2018 já começou
O programa de Temer jamais seria aprovado nas urnas
Cid Benjamin

Escrevo antes do término do julgamento do impeachment de Dilma Roussef pelo Senado. Mas os resultados são favas contadas, apesar de seu digno discurso de despedida. Até o PT a abandonou. Ela perderá o mandato, o golpe será consumado, e Michel Temer vai ser empossado em definitivo. Será mais um presidente sem votos, como os generais da ditadura.
Estão em jogo, nesse episódio, duas coisas.
A primeira, o pacote de medidas antipopulares, exigido pelas classes dominantes. Para estas, as concessões de Dilma e seu “ajuste” neoliberal já não bastavam. Temer quer retirar outros direitos dos trabalhadores, apertar mais os aposentados, desmontar a CLT e cortar recursos das áreas sociais. É um programa que jamais seria aprovado nas urnas. Só poderia vir por meio de um golpe. Por isso, o impeachment.
Este é o pano de fundo para a derrubada de Dilma.
A direita aproveitou o desgaste do governo, que não fez reformas estruturais e, por isso, não pôde mobilizar a sociedade em seu apoio. Quis garantir a governabilidade comprando bandidos com cargos. O resultado é conhecido. Além disso, o PT se enfraqueceu com a Lava Jato. Daí para o golpe foi um passo.
O segundo elemento é a sucessão de 2018. Lula foi indiciado e, se condenado, perderá os direitos políticos. A acusação: a OAS fez obras no valor de R$ 2,4 milhões no triplex que ele compraria.
Tudo indica que Lula iria mesmo adquirir o imóvel, mas desistiu. Mas a OAS já tinha feito gratuitamente as obras, a pedido do ex-presidente. No entanto, não há provas de que Lula teria dado vantagens à empreiteira como contrapartida. Portanto, qual é a acusação? Receber favor não é ilegal. Não se discute que houve relação de promiscuidade entre Lula e a OAS. Comportamento impróprio, mas não configura crime.
O indiciamento de Lula tem a ver com 2018 e a tentativa de garantir continuidade ao arrocho de Temer. Apesar da rendição ideológica do PT, ele não poderia aplicar esse pacote. E, em que pese o desgaste do PT, Lula poderia ser um candidato competitivo.
Não sei se ele vai querer ou vai poder concorrer, mas, tanto seu indiciamento, como a pressa em aplicar o pacote antipovo de Temer, têm como pano de fundo 2018. O ajuste neoliberal de Dilma era pouco.
Mas que se preparem. Haverá resistência.
Cid Benjamin é jornalista
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