Dor de mãe

Mais um crime. Mais uma dor. Mais uma ação incompreensível. Uma mãe e o seu filho morto.
O fato aconteceu em Guarulhos, no Parque Alvorada. Um jovem de 26 anos saiu do carro e foi abordado por dois adolescentes que, segundo a mãe, aparentavam menos de 15 anos. O jovem levou um tiro no rosto. E correu. A mãe, ouvindo o barulho, saiu de casa e foi ao encontro do filho. O jovem ensanguentado aproximou-se da mãe, quando foi atingido por mais um tiro, dessa vez, nas costas. É esse o fato.
É possível imaginar o sofrimento dessa mulher? E de tantas outras que passaram por situações semelhantes? Mais do que buscar culpados pela onda de violência, é preciso agir. Evidentemente, o papel das polícias é fundamental, mas não o bastante. Estamos falando de adolescentes que deveriam estar na escola, que deveriam estar se preparando para o mercado de trabalho e que ingressaram na criminalidade como um caminho aparentemente fácil para obter dinheiro e status.
Governo federal, governos estaduais e municipais precisam agir em duas frentes. Uma, no combate à marginalidade, com uma polícia bem treinada, bem equipada. Com centrais de inteligência, monitoramento das cidades etc. A outra frente é a da prevenção. Não é possível que um país com a força de 6ª economia mundial não invista pesadamente nas escolas em tempo integral, no cuidado integral da criança e do adolescente. O país do amanhã depende da educação de hoje, do cuidado de hoje, das ações de hoje.
Ou isso ou continuaremos "enxugando gelo". Ou isso ou agiremos pelo impulso desses trágicos acontecimentos. Combater a violência vai além de medidas midiáticas. Precisamos de medidas estruturais. E a educação, com ações integradas de esporte e cultura, é que dará às nossas crianças e adolescentes o direito a ter dinheiro, status, bons valores e oportunidade, bem longe da criminalidade.
Quem sabe um dia esses exemplos frequentem apenas os livros de história.
Por Gabriel Chalita (fonte: Diário de S. Paulo)
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