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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Como dizia Charles de Gaulle, a ingratidão é um dever do político.

Dever de ingratidão

Helio Schwartsman

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Michel Temer já deveria ter se livrado de Geddel Vieira Lima. É verdade que o ministro é um articulador político valioso para o Planalto. É igualmente certo que a suspeita que pesa contra o titular da Secretaria de Governo não o classificaria para disputar nem as oitavas de final do brasileirão da corrupção. Ainda assim, me parece um erro manter Geddel no posto.

Temer precisa pensar exclusivamente na governabilidade, mesmo que isso implique ir contra seus instintos e trair amizades. Se Geddel fosse o único ministro com chance de sofrer algum tipo de contestação, talvez o presidente pudesse bancá-lo no cargo. Esse, porém, está longe de ser o caso. Vários dos auxiliares de Temer —e talvez até o próprio presidente— correm o risco de ver-se enredados nas delações premiadas da Lava Jato. É preciso criar um padrão para lidar com essas situações.

E a resposta que mais convém ao Planalto é afastar qualquer ministro ao primeiro sinal de encrenca, afirmando que o faz para deixá-lo inteiramente livre para defender-se. Se não for assim, o governo logo estará obrigado a passar a maior parte do tempo a dar explicações sobre o envolvimento de ministros em histórias complicadas, o que o condenaria a um imobilismo maior que o atual.

A Lava Jato não vai acabar tão cedo. E ela gera uma instabilidade política que não facilita a vida do Planalto. Não será fácil fazer com que o Congresso aprove medidas necessárias, mas impopulares, quando boa parte dos parlamentares está em pânico, temendo ir para a cadeia.

Para piorar um pouco o quadro, as perspectivas de melhora da economia, que poderiam servir de boia para o governo, parecem agora mais frágeis do que poucas semanas atrás. Essa, porém, é a realidade com a qual Temer terá de lidar. Tudo o que ele não precisa é trazer crises pessoais de seus ministros para o seu colo. Como dizia Charles de Gaulle, a ingratidão é um dever do político.

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