Almanaqueiras: ou não queiras.

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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A implosão do Hotel Alvorada (a morada dos deuses)

3...2...1... e mais de 40 anos de história viraram pó em 10 segundosÀs 10h18 de ontem, cerca de 400 pessoas acompanharam as implosões do Hotel das Nações e do Alvorada Hotel na área central de BrasíliaCorreio Braziliense
O menino Mateus da Silva, 9 anos, demorou para acreditar no que estava diante dos olhos. Às 10h18, vibrou com a implosão que levou 10 segundos para colocar abaixo as estruturas do Hotel das Nações e do Alvorada Hotel. O garoto estava acompanhado do pai, o servidor público Marcelo da Silva, 46 anos, no Eixo Monumental e ao lado de mais de 400 pessoas, de acordo com a Polícia Militar. Com direito a contagem regressiva e a aplausos no fim da operação, os explosivos foram acionados no Setor Hoteleiro Sul com quase 20 minutos de atraso. Uma densa nuvem de poeira formou-se na região.


Um forte esquema de segurança montado na área central de Brasília chamou a atenção. Carros do Corpo de Bombeiros, do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Departamento de Armas, Munição e Explosivos da Polícia Militar ocuparam os gramados do Eixo Monumental e da Avenida W3 Sul na manhã de ontem. Muitos pararam para assistir à demolição. “Essas coisas acontecem raramente e acabam se transformando em um evento para a cidade. O meu filho gostou bastante e me disse que vai trabalhar com engenharia quando crescer”, disse Marcelo.


Para garantir a segurança, a mobilização começou na noite da última terça-feira. Por volta das 23h, agentes do Departamento de Trânsito (Detran) fecharam estacionamentos. Às 7h de ontem, as vias próximas ficaram interditadas e, uma hora depois, hóspedes e funcionários começaram a deixar os prédios. As últimas pessoas saíram às 9h, quando tocou a segunda sirene de alerta. A Defesa Civil vistoriou os hotéis para garantir que não havia mais ninguém por perto.


Um perímetro de 2,1 mil metros, com raio de 300m, foi isolado. A empresa JC Gontijo, proprietária dos terrenos, gastou R$ 650 mil por implosão. O primeiro prédio a vir abaixo foi o Hotel das Nações, de 1965. O segundo, o Alvorada Hotel, de 1975, desabou dois segundos depois. Dois novos edifícios serão construídos nos locais para atender a demanda de turistas durante a Copa das Confederações, em 2013, e a Copa do Mundo, em 2014.


A massagista Maria Raimunda Alves Pereira, 52 anos, trabalha aos fins de semana e feriados no Parque da Cidade. Para chegar até o local mais rápido, ela sai de Sobradinho II, vai até a Rodoviária do Plano Piloto e corta caminho pelo Setor Hoteleiro Sul. Na manhã de ontem, acabou surpreendida com a interdição da área, pois não sabia da operação. “Acabei me atrasando bastante e vou ter que fazer um caminho diferente”, contou.


A turista italiana Chiara Panarone, 38 anos, também se surpreendeu com o esquema de segurança montado pelos órgãos do governo e pela empresa JC Gontijo. Segundo Chiara, o taxista não sabia da implosão e deixou ela e dois amigos no Setor Comercial Sul. Cansados da viagem, os três esperaram mais de duas horas para chegar ao hotel em que estavam hospedados. “Não nos avisaram sobre essa operação”, reclamou.


Sucesso
Para o superintendente de engenharia da JC Gontijo, Gustavo Fantato, o trabalho se desenrolou conforme o esperado. “Os danos à vizinhança foram mínimos, como o previsto, e a operação, um sucesso”, avaliou. Ele explicou que a empresa se preparou por três meses e avaliou os riscos para que os prédios próximos não sofressem qualquer estrago. Alguns receberam uma proteção especial. “O entulho caiu onde planejamos e apenas algumas vidraças de outros hotéis se quebraram, mas já esperávamos por isso”, informou. Todos serão ressarcidos.


O secretário adjunto de Defesa Civil, coronel Luiz Carlos Ribeiro da Silva, explicou que, por ser uma área bastante ocupada, o planejamento levou 30 dias. “Pensamos em tudo, fizemos reuniões com os gerentes de hotéis e escolhemos o feriado porque há menos hóspedes na cidade e menor fluxo de carros nas ruas.”
Restos de destruição tomaram conta do Setor Hoteleiro Sul após a derrubada dos dois empreendimentos (Breno Fortes/CB/D.A Press)
Restos de destruição tomaram conta do Setor Hoteleiro Sul após a derrubada dos dois empreendimentos




Entulho servirá para cooperativas
Thaís Paranhos
Flávia Maia



As implosões do Hotel das Nações e do Alvorada Hotel deixaram 22.080 toneladas de entulho no Setor Hoteleiro Sul. A limpeza na área começou logo após os prédios virem abaixo para a liberação das vias próximas ao local, interditadas por motivo de segurança. A JC Gontijo, empresa responsável pela operação, tem 30 dias para recolher o material.


Por causa do pequeno atraso no início da operação, o horário programado para a retomada do tráfego de veículos foi transferido das 11h para as 12h. Porém, mesmo depois da previsão, operários e garis ainda trabalhavam nas proximidades. Duas pistas do Eixo Monumental permaneceram interditadas até o início da tarde de ontem, além da via que passa ao lado do Shopping Pátio Brasil e da ligação entre a avenidas W3 Norte e Sul.


No local do antigo Hotel das Nações, inaugurado em 1965, e do Alvorada Hotel, em 1975, a empresa construirá dois empreendimentos hoteleiros. Os antigos prédios tinham 12 andares e 130 apartamentos cada. A média do tamanho dos quartos era de 16 metros quadrados. O novo projeto, ainda não finalizado, prevê dois edifícios de 17 pavimentos, além da construção de 528 apartamentos de 25m². “Fizemos uma avaliação e chegamos à conclusão de que não daria para aproveitar a estrutura. Não passaria na vistoria, de acordo com as normas vigentes”, informou Gustavo Fantato, superintendente de engenharia da JC Gontijo. As obras dos novos hotéis devem durar de 18 a 24 meses.


Fantato explicou que, antes das implosões, portas, assoalhos de madeira, louças, luminárias e metais foram retirados dos antigos hotéis para serem aproveitados. Todo o entulho recolhido será encaminhado para o Lixão da Estrutural, onde cooperativas de reciclagem aproveitarão o material.

Um comentário:

  1. AChei bacana, por mais que a história dos hoteis fossem importantes, é importante também adaptarmos as normas para a copa e para modernizar Brasília, apoio esse tipo de empreendimento, como apoio também o daqui do sudoeste, que além de concluir o setor, irá trazer mais qualidade de vida.

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