Alamanaqueiras: ou não queiras.

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Artrópodes articulando.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Você se imagina mandando alguém tomar em cavidades obscuras com refinamento?

Vida longa às princesas 

Tati Bernardi 

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Estou há semanas evitando escrever sobre a tal escola de princesas, tentando me proteger da angústia insuportável que é decepcionar alguns leitores. Porém, para desafogar esse peito atolado, resolvi gritar pra todo mundo ouvir: eu apenas as amo. Eu tenho verdadeira adoração pelas meninas, moças e "mães de miss" que acreditam pertencer a um reinado encantado chamado "nasci com uma vagina". Leave the princesses alone! Obrigada, Deus, por existirem essas magníficas aulas para torná-las ainda mais puras e donzelas à espera de um príncipe montado num cavalo chamado Grana. O mundo precisa delas.

O que seria do homem inseguro, do reizinho criado pra solar num gigantesco palco chamado vida, não fossem essas dadivosas espécimes de calcanhar sempre macio? O que seria do tio do pavê, do hilário publicitário sem nenhuma graça, do "herdei esse cargo do papai portanto não sei o tamanho do meu pau e preciso de uma mocinha bem boazinha que nunca me venha com uma trena", não fossem essas fadinhas purpurinadas e sorridentes, dizendo "tá tudo bem" a cada pum nervoso do cônjuge?

Imagine a confusão cósmica, o caos interestelar, se todas fossem bacanudas como você? O que seriam daqueles garanhões todos, aqueles empresários, head of alguma coisa, chief of outra coisa, "vepê" something? O que eles fariam sem uma boa daminha prendada e doce ao lado? Quem, POR DEUS, arrumaria a mala deles? Eles teriam que se virar com "o que tem". Ou seja: eles viriam atrás de mim, de você. Aff só de pensar sinto meu saco coçar. Só de pensar sinto minha axila um tanto vencida pingar na minha barriga um pouco flácida.

Se você trabalha quinze horas por dia, sente latejar as partes pudendas quando flerta com um ser tesudo, não posa de bailarina meiga e solícita quando é a festa da firma do mozão e acha o seriado Transparent a coisa mais genial do mundo, você não é uma princesa. E isso te faz uma mulher melhor? Não! Nossas altezas-aranhas são obras primas da evolução! Magras, lisas, de salto. Sem elas sua casa ficaria infestada de insetos machos lhe pedindo pra "não usar essa roupa" ou "não falar palavrão" ou "abrir mão desse seu emprego pra poder abanar meu pênis toda vez que eu estalar os dedos". Obrigada, meninas!

Obrigada Juju, Biazinha, Mel, por peneirar esse mundão de arranjos e deixar pra mim só os melhores homens. Obrigada a todas as infantas doces que batem palminhas pras piadas dos monsenhores mas não sabem tirar sequer uma pequena centelha da própria existência. Obrigada pela sua doçura, pelo seu perdão, pelos seus grandes lábios clareados a laser e por ter chegado a tempo de descongelar o frango.

Eufemismo. Eu, fêmea, xingando com delicadeza? Você se imagina mandando alguém tomar em cavidades obscuras com refinamento? Não. Estamos ocupadas demais para fazer cara de selfie a cada infortúnio. Para recitar um poeminha cândido e espiritual a cada segunda-feira embrutecida pela eterna porradaria entre os nossos desejos e o que deu pra ser. Mas para isso elas existem. As fofuras em rosa. As fêmeas em dourado. As rococós do amor. As fru-frus da veneração. As "olha lá uma mulher de verdade" de uma cidade que elegeu uma primeira dama que não sabe onde fica o Minhocão e acha que o marido fará muito PELA MODA. Como as amo.

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