Hoje, 43 anos do AI-5, de triste memória
O Ato Institucional Nº5 ou AI-5 foi o quinto de uma série de decretos emitidos pelo regime militar brasileiro nos anos seguintes ao Golpe militar de 1964 no Brasil.
O AI-5 sobrepondo-se à Constituição de 24 de janeiro de 1967, bem como às constituições estaduais, dava poderes extraordinários ao Presidente da República e suspendia várias garantias constitucionais.
Redigido pelo ministro da justiça Luís Antônio da Gama e Silva em 13 de dezembro de 1968, entrou em vigor durante o governo do então presidente Artur da Costa e Silva, o ato veio em represália à decisão da Câmara dos Deputados, que se negara a conceder licença para que o deputado Márcio Moreira Alves fosse processado por um discurso onde questionava até quando o Exército abrigaria torturadores ("Quando não será o Exército um valhacouto de torturadores?") e pedindo ao povo brasileiro que boicotasse as festividades do dia 7 de setembro.
O Ato Institucional Número Cinco, ou AI-5, foi o instrumento que deu ao regime poderes absolutos e cuja primeira conseqüência foi o fechamento do Congresso Nacional por quase um ano.
Na Paraíba - 1978.
Na Paraíba - 1978.
Em 21 de julho de 1998 o Correio da Paraiba na coluna Conexão do sertão, de Josival Pereira, publicava a seguinte matéria:
" O teatrólogo Ubiratan de Assis mostra cartaz da peça teatral Aí...., uma crítica ao Ato Institucional n° 5, de triste memória, que consolidou o poder repressivo da ditadura militar, escrita e montada no final dos anos 70. A peça foi censurada pela Polícia Federal da Paraíba. Agora, que legalmente se extingue a censura, lebremos aqueles que lutaram contra o arbítrio".
O Jornal O Norte de 5 de maio de 1978 anunciava em página inteira do seu Segundo Caderno a apresentação da peça AÍ...., no Teatro Santa Roza. Na tarde do dia 04 de maio 1978, Ubiratan de Assis, autor e diretor do espetáculo presta depoimento por mais de 3 horas na Policia Federal da Paraíba. Resultado : A peça foi censurada - PROIBIDA em todo território nacional. Bira recebeu a seguinte recomendação dos censores: "Sr. Ubiratan, aqui na Paraiba você não montará nem Chapéuzinho Vermelho,.. nem Branca de Neve e os Sete Anões,.. te cuida!" Bira sofreu sérias consequências, mas não se acovardou: RESISTIU! Graças a Deus está vivo, entre nós. Não faz parte da lista dos desaparecidos, da ditadura militar.
(pesquisa net Ac2B- com informações do Bira)



Fui a estréia da peça no auditório do colégio diocesano (nosso principal teatro da época). Lembro-me também do vexame repressor dos federais em J. Pessoa com os representantes do Grutac. Nós estudantes secundaristas, acostumados a ler "Luta Operária", "Em Tempo" "Pasquim" e outros, compromissados com a resistência a censura, ficamos apreensivos em saber mais detalhes além do que os jornais noticiaram.
ResponderExcluirValeu, CLeudimar!
ResponderExcluirUm dia essa história ainda vai ser contada de forma minuciosa e bem detalhada. Aguade. Obrigado pela solidariedade. Forte abraço, Bira.