia patrulha ruas da cidade, ajudando a diminuir os já baixos índices de criminalidade
Após matar o suposto bandido, fugiu --e continua foragido até o momento. "Foi um caso muito pontual. Tão pontual que a população e até a própria polícia se surpreendeu", explica o tenente-coronel. 
O homicídio foi apenas o primeiro registrado desde 2011, quando aconteceu outro assassinato, também por arma de fogo, em consequência de um desentendimento anterior entre vítima e criminoso. Segundo a polícia, um homem chegou à frente de uma casa onde outros dois jovens conversavam e atirou à queima-roupa. 
Falar em crimes locais é uma tarefa complicada, segundo Galvão. "Nem tenho muito o que falar porque quase não há ocorrências", diz. O delegado seccional de Polícia Civil, Cristiano Brito, que responde pela área, afirma que homicídios "são raríssimos" --o caso anterior a esses é de 2008. "Isso nos dá condições de investigar a fundo e chegar à autoria. O último caso foi elucidado em menos de uma semana."
A PM faz rondas diárias desde 2011. O policiamento ostensivo é feito por dois policiais, em diálogo permanente com a comunidade.
"Conseguimos um carro de polícia novo e armamento mais moderno. Tudo isso, aliado ao comportamento da população, faz de Sossego um cenário perto do ideal em relação aos índices de criminalidade", relata o delegado.

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Eduardo Lima e Antônio Almeida conversam na calçada; é costume vizinhos se sentarem do lado de fora das casas para bater papo
De portas abertas

É costume na cidade ficar com as portas e janelas abertas até o entardecer, sem medo de ser roubado. "Aqui é muito tranquilo, graças a Deus. Teve esse caso da morte do rapaz, mas ele procurou", relata o agricultor Eduardo Lima, que há cinco anos se mudou para Sossego. "Todo mundo se respeita... Pode dormir com a janela aberta que não tem perigo."
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Crianças brincam com seus smartphones em calçada de Sossego: assaltos são raros
Pelas calçadas, crianças se divertem com smartphones à mostra, enquanto as mães conversam um pouco mais à frente. À noite, os pais liberam a garotada para brincar nas ruas, o que já não é mais possível em outros municípios paraibanos em que os índices de violência não param de crescer. 
A dona de casa Simone Medeiros diz que a melhor coisa de morar em Sossego é a liberdade de poder andar na rua sem o receio de ser assaltada. "Aqui ainda é possível oferecer uma infância mais tranquila aos nossos filhos. Podemos ir ao mercado sem medo e até chegar mais tarde de uma festa." 
Também é hábito os moradores colocarem cadeiras na frente de casa para jogar conversa fora enquanto o almoço não fica pronto. "Aqui é o melhor lugar para viver. Todo mundo se conhece", diz Everaldo Lima.
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Pedro Burity, dono de padaria em Sossego, conhece os clientes pelo nome
A panificadora Adonai, logo na entrada da cidade, é o ponto de encontro para bate-papo. Entre uma conversa e outra, o dono, Pedro Burity, se levanta para atender a clientela, que ele diz conhecer pelo nome. "Aqui é um paraíso", declara. 
Morando em Sossego há quase 40 anos --quando a localidade ainda era distrito de Cuité--, o comerciante disse que assalto é coisa que a população desconhece, mas opina que a cidade já foi mais tranquila. "Hoje ainda é muito pacata, mas há 10, 15 anos era melhor. Infelizmente, hoje o vício da droga se expande para todo lugar", diz. 
Contudo, de acordo com o delegado, os poucos crimes registrados são "de proximidade", na linguagem policial. "Não são ocorrências relacionadas a tráfico de drogas, como é costume em cidades maiores. A cidade tem uma tradição de crimes não violentos."
"Quem anda direito não tem o que temer", resume o comerciante Pedro Francisco Alves.

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