Almanaqueiras: ou não queiras.

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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Oh, ‘carrazeiras véia’ que não sai de mim (2)


*Nenen de Eudes - Vice Presidente AC2B

Cajazeiras

Falaram que eu havia arranjado desculpa para lembrar passos do passado, em Cajazeiras. Encontrou tanajuras! Lembram?


Pois bem. Quando falo que 'carrazeiras’ exerce uma marcação cerrada sobre mim capaz de causar inveja até em Júnior Baiano, acham que estou exagerando.


Estava, novamente, como faço todo santo dia, praticando a minha sagrada caminhada, por sinal, já em processo de desaceleração, quando observei vindo na minha direção contrária, uma figura por demais conhecida na nossa cidade. Ela foi pivô de um dos casos mais intrigantes da história policial de Cajazeiras, já tendo, inclusive, sido cantado em versos e prosas nas antigas postagens dos Setecandeeiroscaja.


Eu, ainda molecote, assisti a uma cena que marcaria profundamente toda a minha infância. Um caso realmente impossível de esquecer, até pela proximidade que eu tinha com toda a família. Sei que todos estão ansiosos pra saber o nome da tal figura. Porém, peço a todos um pouco de mais de paciência para não estragar o enredo do meu samba. Puxa! Como faz tempo! Esse caso aconteceu, se minha memória não falha, lá por volta de 73/74.


Estava em casa quando, sempre inquieto, aproximadamente às 22h00 (acho que foi isso) resolvi sair para a calçada de minha residência, certamente atraído por um burburinho que vinha lá das bandas do Bar Alvorada. Fui me aproximando do local para conferir de perto o que diabo estava acontecendo. Meu Deus! Foi quando assisti apavorado o dono daquele estabelecimento, Seu Ionas Dunga, pai de Galeguinho (de saudosa memória) desferir um balaço naquele que viria a ser o seu futuro genro e pai de suas netas. Se não fosse a enérgica intervenção de Edmilson Dunga e Beruó (funcionários do Bar), certamente não seria possível narrar pra vocês mais um capítulo desta novela chamada Cajazeiras.


Acho que depois de uma dica como esta, certamente todos haverão de imaginar se tratar de João Moreira, irmão de Juarez Moreira. Vejam vocês, o encontro aconteceu no Parque da Águas Claras, em Brasília, a mais de 2.000 km de Cajazeiras. Que coisa! Confesso que o reconhecimento foi facilitado em decorrência de um pequeno defeito que ele ainda apresenta em uma das pernas, sequela do referido incidente. Ele, claro, passou por mim sem me notar. Entretanto, meu olhos apurados de lince não permitiram que o fato passasse em branco.





Gritei: “João Moreira!"  (foto)






Ele parou, olhou... Fui me aproximando, e ele ainda desconfiado... "Tudo Bom!" Ele ainda cabreiro... Foi quando, para dissipar o medo lhe disse: “sou filho de Eudes Cartaxo”. Ele me olhou novamente, e ai, sim, falou: Eudes do Fisco”? “Exatamente”! “Você me reconheceu, rapaz? Como, não! Pensei comigo. “O que anda fazendo por aqui”? Perguntei. Ele falou que estava hospedado na casa de uma filha, passando alguns dias em Brasília. Cumprimentamos-nos e seguimos a nossa caminhada.


Eu estava acompanhado de minha filha, Mariana. Inclusive, já havia lhe relatado o caso do sogro que havia atirado no genro.... Agora, diante do inusitado encontro, ela teve a oportunidade de conhecer de perto o personagem principal de uma instigante história que povoou a minha infância.


*  Nenen de Eudes - Eriston Cartaxo - escreve às  sextas-feiras  para o Blog Setecandeeiroscaja
 
Dirceu e Nenen de Eudes

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