Alamanaqueiras: ou não queiras.

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Artrópodes articulando.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

dá um frio na espinha...

 
Luis Felipe Miguel

Está na Veja online. Não vou dar o link porque continua sendo a Veja, mas o diálogo protagonizado por Moro é impressionante:

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Advogado de Lula: Eu sou obrigado a pedir de novo uma questão de ordem. A questão é muito simples, Vossa Excelência está violando o princípio da ampla defesa, está perguntando à testemunha sobre fatos que não foram objeto da inquirição de hoje e está daí criando a necessidade de novas perguntas por parte da defesa, se vossa excelência permitir, senão fica um desequilíbrio no processo.

Sergio Moro: Tem uma ordem legal, doutor, de oitiva, primeiro Ministério Público, depois defesa e esclarecimentos do juízo.

Advogado de Lula: Mas o juízo só pergunta sobre questões que forem objeto da inquirição e pontos não esclarecidos

Sergio Moro: [levantando a voz] Essa é a posição do juízo, doutor. Neste caso, é o que estou fazendo.

Advogado de Lula: Mas não é a posição do código de processo, é uma coisa que o senhor não pode fazer.

Sergio Moro: Como eu presido essa audiência, então eu entendo que eu posso fazer na minha interpretação.

Advogado de Lula: Então fica o protesto da defesa contra o comportamento de Vossa Excelência, que viola o código de processo penal.

Sergio Moro: Na sua interpretação, doutor. Na interpretação correta do código, o juiz pode fazer…

Advogado de Lula: Na interpretação de todos que trabalham com processo penal. Somos professores de processo penal.

Sergio Moro: Tá ótimo então, eu vou seguir com minhas indagações aqui, se a defesa permitir, evidentemente…

Eu acredito que há uma linha de continuidade clara entre o amplo apoio concedido a Moro e seus métodos, que é o apoio à arbitrariedade judicial, e o velho, mas cada vez mais barulhento, discurso do "bandido bom é bandido morto", que é o apoio à arbitrariedade policial.

Nós ficamos denunciando a implantação do Estado de exceção, mas exceção é o que muita gente quer: a vigência da lei é o problema. Nós construímos nossa plataforma com base no discurso dos direitos, mas os direitos são considerados "privilégios".

Disputar esse discurso, sem tréguas, é a tarefa fundamental para que a gente possa ter a esperança de voltar a construir um país um pouquinho mais civilizado e democrático.

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