Almanaqueiras: ou não queiras.

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domingo, 20 de novembro de 2011

COISAS QUE ACONTECEM COM O RECENSEADOR DO IBGE



Falando em IBGE, lembro-me que em Cajazeiras tinha uma agência que funcionava ao lado da Praça do Congresso. Neste endereço já funcionou uma Concessionária da Chevrolet, que era de ‘seu’ Tota Assis, e depois funcionou uma agência do Banco do Brasil, e ainda uma agência do Bradesco. A Agência do IBGE era chefiada por ‘seu’ João Jaime. Eu não me lembro de algum Censo ou Recenseamento Demográfico realizado em Cajazeiras na época em que eu morava lá. Até porque o censo era realizado, ou melhor, é realizado a cada dez anos.

Já morando aqui em Brasília, eu trabalhava na Companhia de Eletricidade de Brasília (CEB) e depois de um certo tempo fui demitido desta empresa. No dia seguinte à minha demissão, fui até a agência do IBGE onde trabalhava um cajazeirense – Sátiro, filho do chapeado Belchior. Naquela época o IBGE estava selecionando jovens para fazer uma Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, na função de entrevistador. Fiz a pesquisa durante três meses e depois fui contratado para fazer parte do quadro de funcionários do IBGE. Fiquei lá durante quatro anos, de 1973 a 1976.

Já em 1990, trabalhando na Radiobras, empresa a qual trabalho até hoje, um anúncio do IBGE me chamou a atenção. Estava aberta as inscrições para Recenseador, onde seria realizado o Censo Demográfico de 1990. Trabalhei no Censo de 1990 e também no de 2000, como Recenseador.


foto meramente ilustrativa
No decorrer de todo o Censo ocorrem fatos curiosos com os Recenseadores. Certo dia, por volta das duas da tarde, batí na porta de uma casa e como uma das janelas estava meio aberta, ouví um gemido de mulher e logo pensei: “tem gente aqui”. Batí novamente e nada de resposta, e na terceira vez que batí “toc toc”, apareceu um cara meio enfezado e perguntou-me: “o que quer?”. Me identifiquei e falei sobre o Censo. Ele me disse, ainda enfezado, “volte outro dia!” Afinal, ele estava no bem bom com a mulher...

Também levei carreira de cachorros e não foi só uma vez não. Em frente a uma casa tinha um carro estacionado na calçada. Ao chegar na casa batí palmas e de repente apareceu um cachorrão próximo ao carro e me olhando com cara de mau. Não pensei duas vezes, pulei em cima do capô do carro e toda a papelada ficou no chão. Por muito pouco ele não me mordeu.

Já em outro domicílio, uma mansão, batí palmas e ninguém apareceu, nem mesmo um cachorrinho. Olhei para os quatro cantos e entrei de leve, e ao adentrar na área próxima a sala, batí palmas e apareceu uma mulher. De imediato ela me disse: não olhe pra trás.” Tobi, saia daí”. Próximo a minha pessoa, sem que eu desconfiasse de nada, estava um pastor alemão esperando eu reagir. Bom, até hoje, quando eu vejo um cachorrão, eu não cruzo na sua frente.

Lembro-me ainda que em outra casa moravam quase trinta pessoas da mesma família. Ao me identificar “sou do IBGE”, e durante a entrevista, o chefe da família só me chamava de IBGE, porque ele tinha entendido eu dizer “sou IBGE”.

O Recenseador usa sempre o crachá do IBGE e muitas vezes ainda é confundido como vendedor de livros e outras bugigangas. Isso fazia com que certas pessoas não abrissem a porta e nem mesmo a janela para conferir realmente se era ou não o Recenseador.

Em muitas casas onde as famílias são mais humildes, elas recebem o Recenseador com muita alegria e, inclusive, convidam para tomar um cafezinho, e às vezes para o almoço feijão com arroz e farinha. Muitas delas querem falar sobre suas vidas e dizem que precisam da ajuda do governo. Aliás, tem delas que perguntam se o Censo é para o governo dá emprego a eles.



PEREIRA FILHO - Radialista

Rádio Nacional Brasília

jfilho@ebc.com.br

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