Saldos da greve
Por Mariana Moreira
foto ilustrativa
A greve dos docentes das instituições
federais de ensino, deflagrada em 17 de maio de 2012, representou um dos
movimentos mais fortes que a categoria já realizou na defesa de uma
universidade pública, gratuita e socialmente referenciada e na luta pela
reestruturação do plano de carreira e melhoria das condições de trabalho nas
universidades.
A greve, em nível nacional, teve como
conquistas importantes a intensa mobilização interna que se
verificou nas universidades e a realização de ações unitárias, sobretudo,
com estudantes que, numa expressiva manifestação de maturidade política, revelou
o apoio ao movimento com a realização de atos públicos, passeatas, manifestações
de protesto e, principalmente, a participação nas assembléias e nas discussões
realizadas pelos docentes. Também é relevante destacar a grande participação
da base, aproximando um número significativo de novos docentes da luta e do
sindicato e o desencadeamento do ciclo de greve de outros segmentos da educação,
bem como do conjunto dos servidores públicos federais.
No âmbito do Centro de Formação de
Professores a greve representou um importante espaço para a discussão e o debate
de questões pertinentes ao Campus, como a pauta local de reivindicações
sobre as condições de trabalho docente e de funcionamento do CFP, o
funcionamento do hospital universitário e criação, pelo governo federal, da
EBSERH (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares) e, destaque-se, a
reestruturação da Associação dos Docentes Universitários de Cajazeiras (ADUC),
com a eleição de uma nova diretoria.
Apesar da força da greve, que mostrou para a
sociedade a disputa por projetos distintos de educação, o governo, no entanto,
se manteve intransigente, com ameaças do corte de ponto e de judicialização da
greve. Em relação aos docentes, as ofensivas maiores foram a assinatura do
simulacro do acordo, com uma entidade que não representa a expressiva maioria da
categoria docente (PROIFES), e o envio, ao Congresso Nacional, do projeto de lei
4368/12, que fere princípios constitucionais, como a autonomia universitária e
não representa uma alternativa concreta a instalação de um Plano de Carreira
para os docentes do magistério superior.
A suspensão da greve, no entanto, não
significa o fim da mobilização. Tampouco, a capitulação diante de ganhos
concretos significativos. A categoria docente continua vigilante e vem
construindo articulações que intensifiquem a luta pelas condições de
trabalho, negociando as pautas locais, intervindo a respeito da
reestruturação da carreira, mantendo e ampliando o saldo organizativo
conquistado com a mesma. Temos consciência de que problemas foram verificados em
decorrência dos cento e vinte dias de paralisação. Mas, também temos como
pressuposto nossa convicção de que somente com nossa força e nossa resistência,
conseguiremos construir um projeto de universidade pública que, produtora de
saber e conhecimento, seja locus para a produção das condições essenciais de
construção de nossa soberania livrando nosso povo da dependência econômica,
social, cultural e intelectual. Acreditamos que, a revelia retórica, nossos
direitos cabem no papel. Em nossas mãos cabe a conquista.
Fonte Diário do Sertão
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