Alamanaqueiras: ou não queiras.

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sábado, 22 de julho de 2017

Na dúvida, como parece ser a sinistra regra das forças de segurança no Brasil, a PM atirou.

Ainda se protesta

editorial folha 




A morte de Ricardo Silva Nascimento, ocorrida há pouco mais de uma semana no bairro de Pinheiros, em São Paulo, suscitou um sentimento de revolta e de mobilização cujo significado, nos dias que correm, ultrapassa o que faz crer o número, relativamente pequeno, dos que nele se envolveram.

Não compõem grande massa popular, sem dúvida, os que compareceram à cerimônia religiosa, seguida de ato público, em memória do carroceiro —baleado por um policial militar, por volta das 18h de uma quarta-feira, 12 de julho.

Teria ameaçado PMs com um pedaço de pau, em frente a um supermercado, em rua movimentada.

Cidadãos que testemunharam a cena afirmam que o carroceiro parecia alcoolizado —condição que, conforme dizem, era corriqueira no seu caso. As autoridades ordenaram-lhe que se desfizesse da madeira que empunhava, sob pena de ser alvejado. Moradores da região asseguram que era baixa a periculosidade de Nascimento.

Na dúvida, como parece ser a sinistra regra das forças de segurança no Brasil, a PM atirou. A ação terá sido "provavelmente desnecessária", diz o ouvidor da Polícia de São Paulo, após colher relatos dos que presenciaram o homicídio.

Por ter ocorrido em local e horário de alta circulação, a tragédia encontrou testemunhas em maior número —e com mais disposição de contar o que viram, pode-se presumir, do que se esperaria em casos semelhantes a ocorrer na periferia da cidade.

A reação chocada dos transeuntes fez com que os policiais improvisassem a remoção do cadáver, sem ação de pessoal especializado.

Num contexto em que partidários da violência policial ainda parecem ativos, é com algum alívio que se registra a capacidade de alguns cidadãos de se organizarem em nome de valores como o respeito humano e a solidariedade com os mais fracos e desfavorecidos.

Estes não se confundem com o sentimentalismo fácil que não raro se presta a explorações de má-fé.

Importa zelar pela proporcionalidade no uso da força, pela avaliação equilibrada das necessidades repressivas do Estado e, nesse caso como em qualquer outro, por investigações isentas.

Submetidos a uma rotina de estresse e de risco, mas também aos condicionamentos da truculência, os policiais militares não são, nem teriam por que ser, carrascos da população. Ei-la, entretanto, vitimada uma vez mais.

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