
Eugenio Pacelli De Oliveira
Por quem os holofotes brilham
Nada a ver com a lembrança do grande Hemingway. Mas vivemos uma grande crise de identidades institucionais. Como cidadão, não posso deixar de manifestar profunda decepção em ver a deliberada destruição da honra e da imagem de uma pessoa em rede nacional.

O meu querido MPF parece refém da missão de salvadores da pátria que a mídia, de modo geral, conseguiu a ele impor.
Entrevista coletiva anunciando o oferecimento de denúncia, em tons proféticos e com certeza inabalável, como se o Judiciário já se encontrasse vinculada a ela, constitui claro excesso funcional.
A realidade processual penal no Brasil de hoje é a de presunção de culpa. A Constituição já foi rasgada. E a imprensa se mostra incapaz de uma autocrítica. Produziu com eficiência um cenário onde todos os investigados e todos os acusados são mesmo culpados e já merecem a prisão desde logo. Acredita ou quer fazer acreditar que a polícia e o MP são infalíveis. E estão longe de sê-lo evidentemente. Só não vê quem não quer: direitos e garantias constitucionais se tornaram artigo de segunda, mera retórica de legitimação do poder.
Adendo: não importa analisar, por ora, a contundência ou não da peça acusatória. É outra a questão.
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