Almanaqueiras: ou não queiras.

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terça-feira, 17 de março de 2015

que falta a 'pimentinha' nos faz.

Na arrogância e ignorância típicas da juventude, eu não gostava de Elis. A considerava uma chata, careta, representante-mór da MPBunda. Eu era do rock; da música brasileira, gostava de Caetano, Gil, Novos Baianos... e pouca coisa mais. 


E eis que caiu no meu colo a divulgação nas rádios do 1o.disco da cantora na Warner, onde eu trabalhava. 'Essa Mulher' era o álbum. Por dever de ofício, fui ao show de lançamento no Pal.das Convenções do Anhembi; e saí atordoado com a técnica, a emoção, a qualidade da artista. Por um breve período, tornamo-nos amigos. Duas ou três vezes percorremos, eu e ela, a Paulista de madrugada - indo e vindo do Paraíso à Consolação a bordo de seu MP Lafer conversível. 

Ríamos muito, falávamos um monte de bobagem... ela dizia que se dava bem comigo por sermos ambos piscianos - e ela era os extremos do signo: um peixinho nadando pra cá, outro em sentido oposto. Elis era, talvez, o maior exemplo do que hoje se chama bipolar. Carinhosa, irascível, engraçada, cruel, apaixonante, odiosa, irresistível. Feliz aniversário, doce pimenta.

Márcio Gaspar

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