Geneton Moraes Neto, seu nome é Jornalismo

Sidney Rezende
Morreu um dos caras que sempre tratou o Jornalismo com respeito. Repare que escrevi com "J" maiúsculo. E não é por acaso. Geneton não perfilava nesta vala comum de canalhas e traidores.
A primeira vez que nos encontramos foi em 1986. Eu acabara de escrever o livro "Ideário de Glauber Rocha", com a ajuda inestimável do meu amigo de faculdade Carlos Nobre.
Pernambucano, fiel às suas raízes nordestinas, Geneton viu ali uma oportunidade de valorizar o baiano e a cultura brasileira. Então, me convidou para uma entrevista para o "Jornal da Globo", onde era um dos editores.
Ele fez um cenário em croma bonito com a foto da capa do livro. Infelizmente, entre a realização da entrevista e a veiculação, surgiu uma greve da categoria e o trabalho nunca pôde ser visto. O material se perdeu no meio do caminho.
Nossas vidas tomaram outros rumos, mas, anos mais tarde, nos reencontramos nos corredores da "TV Globo", até sermos colegas na "Globonews".
E sempre nos cumprimentávamos e conversávamos longamente sobre o Brasil. Tanto ele como eu lutávamos pelas mesmas coisas: liberdade, democracia, combate à pobreza, valorização da profissão. E sempre ríamos muito. Nossos "santos" sempre se deram bem.
Quando soube há pouco mais de um mês que Geneton Moraes Neto estava internado e precisava de sangue, eu escrevi aqui que podíamos ajudá-lo.
Sinceramente, eu acreditava na recuperação. Quando li no SRZD que Geneton morreu hoje, aos 60 anos, o meu coração ficou muito triste.
Geneton, nordestino, honesto, dedicado aos livros, uma vida entregue ao saber, bom colega, só deixou coisas boas na sua caminhada. Uma folha de serviços extraordiária. Um amigo.
Triste, mas orgulhoso por existir um profissional, como escrevi nas primeiras linhas, que não tem nada a ver com esta vala comum de canalhas e traidores.
Descanse em paz. É um clichê que Geneton não escreveria. Mas é uma emoção única que traduz o que sentimos.
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