Almanaqueiras: ou não queiras.

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quarta-feira, 18 de março de 2015

e assim, de retalho em retalho...

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Em fevereiro de 1997, 14 dias antes de morrer, o senador e antropólogo Darcy Ribeiro, 75, deixou para a ex-mulher, então com 73 anos, a sua parte no apartamento que foi do casal, em Copacabana, zona sul do Rio. Pensava no conforto de Berta Gleizer Ribeiro, que morreria nove meses depois.

Mas quem acabou usufruindo do imóvel da rua Souza Lima avaliado em R$ 3,8 milhões foram servidores do Tribunal de Justiça do Rio.

O apartamento de 276 metros quadrados –com quatro quartos e vasta biblioteca de obras de antropologia– virou residência deles entre 1998 e 2014, alugado a preços muito abaixo do mercado por um órgão do próprio TJ.

Nesse período, o imóvel teve como dois inquilinos mulheres de servidores da vara onde estava o processo de inventário dos bens de Berta.

O valor pago era de R$ 800, contra um aluguel de mercado estimado em R$ 5.000.

Nesse intervalo de 16 anos, o inventário da ex-mulher de Darcy sumiu três vezes das estantes do tribunal, no centro do Rio. A cada reaparecimento voltou com menos páginas.

A Central do Inventariante Judicial, órgão criado no TJ do Rio para administrar bens deixados por heranças no Estado do Rio, afirma que essa é uma “prática comum”.

“Juízes ou servidores não podem usufruir de bens que estejam sob a sua direção. Isso representa uma promiscuidade”, diz Eliana Calmon, ex-corregedora do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Só em janeiro deste ano, o imóvel passou a estar sob a guarda de Paulo Ribeiro, sobrinho de Darcy. “Precisamos entrar com ações judiciais para reaver o imóvel que foi do Darcy. Já briguei demais. Denunciei e nada”, afirma Ribeiro, presidente da fundação que conserva a memória do tio e de Berta Ribeiro.

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