Almanaqueiras: ou não queiras.

Almanaqueiras: ou não queiras.

domingo, 24 de novembro de 2013

Pronto, falei.

Carnavalização judicial

Alberto Dines


A severa dosimetria aplicada pelos meritíssimos do STF não pode ser entendida como encenação, é para ser cumprida. O processo não pode perder a sua condição de Rubicão, marco nos anais da nossa justiça e das instituições republicanas. Nada impede, porém, que perca o seu alto teor letal e a sua dupla ação como fator de demonização e vitimização.

Para isso, imperioso despolitizá-lo. Em outras palavras: imperioso livrá-lo das armadilhas da lealdade partidária e das meias verdades corporativas. A alegação de que os três dirigentes do PT são “presos políticos” funciona no âmbito dos palanques e das passeatas, mas como argumento político é uma patranha contra a legalidade do Estado brasileiro cuja chefia é ocupada legitimamente pela petista Dilma Rousseff.

Se verdadeira a afirmação atribuída ao ex-ministro e ex-governador gaúcho Olívio Dutra, fundador do PT, de que não considera os seus companheiros como presos políticos, estamos no bom caminho. Camaradagem e companheirismo não podem ser usados para desfigurar a lealdade a princípios e valores permanentes. Quando o também gaúcho Tarso Genro, logo em seguida a explosão do escândalo, propôs a refundação do Partido dos Trabalhadores, oferecia um caminho alternativo que, adotado, teria evitado o estresse e o desperdício de indignação dos últimos oito anos.

Também teria evitado a carnavalização dos recentes procedimentos judiciais que retirou da justiça a indispensável solenidade. O espetáculo midiático da penalização, a exposição pública da penitência e a tentativa de devassar cárceres é um desserviço à verdade, deslealdade com a cidadania.

Nenhum comentário:

Postar um comentário